Nunca é tarde para começar a correr

Nunca é tarde para começar a correr

Aparecido dos Santos começou a correr aos 66 anos

SILVIA HERRERA

17 de janeiro de 2021 | 16h39

Aos 65 anos, o PM Aparecido Zacharias dos Santos nem sonhava “virar” maratonista. Torcedor do Santos, sempre foi boleiro, ainda mais que tem um campinho na chácara onde mora em Mogi Mirim, interior de São Paulo. Para ele, correr os 90 minutos atrás da bola seria mais do que suficiente pata manter a forma. No entanto, resolveu se inscrever na corrida, nos Jogos da Terceira Idade, e descobriu que seu fôlego não dava nem para 1.500 metros. “Larguei forte, liderei a primeira volta, mas cansei e todo mundo me passou”, conta Cidão, que começou a se dedicar a corrida de rua desde então. A ideia era participar da mesma prova no ano seguinte , treinado, para não chegar morto na lanterna.

Aparecido já correu 12 maratonas

O ganho foi infinitamente maior. Ganhou saúde, medalhas e um motivo para acordar feliz da vida às 5h30 da manhã. A partir de setembro de 2011, ele começou a correr para valer, dando um novo sentido à sua aposentadoria. No mesmo ano, estreou na Corrida Internacional de São Silvestre. “È uma festa, è a principal corrida do Brasil, primeira corrida de rua da América do Sul. e desde então participei de todas”, conta.  Só em 2020, ele participou de duas provas presenciais e 66 virtuais!

Filhos fizeram um livro para celebrar dez anos na corrida de rua

Cidão comprou um cronômetro e um caderno, no qual registra seu histórico de corredor, coloca as datas, treinos, tempos, provas classificações. Nestes  quase dez anos de corredor de rua, já completou vários cadernos que ganharam formato de um livro: “Corrida na Terceira Idade”, um presente dos filhos. “Corri 349 corridas de 2011 até agora, inclusive 12 maratonas, a última delas, em 2019, a de Nova York. Dois milhões de pessoas assistindo nas ruas de NY, os 55 mil corredores de rua de 125 países, é uma alegria imensa, muito bom demais”, conta. Em 2018, ele correu a Maratona de Buenos Aires. As outras maratonas foram São Paulo (quatro vezes), Campinas (duas vezes), Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. No Brasil a 42Km preferida é a carioca. ”Uma maratona margeando o mar do Rio, passando todos os pontos turísticos da Cidade Maravilhosa, desde o Recreio dos Bandeirantes ao Aterro”, observa.

Aparecido coleciona as medalhas das corridas

A Educação Física sempre esteve presente no dia a dia na PM, mas com corridas em pelotão, bem diferentes das atuais corridas de rua. “No começo achei que já estaria velho para começar a correr, mas li a história do indiano que começou a correr aos 89 anos e que com 100 anos correu uma maratona em Toronto, tomei como exemplo e incentivo, e minha primeira maratona fiz aos 70 anos. Hoje estou com 76, pertinho de completar 77”, argumenta. “Correr basta começar, é só não ter preguiça e começar. Eu não tenho preguiça, já cheguei a acordar às 3 da manhã para correr uma prova em outra cidade que largava às 6h. Correr faz muito bem para saúde!”, destaca.

Em vez de ficar sentado no sofá reclamando da saúde, como boa parte dos idosos brasileiros, Cidão acorda 5h30 para correr 13km. “Corro de terça à quinta; e aos sábados e domingos”, explica. A esposa prefere as caminhadas. “Com a pandemia, as atividades do grupo de corrida foram suspensas e tive que me virar sozinho, enquanto treinava fiz 66 corridas virtuais em 2020, escolhi as com as medalhas mais bonitas, meu filho me ajudou com apps, e vou continuar até as corridas voltarem, após a vacinação. Ah, como é bom ficar com a galera nas corridas de rua, tão gostoso”, lembra. E como hoje começou a vacinação, tomara que tenhamos realmente duas São Silvestres este ano, em julho e dezembro, para junto com Cidão celebrarmos a vida e o esporte!!!

Confira a entrevista completa abaixo.

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