Passou dos 60? Ainda há tempo para começar a correr

Passou dos 60? Ainda há tempo para começar a correr

SILVIA HERRERA

03 de junho de 2019 | 12h14

Em vez de remédios, medalhas. Paulo Metring, 66 anos, e Francisco Altenfelder, 68, correm corridas de rua de 10K e  fazem condicionamento físico com treinamento resistido, a famosa musculação, para tratar e prevenir lesões. #longevidade #treinamento #corridaderua #BlogCorridaparatodos

Medalhas do Paulo Metring/arquivo pessoal

Com o passar dos anos, começa o  desgaste natural das articulações  e o fortalecimento muscular aumenta a estabilidade das articulações e diminui dores. Paulo e Francisco treinam no Instituto Biodelta, do fisiatra Dr. José Maria Santarem, que desenvolve aparelhos diferenciados, com vários ajustes, e pesando no público da terceira idade.  “O fortalecimento muscular com exercícios resistidos contribui para evitar e tratar lesões”, explica o especialista  em fortalecimento muscular.

Paulo Metring faz fortalecimento muscular duas vezes por semana/arquivo pessoal

Francisco treina há quatro anos. Corre duas vezes por semana, faz musculação três vezes por semana e joga bola com os amigos. Quando decidiu começar a musculação, sentia dores e tinha algumas lesões. “Minha esposa já frequentava o Biodelta, por orientação médica. Ela sugeriu que eu fosse conhecer e conversar com o pessoal de lá para ver se davam alguma orientação. Passei por uma consulta com o Dr. Santarem que me incentivou bastante. Disse que precisava um fortalecimento muscular para correr melhor. Após alguns meses de treinamento já comecei a sentir diferença e realmente não tive mais distensões. Também tinha uma dor no ombro que com o fortalecimento muscular terminou”, lembra.

Francisco Altenfelder/arquivo pessoal

Paulo corre há 12 anos, quando o foi mordido pelo bichinho da corrida de rua. Já são 80 medalhas na coleção. “Comecei a correr sem me dar conta que isto se tornaria um hobby, aos poucos comecei a correr 5 km, com muita dificuldade para concluir uma prova. Depois de uns treinos e fazendo inscrições, fui adquirindo mais folego e fazendo cada vez mais provas. Hoje tenho mais de 80 medalhas, de provas concluídas. Em todas as provas anoto no verso do número de peito a data da prova,  KM percorrido,  tempo concluído e também o nome da companhia do filho ou filha e de algum amigo que incentivei para participar”, conta. Uma das provas mais marcantes foi a São Silvestre, que Paulo correu em 2013 e repetiu a dose em 2017. “O clima dos atletas é muito incentivador”, destaca

O trabalho muscular chegou depois, há cerca de sete anos. “Minha esposa já fazia Biodelta e, me incentivou. Percebi que o fortalecimento dos músculos me ajudaria nas corridas. Hoje concluo uma corrida de 5k a 10k e me recupero rapidamente. Por isso, posso afirmar que o fortalecimento dos músculos é fundamental”, observa.

Paulo Metring/Arquivo Pessoal

Paulo confessa que não é muito disciplinado com os treinos. “É uma falha e preciso me empenhar mais para aumentar a frequência”. E acrescenta: “Procuro correr mais no final de semana, pelo menos uma ou duas vezes por semana. Na Biodelta, treino suas vezes por semana, mas pretendo incrementar meus treinos e fazer mais corridas, e continuar a fazer Biodelta, pois me é muito importante.”

Francisco Altenfelder/ arquivo pessoal

Paulo começou a treinar aos 58 anos. “Hoje com 66 anos sinto a mesma disposição dos 58, o que considero muito positivo”, avalia. Para quem quer começar, mas falta aquele incentivo a mais, Paulo dá aquele empurrão que faltava: “Comece dando o primeiro passo. Depois é só entrar no clima. Hoje vejo muitos amigos e familiares parados, alegam ‘falta de tempo’ ou  indisposição. Acho que nosso corpo necessita de pelo menos uma caminhada de 10 a 20 minutos todos os dias, depois  é só ir aumentando até começar a correr.
Como dizem vários corredores amadores, como eu, para correr, basta um par de tênis  e sair correndo. Daí será contagiado pelo ‘bichinho da corrida’. Com o esporte você vai ter mais disposição e diminuir algumas doenças que pela idade estamos sujeitos.” E aí, bora calçar o tênis e sair para a primeira caminhada ou corrida!

Três perguntas para Dr. José Maria Santarem:

Como o treinamento resistido pode auxiliar na performance dos atletas que correm?

Dr. José Maria Santarem – Basicamente o treinamento resistido aumenta o limiar anaeróbio (LA), que é a intensidade de esforço acima da qual a via anaeróbia passa a contribuir para a produção energética. O LA corresponde a cerca de 30 a 40% das fibras musculares em atividade. Abaixo desse porcentual a contração muscular não impede que o sangue chegue a todas as fibras e o metabolismo pode ser aeróbio. Acima desse porcentual começa a haver oclusão de algumas artérias dentro do músculo e as fibras que não receberem sangue vão se contrair anaerobiamente. Quando a pessoa está mais forte utiliza menor número de fibras musculares para as atividades físicas. Assim sendo, uma pessoa forte consegue fazer atividades mais intensas com 30 a 40 % das fibras em atividade (por exemplo, correr mais rápido aerobiamente, com menos fadiga).

A melhoria na sensação de dores também ajuda na prática da corrida, mesmo que não sejam dores nos membros inferiores?

Dr. José Maria Santarem – O processo de envelhecimento, que se inicia na maturidade, muito antes das pessoas serem idosas, se caracteriza por processos de desgastes nas articulações. A magnitude desses desgastes é de natureza genética. Muitas dores ocorrem na corrida porque as articulações dos membros inferiores ou da coluna vertebral apresentam desgastes e consequentemente instabilidade. O fortalecimento muscular aumenta a estabilidade de todas as articulações e diminuem as dores.

Quais são os tipos de contusões mais comuns em corredores que o treinamento resistido pode atuar como um exercício terapêutico? Isso é possível?

Dr. José Maria Santarem – O fortalecimento muscular com exercícios resistidos contribui para evitar e tratar lesões, pelos mesmos mecanismos: fortalecem os músculos e tendões, melhorando a dinâmica da contração muscular, incluindo a melhora da estabilidade. Os problemas mais comuns evitados ou tratados com exercícios resistidos são as tendinites e bursites.

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: