O sonho da maratona olímpica

O sonho da maratona olímpica

Tachlowini Gabriyesos  quer mostrar ao mundo a força dos refugiados

SILVIA HERRERA

07 de agosto de 2021 | 08h28

Neste sábado, 7 de agosto, às 19h, meu coração vai bater mais forte no encerramento da Olimpíada. Na maratona em Sapporo vou torcer como uma maluca por Daniel Chaves, Danielzinho, Paulo Roberto – nossos três bravos brasileiros – e o eritreu Tachlowini Gabriyesos, representante da Equipe Olímpica de Refugiados. O grande favorito é o “monstro” Eliud Kipchoge, da qual sou fã de carteirinha, mas o bom do esporte é exatamente a zebra, o imponderável.

 

Tachlowini Gabriyesos é do clube Emek Hefer

Tachlowini, 23 anos, conduziu a Bandeira Olímpica na cerimônia de abertura e vai encerrar a notória participação dos atletas refugiados na emblemática Tokyo 2020 na maratona. O atleta foi um dos primeiros a ser convocado para a delegação de atletas refugiados, fruto da parceria do Comitê Olímpico Internacional (COI) com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). “Quero mostrar aos outros que tudo é possível e que não devem desistir”, contou o maratonista ao COI. Ele é daqueles que amam correr desde criança, fazem do esporte uma espécie de religião, e através dele enxergam o mundo sob outro ângulo.

Aos 12 anos de idade, ele teve que fugir da violência na Eritreia, primeiro rumo ao Sudão, depois Egito, onde atravessou desertos até chegar a pé a Israel, onde mora atualmente. Ele é fundista do clube Emek Hefer, de Tel Aviv, e conta com o apoio da bolsa para atletas refugiados do COI.

Esta será a terceira maratona dele, que se classificou para os Jogos em 21 de março, na Agmon Hahula Marathon, em Israel, com o tempo de 2:10:55. Em Israel ele compete nas provas a partir de 3 mil metros. E só o fato de conseguir o índice para Tokyo 2020 no meio de uma pandemia de coronavírus já é uma baita vitória.

Em 2019, Tachlowini foi um dos seis atletas escolhidos para competir pela Equipe de Refugiados no Campeonato Mundial de Atletismo de Doha, porém, na escala do voo na Turquia foi impedido de prosseguir pelas autoridades aduaneiras, que o retiveram por 27 horas, e com isso perdeu boa parte das competições. Problemas com o visto também o impediram de correr, no ano passado, o campeonato mundial de meia-maratona em Gdynia, na Polônia.

“Eu não sou de desistir”, conta Tachlowini, que dois meses depois da decepção do mundial, ele correu sua primeira meia-maratona a 1:02:21. Três meses depois, correu a maratona de Hula Lake Park, em Israel, e tornou-se o primeiro atleta refugiado a seguir um padrão de qualificação olímpica. “Acho que estou em melhor forma do que no ano passado, mas fisicamente e mentalmente era difícil treinar com as restrições da pandemia”, disse ele ao World Athletics, em maio de 2021.

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