“O maior benefício que a corrida trouxe foi a cura de uma enxaqueca crônica”

“O maior benefício que a corrida trouxe foi a cura de uma enxaqueca crônica”

Confira a história da corredora amadora Marcela Nardez

SILVIA HERRERA

14 de agosto de 2021 | 10h00

Várias pesquisas destacam os benefícios de uma prática esportiva regular, como a corrida, no aumento da imunidade e na promoção da saúde física e mental. A mais recente delas, um estudo da USP divulgado dia 9 de agosto, indica que pessoas fisicamente ativas respondem melhor a vacina contra a Covid-19.  Na prática, a corredora amadora Marcela Nardez é testemunha do bem que uma corrida faz. “Pra mim, o maior benefício que a corrida trouxe foi a cura de uma enxaqueca crônica que eu tinha desde minha adolescência. Também melhorou muito minha qualidade de sono e a ansiedade, que hoje não tenho mais”, destaca. Ela cita outros como melhorias no funcionamento cardiovascular, níveis de colesterol, memória, mais disposição e condicionamento físico.

Marcela Nardez corre desde 2009

Há dez anos praticando corrida, ela relata seu dia a dia no Instagram com a ##vicioporcorrida O esporte, que hoje é parte do dia a dia de Marcela, começou de forma casual na Corrida dos Reis de 2009, em Cuiabá, cidade onde nasceu: “Essa disputa ocorre em janeiro, época que nunca estou na cidade, mas, por obra do destino, não viajei e fui muito encorajada pelo meu personal a me inscrever. Eu estava sem expectativa, afinal, apesar de treinar há 12 anos e ter um bom condicionamento físico, eu nunca havia corrido.” A atleta explica que treinou por apenas um mês para a competição e que se surpreendeu com a extensão dos 10km, mas que manteve o foco e conseguiu finalizar. “Comecei a correr com 33 anos.  Arrasei! Ficando em primeiro lugar na minha faixa etária e entrei para o grupo de elite feminino, que na época era as primeiras 50 colocadas. Cheguei em 43ª”, frisa.

Depois dessa  primeira corrida, ela descobriu que era apta a correr. “Comecei a treinar na esteira, depois na rua e na pista. Com isso fui evoluindo cada vez mais e me tornei uma atleta amadora”, conta. Durante a pandemia, migrou os treinos para a esteira.  “Apesar de eu amar correr na esteira, sei que é um desafio para grande parte dos meus amigos e costumo sugerir treinos de hit, que intercalam atividades e não te deixam ver o tempo passar, uma boa playlist para manter o ritmo ou uma série e, se possível, alternar com a prática de abdominais, circuitos… Acho que manter um ritmo estático é muito cansativo, precisamos criar picos.”

Para quem quer montar seu kit de indispensáveis na corrida ela sugere começar com os cuidados com à saúde: protetor solar no rosto e no corpo, viseira para se proteger do sol e o uso de um tênis apropriado, já que os calçados possuem individualidades para cada treino, seja montanha, praia, asfalto ou esteira. Em provas muito longas detém de um truque especial: “Na maratona e na meia-maratona não abro mão da vaselina. Quando corremos por muito tempo causamos um atrito em partes do corpo, o que pode gerar assadura ou bolhas dolorosas e a vaselina é uma aliada para evitar isso.” As provas que ela participaria em 2021 foram canceladas, mas segue motiva e treinando para a Volta do Lago em Brasília de 2022.  “Serão 100km onde irei participar do revezamento feminino em 4 mulheres.

Marcela Nardez é faixa marrom de caratê

Durante a infância e adolescência, Marcela sempre gostou de esporte. Começou no balé  migrou para o caratê, modalidade que praticou durante nove anos. “Minha mãe quase surtou, já que eu era a única filha mulher entre quatro irmãos”, lembra.  Já faixa marrom, parou de praticar por conta da morte do irmão, seu companheiro de treinos. “Depois desse acontecimento, fiquei sem me exercitar por dois anos, até que aos 21 anos, me matriculei em uma academia nunca  mais parei”, destaca. Em seguida melhorou também a alimentação. “Determinada como sempre fui, mudei meus hábitos alimentares, cheguei no corpo que me sentia bem e desde então é como me mantenho até hoje”, conta. Mesmo quando engravidou de gêmeos, continuou se exercitando e ganhou apenas oito quilos, que perdeu 40 dias após o parto.

Para quem quer começar a correr, Marcela dá uma dica: “comece devagar, caminhando, trotando e aumentando o tempo de treino gradativamente. Não precisa correr todos os dias, alterne com outra atividade, porque a corrida tem grande impacto e o risco de lesão é grande”. E acrescenta um sábio conselho: fortalecimento é fundamental. “O ideal é ter orientação de um profissional, que te oriente na postura, pisada e planeje uma planilha  para o que você busca”, finaliza Marcela.

 

 

 

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