São Silvestre: Danielzinho pode acabar com uma década de jejum brasileiro

São Silvestre: Danielzinho pode acabar com uma década de jejum brasileiro

Desde a vitória de Marilson Gomes dos Santos em 2010 só venceram africanos

SILVIA HERRERA

22 de dezembro de 2021 | 16h33

Se a vinda do atual recordista da São Silvestre, o queniano Kibiwott Kandie, e seu arquirrival, o ugandense Jacob Kiplimo, não se concretizarem, o Brasil terá chances reais de vitória na 96ª Corrida Internacional de São Silvestre, em 31 de dezembro. Sem eles, as chances de pódio de Daniel Ferreira do Nascimento, que tem o segundo melhor tempo brasileiro nas maratonas, melhoram significativamente. O último brasileiro a vencer a São Silvestre foi Marilson Gomes dos Santos, em 2010. E a última brasileira foi Lucélia Peres, em 2006. Seria um presentão a quebra desse jejum, que já dura mais de uma década, no último dia do ano. Segundo a organização, a vinda dos atletas da elite depende dos protocolos sanitários internacionais e que mais nomes devem ser confirmados nos próximos dias.

Em 2019, Daniel (verde limão) finalizou a São Silvestre em 11º

Na histórica edição de 2019, quando Kandie venceu a prova no último segundo e com quebra do recorde (42:59), Daniel foi o melhor brasileiro classificado, em 11º (46:32). E a melhor brasileira foi a namorada dele, Graziele Zarri, também em 11º (54:56). A vitória foi da atual recordista mundial da maratona, a queniana Brigdi Kosgei, que cruzou a linha em primeiro na Avenida Paulista com o tempo de 48:54. O recorde feminino da São Silvestre foi estabelecido em 2016, pela queniana Jemima Sumgong: 48:35.

Desde 2019 muita água passou por debaixo da ponte de Danielzinho, que teve seu sonho de conquistar uma vaga olímpica concretizado, após a realização de outro sonho: treinar no Quênia, país onde mora e treina atualmente. O atleta costuma dizer que se chamarem os atletas do Quênia que correm abaixo 2:06:00 a maratona dá para encher um avião grande. Na última edição da Maratona de Valência, Danielzinho foi o nono classificado e fez a segunda melhor marca brasileira para a distância: 02:06:11 (o recorde brasileiro é de Ronaldo da Costa, quando ele estabeleceu o recorde mundial na Maratona de Berlim, em 1988, com 02:06:05). Em entrevista para o Fôlego (Rádio Bandeirantes), Danielzinho explicou que vem de férias para o Brasil e na volta ao Quênia pretende levar a namorada junto para que ela também evolua no esporte, treinando na terra dos campeões. O foco dele é a Maratona de Londres, prevista para 2 de outubro de 2022, e a Maratona Olímpica em 2024.

Grazieli Zarry, melhor atleta brasileira (11ª) da última São Silvestre (2019) – Foto: Tião Moreira

Na Meia Maratona, também em Valência só que em 2020, quem venceu foi exatamente Kibiwott Kandie, que estabeleceu novo recorde mundial para a modalidade: 57:32, com Kiplimo em segundo com 57:37. No entanto, este ano, na Meia Maratona de Lisboa, Kiplimo bateu o recorde mundial com a marca de 57:31. Após esse vitória, ele manifestou a vontade de vir ao Brasil e vencer de Kandie, com recorde da prova, na São Silvestre.

Este ano, se inscreveram 20 mil corredores e a premiação, que costumava ser de R$ 90 mil para o primeiro colocado e para a primeira colocada, está em R$ 50 mil. Mas vamos combinar que só de acontecer a prova já está ótimo. Em segundo o valor é de R$ 25 mil; terceiro –  R$ 15 mil; quarto – R$ 12 mil; quinto – R$ 10 mil; e sexto – R$ 6 mil. O primeiro e a primeira brasileira recebem cada um mais R$ 10 mil. O que somam R$ 256 mil reais só de premiação.

Todos os inscritos devem ir de máscara na entrega do kit e levar o comprovante de vacinação e documento com foto. O número de peito terá um selo que indicará o certificado de vacinação. No dia da corrida, levar a máscara e a organização recomenda que se corra usando o acessório. Nas áreas comuns o uso da máscara será obrigatório. Essas regras podem mudar se houver alguma determinação do município.

Já estão confirmados para a São Silvestre 2021, o queniano Elisha Rotich (campeão e recordista da Maratona de Paris 2021 – 02:04:21), Ederson Vilela (ouro nos 10 mil metros nos Jogos Pan-Americanos do Peru – 2019); Giovani dos Santos (seis vezes campeão da Volta Internacional da Pampulha e bicampeão da Meia Maratona Interacional de São Paulo); e Wellington Bezerra (campeão da Maratona de Porto Alegre – 2013). Entre as mulheres, além de Grazieli, Andreia Hessel (campeã da Maratona Internacional de São Paulo- 2018); e Tatiele de Carvalho (cinco vezes campeã dos 10 mil metros no Troféu Brasil de Atletismo).

A Corrida Internacional de São Silvestre é uma propriedade da Fundação Cásper Líbero, com organização técnica da Yescom. O patrocínio é de Cosan, 3 Corações, NewOn, Assaí Atacadista, Smart Fit e Molico, copatrocínio Bioleve, Adria e Voe Ita, e apoio de Montevérgine, Dois Cunhados Hortifruti, Bendita Cânfora, Comgas e Transamérica Executive Paulista. O apoio especial do Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura da Cidade de São Paulo.

 

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