No Pain, No Gain

No Pain, No Gain

SILVIA HERRERA

27 Agosto 2017 | 10h10

Ao contrário do que diz esta célebre expressão, a dor é um sinal de alerta que algo vai mal no seu corpo, não que você está evoluindo na sua corrida. #corridaparatodos #desafiocorridasemlesão #dor #corridaderua

Quem alerta é o médico anestesista Irimar de Paula Posso, presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED), que a presentou os resultados da 3ª edição da pesquisa “A Dor no Cotidiano”, encomendada pela Advil (Pfizer Consumer Healthcare) conduzida pelo Ibope Conecta em julho de 2017.

Com nove maratonas no currículo, Irimar nunca sentiu dor praticando corrida de rua. Sua primeira maratona foi a de São Paulo, que participou só para ver como era e acabou parando na USP. “Você tem que se preparar, trabalhar o condicionamento físico, praticar regularmente sem exageros e com acompanhamento profissional”, orienta. O tempo médio de Irimar em maratona é de 3h30.

“Corro sempre contra mim mesmo e nunca desafiei meus limites. É um momento só meu, de pensar na vida, aproveito para isso”, acrescenta. A maratona que ele mais gostou até agora foi a de Paris. “O acesso para chegada é fácil e o trajeto é lindo. A que mais odiei foi a de Nova York, largada longe de tudo, e a chegada é no Central Park. Acordei às 4 da manhã e fiquei esperando no frio, das 6h às 9h. O terreno também é difícil, as pontes de metal tem vãos, tem que ficar de olho. Em Chicago também adorei, fiquei hospedado no Hilton, em frente a largada. Quando terminei dei de cara com a campeã, já de banho tomado toda arrumada para dar entrevistas”, lembra o médico (foto abaixo).

Ele explica que a dor aguda é fisiológica. É um sinal que você ultrapassou o limite do seu corpo. Irimar cita o recente caso da despedida do velocista Usain Bolt, no revezamento 4x100m, no Mundial de Londres em agosto (veja o vídeo abaixo). “Os atletas profissionais ultrapassam o limite do saudável diariamente, por isso a carreira deles é tão curta. Bolt, por exemplo, se lesionou na corrida da despedida, ficou claro no semblante dele a dor que ele estava sentindo. Ser atleta profissional não é saudável, O saudável é não sentir dor por conta da prática esportiva e assim ter longevidade no esporte”, compara.

A dor do brasileiro

Mil novecentas e cinquenta e quatro pessoas foram entrevistadas, online, durante o mês de julho. Eram homens (47%) e mulheres (53%) acima dos 16 anos, de todas as classes sociais e regiões do Brasil. Os dados das edições anteriores foram ratificados. A dor campeã é na cabeça (76%), seguida por dores nas costas (65%) e musculares (63%). “A principal causa das cefaleias é a ansiedade e ela é mais presente na população mais jovem”, destaca Irimar.

O médico ensina que há dois tipos de dor: aguda, que é uma função fisiológica, um alerta que algo errado aconteceu no seu organismo e deve ser tratado; e a crônica: quando dura mais de três meses. “O segredo é não deixar uma dor aguda se tornar crônica. A dor aguda tem tratamento mais simples. Dor crônica é doença, às vezes não tem cura”, observa. Ele acrescenta  que um amigo médico tinha uma dorzinha na lombar e se automedicava, até que a dor ficou insuportável, mas já era tarde. Diagnóstico: câncer de próstata que se alastrou para os ossos. “Cada pessoa tem uma tolerância diferente para dor, mas sentir dor nunca é normal. Sentir dor nas costas é frequente no ser humano, porque éramos quadrúpedes e evoluímos para bípedes, mas sentir dor na lombar pode ser grave e deve ser investigado”, alerta.

Aquela dorzinha que aparece quando muda a série da musculação também não é normal, indica que você ainda não estava condicionado para fazê-lo. “Nosso organismo é preguiçoso e a atividade física tem que ir evoluindo gradualmente, sem dor. Sedentários, com dores até articulares, que começam a fazer caminhada com orientação profissional apresentam melhora na dor. Fazíamos uma caminhada em todo o país, mas por conta da crise ficamos sem patrocinador e tivemos que parar este ano. Era um programa muito interessante”, conta.

Na pesquisa, o principal fator desencadeante da dor nas costas é a má postura. E as musculares, por falta ou excesso de exercícios. Maior causa de afastamentos do trabalho é a dor nas costas. Lendo e refletindo sobre pesquisas como essa para mim fica claro: praticar esportes sempre é o melhor remédio! Bora treinar! #nadaatrapalhameucaminho

Confira a corrida de despedida de Usain Bolt – canal IAAF (Federação Internacional de Atletismo

 

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