Maratona do Porto desclassifica 128 corredores por cortar caminho

Maratona do Porto desclassifica 128 corredores por cortar caminho

No Brasil, Federação Catarinense identificou e organização puniu corredor amador na Meia de Florianópolis

SILVIA HERRERA

09 de dezembro de 2019 | 08h50

O que será que leva um corredor amador fraudar uma corrida? Talvez os likes do Instagram? Talvez o ego? Talvez um troféu da categoria por idade? Ou tudo isso junto e misturado? Tentando frear essa prática, que vem se tornando uma epidemia mundial, o organizador da Maratona do Porto, RunPorto penalizou pela primeira vez os fraudadores neste sábado, 7 de dezembro. Identificou e desclassificou 128 atletas. No mês passado, a Federação Catarinense de Atletismo identificou e puniu um atleta pelo mesmo motivo. #fraude #corridaderua #BlogCorridaParaTodos

16ª Maratona de Porto puniu fraudadores

Jorge Teixeira, organizador da maratona, explicou para a Agência Lusa, que nos últimos anos fez vista grossa, mas desta vez quis dar um ponto final na esculhambação, cortou até colegas do clube de corrida. E para o ano que vem, quem fraudar a maratona não será apenas desclassificado, mas proibido de correr durante um ano qualquer prova da RunPorto. E se os corredores  repetirem a infração em um intervalo de três anos, serão processados criminalmente por fraude.

Por obra do destino, a Meia de Floripa e a Maratona do Porto foram realizadas em novembro. A portuguesa no dia 3 e a brasileira, dia 24. A RunPorto passou o pente fino nos resultados, que só foram homologados agora – trazendo os nomes e números dos desclassificados. E pasmem, são 94 corredores federados, 18 estrangeiros e 11 deles, com tempo de chip impossível, todos sub 3 e apenas meio hora superior ao campeão, o fundista da Etiópia Deso Gelmisa (02:09:08). Aliás, a fraude de Floripa foi detectada pelo tempo do chip, com parciais que nem Usain Bolt seria capaz de fazer.  O catarinense chegou a subir ao pódio na categoria por idade e depois teve que devolver o troféu.

Há mais de duas décadas organizando corridas e ressabiado com a falação nas redes sociais, Teixeira instalou 14 câmeras no trajeto, além dos tapetes de confirmação do chip – geralmente instalam 3 em meia maratonas e 6 em maratonas.  Teixeira contou ao site Publico que ficou indignado ao ver um homem correndo sua maratona, no dia 3 de novembro, com um peitoral de uma mulher. E resolveu checar todos os participantes. “Eles fazem os maiores estratagemas para enganar a organização da prova, mas no fim eles é que estão se auto-enganando”, destacou o organizador. Sou da mesma opinião, e nesta década de fakes news em alta, é bom frear essa galera.

Participaram da Maratona do Porto 5.490 pessoas e 3.762 concluíram os 42k. Todos os tempos e imagens dos 3.762 corredores foram analisados minunciosamente. Entre as fraudes detectadas estão: trocar chips (para pegar premiação por idade), trocar peitorais (fazem revezamento durante a maratona) e cortar caminho. Para o ano que vem, a organização vai convidar a se retirar durante o trajeto, todos que forem pegos sem peitoral. Teixeira acha válido, os treinadores e amigos, que correm junto com o maratonista parte da prova, mas desde que todos se inscrevam.  Há quatro brasileiros entre eles. Vamos dar nomes aos bois: Reginaldo Juarez da Silva (RJR Runners), Vanessa Hungaro da Gama Martins, Juliano Zanoni (Lisbon Moonlight Runers), e Cleber Zanetti. Confira a lista toda aqui:

Meia Maratona de Floripa desclassificou um corredor por fraude

Na corrida brasileira, o representante da Federação de Atletismo, o delegado Jorge Luiz Graça que identificou a fraude e escreveu no relatório: “FOI UMA CORRIDA TRANQUILA, MUITO BEM ORGANIZADA E UMA ÓTIMA ESTRUTURA. PEÇO A DESCLASSIFICAÇÃO DO ATLETA ADILSON LUCINDA NÚMERO 753 POR CORTAR O PERCURSO, PEÇO PARA A FEDERAÇÃO TOMAR PROVIDENCIA PARA A DESCLASSIFICAÇÃO.   –  Relatório: http://bit.ly/37BDm98

Segundo apurado, o corredor amador Adilson Lucinda usou veículo – carro ou moto – durante 65% do trajeto da meia maratona (21K)… Que vergonha isso. Tentamos entrar em contato com o corredor, que não nos retornou. A prova é da Corre Brasil, que o desclassificou e tomou o troféu dado, por ter ficado em quarto lugar na categoria por idade. Lucinda correu até o km 4, passou pelo primeiro posto de controle e logo pegou um veículo – a quem diga que ele usou patinete elétrico… Voltou a corrida antes do 15km, onde havia outro controle, e depois pegou novamente um veículo, e depois retornou perto do 19km, para finalizar a meia maratona oficialmente. Em uma das parciais, Lucinda voou 1km em 58 segundos!!! (veja tabela abaixo) Tudo indica que a fraude foi premeditada…

Parciais de Adilson Lucinda na Meia Maratona Internacional de Floripa

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