Pesquisa comprova a eficácia do tênis Vaporfly em maratonas

Pesquisa comprova a eficácia do tênis Vaporfly em maratonas

Maratonistas diminuem o tempo em até 3,9 minutos em 42Km

SILVIA HERRERA

09 de janeiro de 2021 | 10h13

Esta a terceira pesquisa que comprova a eficácia do tênis Nike Vaporfly em maratonas e foi coordenada por Joseph Guinness, da Cornell University (EUA). Foram analisados os dados de fundistas da elite e sub-elite entre 2015 e 2019. O estudo concluiu que nos homens, o modelo “acelera” a maratona entre 2 minutos e 3,9 minutos; e nas mulheres entre 0,8 minuto e 3,4 minutos. O que é uma boa vantagem quando se trata de atletas da elite.

Nike ZoomX Vaporfly Next%

Intitulada “

” (estudo dos efeitos do uso do tênis Nike Vaporfly em maratona), a pesquisa foi apresentada em fevereiro de 2020 e revisada em outubro. O estudo do  The New York Times indicava uma economia de energia na casa dos  4%. Neste estudo, entre os homens a melhora da performance foi de até 2,8% e nas mulheres, 2,2%. A comparação é com o tênis usado anteriormente pelos participantes.

No período da pesquisa, não rara vezes foi possível observar atletas patrocinados por outras marcas usarem um desse modelo “maquiado” com silvertape. No ano passado, várias marcas adotaram tecnologia simular, como adidas, Fila e Brooks. E, muito provavelmente, mais  tênis de salto alto, como ficaram conhecidos pelos corredores amadores, sejam lançado pela maioria das marcas. Qualquer “aceleradinha” em um maratona vale a pena. Um atleta profissional conclui a prova na casa das 2 horas e, ao que tudo indica, esta barreira deve ser quebrada oficialmente em breve. Seria lindo se fosse na Maratona Olímpica.

placa de fibra de carbono curvada da entressola

No estudo da Cornell, explicam que a Nike colocou esta tecnologia da placa de fibra de carbono na entressola, impulsionando as passadas, em outros modelos da mesma família – como no polêmico Alphafly (protótipo usado por Eliud Kipchoge quando correu extra oficialmente uma maratona sub 2 horas) e o Vaporfly 4% e o Vaporfly Next%. Citam também as pesquisas anteriores, de Wouter Hoogkamer  (2018); e Barnes e Kilding (2019).  Nessas pesquisas testaram fundistas da elite em estudos de laboratório, medindo várias variáveis ​​biomecânicas e fisiológicas enquanto eles usaram Vaporfly e vários outros tênis na rua e esteira. Apesar de os benefícios medidos variarem um pouco de atleta para atleta, ambos os estudos encontraram cerca de 4% redução média nos gastos com energia ao usar Vaporfly, em comparação com outros tênis de corrida populares, como a linha adidas Adizero, Adios e Boost; e também spikes como a Nike  Matumbo. Foram usados também dados do  Strava.  Esses estudos incluíram milhares de apresentações em maratonas e dezenas de tênis diferentes. O Upshot, uma divisão do The New York Times, descobriu que os Vaporflys conferiam uma vantagem de 4 a 5% no tempo final.  Citam também uma pesquisa realizada na Maratona de Nova York em 2017 ((Thompson) – publicada pela Wired Magazine – que indicou que quem correu calçando algum modelo da família Vaporfly teve maior probabilidade de fazer a segunda metade da prova mais rápido do que a primeira. O que é chamado de sprint negativo. 

Este novo estudo da Cornell University  difere em alguns aspectos. Primeiro, em vez de depender de uma amostra dos dados disponibilizados no Strava, os pesquisadores foram a campo e chegaram a um padrão mínimo de desempenho, analisando as 22 maiores maratonas nos EUA  e Canadá, entre 2015 e 2016, baseado nos dados oficiais e certificados de cada uma das corridas. Em segundo lugar, em vez de confiar em dados auto relatados sobre os tênis usados, os autores conferiram em fotos na internet os calçados que cada um deles realmente usou nas maratonas. Terceiro, focaram em maratonistas que já apresentavam tempos ótimos, antes de começar a calçar o Vaporfly. Homens com tempos até 2h24 e mulheres, 2h45. Atletas mais susceptíveis de serem afetados por regulamentos de calçados esportivos, já que competem e precisam se classificar nas provas. No total participaram 270 mulheres e 308 homens, que foram avaliados em 22 maratonas, entre 2015 e 2019. inclusive nas seletivas para a Rio 2016. 

Dos poucos protótipos do Vaporfly usados em 2016, o modelo teve grande aceitação em 2017 e já em 2019, metade dos corredores o adotaram para uso em provas. E a maioria absoluta dos corredores calçando Vaporfly correu mais rápido do que os que não usaram – na casa dos 70%.  Além do perfil do maratonista, levaram em conta o gênero e a dificuldade de cada uma das 22 maratonas. Definitivamente, o Vaporfly mudou paradigmas, comprovado cientificamente. Que venham as próximas novidades em tecnologia de calçados!

 

 

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