Sonho realizado após 23 anos: correr uma maratona com a filha

Sonho realizado após 23 anos: correr uma maratona com a filha

Karen e Alberto Banach correram juntos na Maratona de Berlim

SILVIA HERRERA

02 de outubro de 2021 | 10h13

Há 31 anos, o empresário Alberto Banach estava bem acima do peso, ele engordou muito aguardando o nascimento da filha, que veio ao mundo em 16 de outubro de 1989. Assim que  Karen  nasceu, o pai decidiu mudar de hábitos e ter uma vida mais saudável, e começo a correr. Se tornou um maratonista dedicado, com 52 maratonas no currículo. E quando concluiu a primeira 42km, em 1997, teve um desejo: correr uma maratona no exterior daqui a 20 anos, ao lado da filha. Detalhe, ele mora em São Paulo, e ela em Tela Aviv. Muita água passou por debaixo dessa ponte e finalmente o dia de realizar o sonho chegou: 26 de setembro de 2021, na Maratona de Berlim, quando pai e filha correram lado a lado, felizes e emocionados do começo ao fim.

Alberto Banach mora em São Paulo e a filha em Israel

Alberto foi fisgado pelo bichinho da corrida de imediato. Logo já estava correndo maratonas e levava toda a família junto. A primeira maratona, em 1997, foi a de Nova York. “Após concluir minha primeira maratona, conversávamos no lobby do hotel sobre o futuro na corrida, cada participante falava seu próximo objetivo, uns diziam baixar o tempo para 3h30 minutos, outros correr a Maratona de Paris, fazer Iron Man. E eu disse que meu sonho era correr uma maratona com minha filha no exterior daqui a 20 anos,  pois já estaria bem na parte física, financeira,  e que teria um ótimo relacionamento pai e filha. Passados 20 anos chegamos a fazer uma meia-maratona eu, ela e meu outro filho,  no Rio de Janeiro. Ela passou a vida escutando isto”, conta.

“Difícil colocar em palavras o que significa tudo isso para mim. Desde pequenininha ouvia este sonho do meu pai. E durante muito tempo achei até muita responsabilidade, muita pressão ele colocar o sonho dele em cima de mim. Isso envolveria um monte de coisas para ser realizado. Na data sonhada, em 2017, nos corremos juntos nossa primeira meia-maratona, eu, meu pai e meu irmão, e foi uma grande realização. Para mim, tinha já realizado o sonho dele, só que de uma forma diferente. Mas o sonho dele não era a meia, era a maratona inteira”, conta Karen, que é gerente de marketing digital e mora em Israel há seis anos. “Foi preciso uma pandemia de coronavírus e vária pedras no caminho para no final conseguirmos, mas a trajetória para a realização deste sonho não foi fácil, mas chegamos até aqui juntos, e isto não tem preço. Cruzar a linha de chegada, segurando a mão dele, me fez curtir cada passo que eu dei para chegar até aqui. Realmente foi muito emocionante, um daqueles momentos que fazem a vida valer a pena”, afirma Karen.

Alberto e Karen cruzaram a linha de chegada em Berlim de mãos dadas. Foto: arquivo pessoal

A oportunidade da concretização deste sonho foi de repente. “Na verdade, só queríamos nos encontrar e, como a Alemanha ficou aberta tanto para Israel quanto para o Brasil, decidimos viajar para nos ver. E descobri que a Maratona de Berlim aconteceria e consegui arrumar duas inscrições para nós a menos de um mês da corrida”, conta Alberto.

Por sorte, durante a pandemia, a Karen passou três meses junto com o pai no litoral paulista, trabalhando em esquema home office. “Ficamos na Praia de Juquehy e começamos a correr todo dia juntos. Durante esses três meses em que ficou em nosso país, ela evoluiu bastante e, ao regressar para Israel, continuou a treinar em uma assessoria local”, explica Alberto, que está com 64 anos. No Brasil, eles correram juntos a meia-maratona da Comrades virtual. E depois, já em  Tel Aviv, ela correu a primeira maratona virtualmente em fevereiro deste ano. Ou seja, os dois estavam com o treinamento em dia, mas a preparação foi meia no improviso, mas para realizar um sonho desse calibre vale a pena qualquer sacrifício.

“Os preparativos específicos para esta maratona deixaram a desejar por causa do tempo escasso. Corremos ambos de forma regular no nosso cotidiano, eu numa média de 80 km semanais e ela, 50 km. Fizemos apenas dois longos: um de 26 km e um de 30 km. Nosso objetivo era apenas correr a maratona juntos”, acrescenta Alberto.  Karen treina com a comunidade Adidas Runners, em Israel,  e faz em média semanal de quatro treinos. E o pai treina todo dia: de 5 a 6 vezes na assessoria esportiva do do Nelson Evêncio,  durante a semana no Parque do Ibirapuera e no final de semana,  na USP ou na praia. Ele faz musculação nos outros dois dias.

Filha realiza o sonho do pai 23 anos depois

Para ele, se tornar um maratonista amador organizou rotina. “Passei a tirar férias duas vezes por ano para viajar e correr. A maratona é um evento em que o esforço durante é enorme, mas a recompensa vem no final. Nos ensina a sermos humildes, a respeitar nossos limites, pois caso contrário o preço a pagar é muito árduo e isto vale para o dia a dia. Maratona não é somente a linha de chegada, é o processo que vai desde o início do treinamento, que engloba preparo físico, e mental”, acrescenta.

PROTOCOLO SANITÁRIO EM BERLIM

Por conta da pandemia, todos os participantes da Maratona de Berlim tiveram que seguir o protocolo de segurança. “Levamos o teste de Covid negativo. E, mediante a apresentação deste, tivemos facilidade para locomoção, tanto na exposição quanto no dia da corrida. O protocolo desta maratona exigia máscara até o momento da largada e logo após cruzar a linha de chegada, aonde nos foi dada outra máscara para que fosse imediatamente colocada sobre o nariz e a boca. E após apresentação do teste de Covid recebemos uma pulseira que nos dava acesso a todos eventos relacionados à maratona. Me senti bastante seguro, e na minha opinião é um exemplo a ser seguido para temos muitas corridas no mundo”, afirma o maratonista mais feliz do mundo. E para ele completar as seis Maratonas Majors e ganhar a medalha especial falta apenas a de Tóquio. “A Maratona de Tóquio foi incluída por último, quando eu já tinha feito as outras cinco”, observa. Olha aí, que tal convidar a Karen para mais esta também?

 

 

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