São Silvestre, um divisor de águas

São Silvestre, um divisor de águas

SILVIA HERRERA

26 de dezembro de 2016 | 09h30

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Para se tornar um pangaré de respeito, o corredor de rua tem que completar uma São Silvestre, subir a ladeira da Brigadeiro Luiz Antônio e vencer a barreira dos 15km, cruzando a linha de chegada na Avenida Paulista. A deste ano, a de número 92, vai contar com 30 mil corredore. Às 8h40 de 31 de dezembro largará a elite feminina, vinte minutos depois a masculina e em seguida pelotão especial e a categoria geral com pessoas de toda a parte do Brasil e do mundo, como Juliana Melo e Raimundo Nonato da Silva, que venceram a seletiva do Piauí. É tanta gente que correr mesmo, só quando começa a Consolação. Para quem não é da elite, é muito mais uma superação pessoal e uma confraternização do que uma disputa.

Já corri duas delas, uma em 2007 e a outa em 2013. Uma não teve nada a ver com a outra. Na primeira, fiquei surpresa com a quantidade de pessoas, o ritmo lento e as manifestações de apoio da torcida. A tiazinha com o esguicho ligado, refrescando os corredores no Minhocão, a água pra lá de quente servida nos copinhos na Barra Funda, os Batmans, Homens-Aranhas, Mulheres Maravilhas, Sennas, Lampiões, Enfermeiras. Tive um pacer e tanto nessa estreia, o procurador Nelson Gertel, que coleciona dezenas de São Silvestres na bagagem. A companhia foi sensacional, ele me alertou para o risco de tropeçar nos olhos de gato e buracos; foi dando o ritmo da prova, para conseguirmos dar um sprint negativo e chegar bonito pra foto. E o melhor de tudo, entender que a subida da Brigadeiro é dividida em duas. Quando você acha que está acabando, ledo engano, vai começar a segunda metade. Na chegada, só alegria. É a melhor maneira de acabar o ano. Valeu Nelson!!!!

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Na segunda São Silvestre, já me achando experiente, cometi um erro primário – esqueci o chip em casa… Só percebi na largada, quando fui dar aquela checada final no cadarço, para ver se estava bem amarrado…. É aquela coisa, lembrei de fazer a selfie em casa, postar no Insta e esqueci do chip…. Para a organização eu faltei rsrsrs. Mas me diverti muito com os Minions e os Meus Malvados Favoritos.

Para evitar esse tipo de vacilo e se preparar psicologicamente pra enfrentar a São Silvestre pela primeira vez, conversei com o psicólogo esportivo Eduardo Cillo, que deu cinco preciosas dicas. Vamos a elas!!#SãoSilvestre #CorridaParaTodos #Feliz2017

5 Dicas para a São Silvestre:

1        Deixe tudo preparado (tênis, roupa, gel, kit da prova) no dia anterior, alimente-se adequadamente, procure realizar uma atividade relaxante e procure dormir cedo. É normal um pico de ansiedade na noite anterior a prova. Uma boa organização no dia anterior ajuda a combater essa ansiedade e diminui as chances de ter que fazer tudo correndo no dia da prova;

2        Procure chegar cedo, mas não muito, no local da largada. Estude o lugar, a quantidade de pessoas e estime de onde poderá largar. Siga a rotina de preparação com alongamento, aquecimento, hidratação e alimentação. Cuidado para não exagerar: em provas assim é comum tentar aplacar a ansiedade de início bebendo ou comendo em excesso.

3        Na largada nada de pressa: o chip da organização é detectado apenas quando o corredor passa pelo pórtico de largada, então não adianta nada e não é necessário, tentar compensar os minutos “perdidos”para quem iniciou a corrida no meio da multidão. Também não é recomendável acelerar demais na saída, mesmo que tantos outros o façam. Se prestar atenção verá que muitos daqueles que largam como velocistas acabam tendo que caminhar ou nem mesmo conseguem completar a prova. Um corredor que respeita o ritmo do seu corpo acaba ultrapassando a maioria dos “coelhos” de largada. Também é importante prestar atenção nos outros corredores e em obstáculos tais como calçadas, buracos nas ruas e “tartarugas” ou “olhos de gato” que podem ocasionar lesões;

4        Durante a prova perceba que o acúmulo de corredores do início tende a se dispersar, gerando uma longa fila pelo percurso de 15 km. “Escute” os sinais do seu corpo acerca do seu ritmo de prova, dosando o nível de esforço para completar o desafio sem lesões ou desgaste excessivo. Lembre-se, também, de se hidratar e consumir os alimentos apropriados, caso façam parte da sua estratégia de prova. A parte final da prova exige uma atenção especial. Faltando cerca de 4 km para a chegada começa o famoso “subidão da Brigadeiro”. São cerca de 3 km de subida continua e que, mesmo não muito inclinada na sua maior parte, gera desgaste pelo acúmulo de esforço contínuo. Guarde energia para este trecho.

5        Já de volta a Avenida Paulista faltará pouco para completar a prova. É comum que alguns corredores tentem um sprint. Tudo bem. Faz parte do desafio, mas procure desacelerar aos poucos, cuidar da hidratação e da alimentação. Após retirar sua medalha de participação, tire fotografias e curta o clima da prova, as fantasias e tudo mais que faz parte do folclore desta prova de rua. Ao final comemore: você concluiu um desafio considerável!

 

Retirada de Kit

  • dias 27, 28 e 29 de dezembro das 9h às 19h, e no dia 30 de dezembro, das 9h às 16h; no Ginásio Estadual Geraldo José de Almeida, que fica na Rua Manoel da Nóbrega, 1361, em São Paulo. O atleta deverá comparecer pessoalmente. Para retirada por terceiros, verificar o regulamento da prova no site oficial do evento.

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