Ninguém nasce campeão

Ninguém nasce campeão

SILVIA HERRERA

25 de abril de 2018 | 09h29

“É nas derrotas que nascem as vitórias do futuro”. Esta frase é do marchador brasileiro Cai Bonfim, novo vídeo da websérie “Ninguém Nasce Campeão”,  do canal Rede Nacional do Esporte no Youtube, que  resgata momentos em que os atletas ainda não sabiam que teriam a projeção e o destaque que alcançaram, e busca o que foi essencial para que a caminhada deles desse certo. #BlogCorridaParaTodos #superação

Foto: Francisco Medeiros/ME

O programa de Caio é emocionante, ele conta como tudo começou. São 2 minutos e 15 segundos. Hoje ele é o melhor marchador brasileiro – sete vezes campeão da Copa Brasil, com duas participações olímpicas e um quarto lugar na Rio 2016. A trajetória dele nunca  foi tão tranquila. Não raro teve de conviver com o preconceito de quem enxerga nos movimentos da mobilidade um sinal de feminilidade e viveu, em Londres 2012, a amargura de um abandono precoce num momento em que se julgava em ótima forma. “A lição que posso passar é de perseverança, para as pessoas não desistirem nas adversidades. Vai batalhando que uma hora dá certo”.

“No máximo jogador de dominó”

Quando Caio Bonfim tentou dar os primeiros passos, as pernas não colaboravam. Arqueadas, elas complicavam o equilíbrio do garoto. Dos médicos, veio um diagnóstico alarmista para a família, de que ele enfrentaria limitações de mobilidade e que, possivelmente, passaria por várias cirurgias.”Depois da primeira intervenção, o médico me falou que ‘me fez’ para ser no máximo um jogador de dominó, nunca um atleta, principalmente um que dependesse totalmente das pernas. A ideia era que as pernas entortassem de novo e eu passasse por outras cirurgias até ter maturidade óssea. Mas nunca mais entortaram”, conta o principal nome brasileiro da marcha atlética.

Mesmo que a mobilidade não fosse a melhor nos primeiros anos, ele criou uma relação de intimidade com a modalidade desde o “berço” em função da herança familiar. Sua mãe, Gianetti Oliveira de Sena, foi oito vezes a melhor do país. Seu pai, João Sena, era o técnico de Gianetti. Assim, a infância de Caio foi ao lado de pistas de atletismo do Distrito Federal, onde nasceu, e de vários cantos do país. “Toda vez que minha mãe ia marchar, eu brincava muito com ela e sabia fazer a técnica. E meu pai me dizia: ‘Sua forma física é boa. Se você encaixar isso com a técnica que tem, dá para brincar'”, recorda Caio.

De tanto o pai insistir, um dia Caio topou o desafio. Foi disputar a Copa Brasil. Sábado era a categoria Menores e domingo a Juvenil. Participou das duas. “Os cinco primeiros da Juvenil se classificavam para uma prova internacional, a Copa Pan-Americana. E aconteceu algo que nunca esperei: fiz a prova em 50 minutos e fui o segundo. Ganhei de todos os que tinham ganho de mim no dia anterior e baixei o meu tempo em quatro minutos. E aí meus pais ficaram loucos e nunca mais dormi sossegado”, brinca. A partir dali, Caio foi para a Copa Pan-Americana, conquistou índice para o Mundial e voltou para casa como o 12º do mundo em sua categoria. “Quando vi, já era marchador, estava apaixonado por essa prova e com a sensação de voltar para casa e falar para si próprio: ‘Sou um atleta'”.

E a hora certa do brasiliense no cenário internacional chegou de forma mais enfática em 2017. Na última temporada, o atleta conquistou a medalha de bronze inédita para o Brasil durante o Mundial de Atletismo de Londres. Com o pódio, a capital inglesa ficou marcada definitivamente na carreira do atleta.”O mesmo local em que passei o terceiro colocado e garanti o bronze no Mundial de Londres foi o lugar onde vomitei e saí da prova nos Jogos Olímpicos de 2012. Assim, você vê como o esporte proporciona algumas coisas: há cinco anos eu tinha vivido o pior momento da carreira em uma prova ali. No mesmo lugar, tive a oportunidade de protagonizar meu melhor momento”, relembra o atleta.Sem tradição no país, a marcha atlética é pouco conhecida do grande público. Caio é um desbravador e um embaixador do esporte. No último mês de março, ele conquistou o prêmio de Atleta da Torcida 2017, oferecido pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Veja o programa abaixo:

 

 

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