São Silvestre, uma das corridas de rua mais caras do Brasil

São Silvestre, uma das corridas de rua mais caras do Brasil

SILVIA HERRERA

10 de setembro de 2017 | 15h28

A inscrição da 15K da virada do ano custa R$ 170. É a segunda mais cara do Brasil, só perde em R$9 para a inscrição em uma das corridas de luxo do circuito Track&Field Run Series (melhor estrutura e kit do país). #corridaparatodos #SãoSilvestre2017

A São Silvestre chega a 93ª edição causando polêmica entre a comunidade dos corredores de rua, que com bom humor reagiram ao preço salgado da inscrição publicando e compartilhando as imagens abaixo nas redes sociais. Maiores de 60 anos pagam meia. As inscrições vão até dia 24/11/2017 às 12h, mas podem se encerrar antes dessa data, caso o lote único de 30 mil vagas se esgotar. Os corredores argumentam, e concordo com eles, que um preço justo para esta prova seria na faixa dos R$70.

reprodução de Twitter

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reprodução de Instagram

Podem participar corredores de rua maiores de 18 anos, de qualquer nível técnico desde que com a saúde em dia, que terão duas horas e quinze minutos para completar a prova. A largada do pelotão geral é dia 31/12/17 às 9h, mas como é uma multidão você pode demorar 20 minutos para conseguir cruzar a linha da largada. Por isso o horário previsto para acabar a corrida é 11h45.

Pipoca sem água

No ano passado a água acabou nos postos de hidratação da São Silvestre – são cinco no total. Nas três vezes que participei dessa emblemática corrida no último dia do ano – duas à tarde e uma de manhã –  a água era abundante, porém, “quente”.  O calor na Barra Funda é de matar qualquer um. É impossível correr por conta da multidão que forma verdadeiros paredões. Ou você é da elite e larga antes – para disputar a bolada em jogo-, ou você vai curtir com os amigos, sem pressa para encarar os 15k que finaliza com a subida da Brigadeiro.

A organização, assinada pela Yescom, diz que a causa da falta de água foram os “pipocas”. Em tempo, “pipoca” é quem vai correr sem ter feito a inscrição, uma alusão a quem não tem abadá no carnaval de Salvador e curti a festa da calçada. Além deles, no ano passado teve gente que correu mais cedo, para não perder o voo de volta pra casa, e quase atrapalhou a festa da elite e até corredores que tiraram cópia do número de peito do colega, para além de ir correr de graça ter direito a medalha de participação.  O caos foi tamanho que ouvi de alguns pipocas de carteirinha, que era tanta gente ”a mais” que se envergonharam por não terem pago a inscrição e que nunca mais vão pipocar na São Silvestre. Por outro lado, nas Redes Sociais muita gente promete “pipocar” como forma de protesto ao “valor abusivo da corrida”.

No regulamento consta que: “Não serão disponibilizados recursos extras para atletas que não estejam inscritos oficialmente (pipocas)”. Em entrevistas com organizadores de outras corridas eles contam que sempre reservam 30% a mais de água nos postos de hidratação para os “pipocas”. Ou seja, a probabilidade de faltar água novamente é bem grande já que não haverá essa reserva de segurança. Só se os “pipocas” sumirem de uma hora para outra, em um milagre de São Silvestre. Aliás, Silvestre foi o papa (314-335) que teve por missão organizar a vida da Igreja depois do decreto do imperador Constantino, que colocou fim à perseguição aos cristãos. Acho que chegou a hora da Confederação Brasileira de Atletismo chamar os organizadores das corridas de rua, atletas e donos das assessorias esportivas para juntos criarem uma legislação coerente com o momento atual.

Na prática, neste 31 de dezembro os “pipocas” não terão direito a usar a infraestrutura (postos de hidratação, serviço médico e banheiros químicos) e serão retirados da prova. Para fazer esse controle o corredor terá que colocar o número de peito na frente da camiseta, ou fantasia, bem visível, para não ser penalizado.

Haverá 5 postos com água, banheiro químico e médicos nos kms: 4; 7,3; 10; 12,3; e 14,5. Minha humilde sugestão já para o próximo ano é abrir a inscrição com um ano de antecedência, com valores inferiores, e criar um kit popular, como já tem na Maratona de Florianópolis, sem a camiseta da prova. Como é final do ano, os corredores preferem ir fantasiados ou com as camisetas das equipes.

Mudanças

A corrida é uma realização da Fundação Casper Líbero (TV Gazeta, Gazeta Esportiva, Faculdade Casper Líbero) com o apoio da Rede Globo/Yescom. No início era disputada à noite, o que dava o charme da festa de réveillon da capital paulista. O horário foi mudando até chegar ao atual – 9 da manhã. O percurso também sofreu várias alterações. O atual larga na Avenida Paulista, esquina com Augusta, e termina em frente à Fundação Casper Líbero, altura do número 900. Não desce mais a Consolação, mas sim a Pacaembu. E vamos combinar que nunca teve inscrição barata. Aliás é a prova mais cara da Yescom/Rede Globo, que este ano organiza 26 corridas de rua. A mais barata é a Cão Corrida, que será realizada no fim de semana que vem a R$25 a dupla (dono e cachorro), com a distância de 1,3km). Mesmo do Circuito da Track & Field há provas mais em conta, como a do Shopping de Teresina, que custa R$ 79. O kit de R$179 é o mais em conta da etapa no Shopping Cidade Jardim (SP), que tem também a distância de 15K. É o  Kit Atleta: com duas camisetas, canelito, toalha, meia necessarie e gym sac.

A São Silvestre abriu 30 mil inscrições, mesmo número de participantes da Maratona do Rio (somando os participantes da meia e da 6k). A prova carioca abriu as inscrições para 2018 em junho deste ano, o valor da inscrição é R$ 150 (a prova é dia 03/06/18). No kit de participação da São Silvestre contém: número de peito, camiseta do evento, medalha pós-participação, certificado eletrônico (após 60 dias da prova) e brinde (não especifica qual). Só este tipo de kit e a entrega será feita em durante quatro dias, em local e horário a ser divulgado em 30/11. O kit da Maratona do Rio tem, além de todos os itens da São Silvestre, uma viseira e uma revista com infos da prova.

Haverá premiação em dinheiro para os dez primeiros colocados, mas os valores serão divulgados dia 15 de dezembro. A premiação da Maratona do Rio do ano que vem já está detalhada no site desde junho – o primeiro lugar ganha R$ 20 mil, por exemplo. Aliás, no site da São Silvestre não consta nem a foto do kit…

A prova foi inspirada em uma corrida noturna parisiense, que Casper Líbero assistiu e quis replicar em São Paulo. A primeira foi restrita aos moradores da capital paulista e foi realizada à meia-noite de 31/12/1924. Os 48 participantes correram 8.8K e o campeão foi Alfredo Gomes, com o tempo de 23:10. Clique aqui para ler a história da prova.

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