Mulher de 74 anos inspira corredores de Ribeirão Preto

SILVIA HERRERA

07 de outubro de 2015 | 11h25

Pique total. Este é o lema de Cleide Preto que aposentou o sofá e o controle remoto da TV há 10 anos e hoje corre todas as provas dominicais de sua cidade. Só da Brazil Run Series/Caixa, por exemplo, ela participou de 11 edições.

“Tenho 74 anos e as pessoas dizem que enxergam juventude em mim. É assim que eu me sinto. Desde que comecei a correr, me tornei outra pessoa. Se não tivesse o esporte, acabaria encolhida sentada numa cadeira, tricotando. Graças a Deus, não sei nem enfiar a linha na agulha”, conta Cleide. A rotina dela  é puxada, com treinos na USP de Ribeirão Preto, às terças e quintas, e atividades físicas no Programa de Reintegração Comunitária para Idosos (PIC).

Confira abaixo entrevista com a “menina dos olhos” de Ribeirão Preto.

Por que a senhora começou a correr e quando?

Comecei a correr depois de aposentada para conseguir ter uma saúde legal. A ideia surgiu quando eu estava fazendo o PIC (Programa de Integração Comunitária), que promove saúde e bem-estar a pessoas de todas as idades, principalmente aposentados, em praças. No meu caso, ia na praça próxima de onde eu moro. Uma das coordenadoras do programa perguntou se eu não queria me inscrever nas aulas de atletismo da Cava do Bosque, ginásio poliesportivo daqui de Ribeirão Preto onde fica a Secretaria Municipal de Esportes e onde funcionam escolas de diversas modalidades esportivas. Eu respondi “Ah, beleza. Tô dentro”. Já faz 10 anos que faço atletismo. E eu já tenho 74 anos. Aqui na Corrida da Caixa eu participo desde 2006.

A família apoia? Marido, filhos, netos?

Não tenho filhos nem marido. As minhas irmãs, mais novas que eu, me apoiam muito e dizem que eu sou o orgulho da família! Apesar disso, nenhum dos meus parentes pratica essa atividade, só eu (risos).

O que elas acharam quando a senhora disse que ia começar a correr?

Elas falaram “Você é louca? Nessa idade? Vai começar a correr agora?” (risos). Quando eu morava em São Paulo, porém, ajudava o meu pai a fazer as coisas sempre a pé, subia e descia escadas ao invés de utilizar o elevador. Então, começar a correr não foi problema nenhum.

O Brasil tem 67 milhões de sedentários. Qual a sua mensagem para tirar esse pessoal do sofá?

Levantem do sofá!!! Agora!!! É muito fácil!!! Levantem meia hora mais cedo e deem uma volta no quarteirão andando. No dia seguinte, façam a mesma coisa. Depois de uma semana, ao invés de caminhar, comecem a trotar. Quando vocês virem, se derem conta, já estarão correndo. Entrou no sangue, não tem mais problema! (Gargalhadas).

Depois que a senhora começou a correr sentiu alguma diferença em sua vida?

Hoje me sinto muito mais jovem! Tenho mais disposição para fazer as coisas e não tenho preguiça. Posso dizer que estou feliz da vida e cheia de saúde, sem precisar tomar remédio para nada. Isso é o que importa.

Conte uma história engraçada ou diferente que a senhora viveu nestes 10 anos correndo.

Não foi uma história engraçada, mas foi uma coisa que me incentivou muito. No ano passado, depois da Corrida do Circuito CAIXA aqui em Ribeirão Preto, o Valdir Oliveira, um atleta profissional que tirou 4º lugar, me deu o troféu dele, enquanto eu recebia a minha medalha de participação. Aquilo me emocionou muito e me incentivou a correr cada vez mais.

A senhora faz parte de algum grupo de corrida?

Não faço parte de nenhum grupo de corrida. Sou eu e eu! (risos).

Qual o seu lema de vida, dona Cleide?

Viver e correr! (Gargalhadas).

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