Treinando com satélites

Treinando com satélites

Os 640 satélites Starlink podem ser vistos a olho nu de São Paulo

SILVIA HERRERA

15 de maio de 2020 | 10h38

Quando criança, corria me esconder debaixo do sofá para ouvir os adultos conversando sobre discos voadores, aliens, abduções. Ficava mais fascinada do que com medo. Eu mesma vi por quatro vezes luzes bem diferentes no céu, uma em vez em Peruíbe, litoral Sul de São Paulo, uma em Maresias, litoral norte, durante um luau um pouco suspeito; e duas agora, durante a quarentena, do quintal de casa mesmo – pulando corda – minha nova “corrida” – na companhia do meu filho.

Os satélites Starlink – reprodução de Instagram

O céu da capital paulista virou um atrativo e tanto sem a espessa camada de fumaça da poluição dos carros. É bem gostoso pular corda admirando as estrelas surgirem, logo após o pôr-do-sol. Mas no início da noite de 9 de abril quase que cai quando visualizei três estrelas que viam do Sul e  corriam na direção Norte, e teimavam em voltar, como imagens em looping das recepções de consultório médico. Ficaram uns dez minutos nesta brincadeira, às vezes mudavam a trajetória, davam zigue-zague, e sumiram. Ficamos perplexos.

Durante o evento, liguei para meu irmão, que adora filmes de ficção-científica e sonha em ver um óvni. Ele até se inscreveu para aquela viagem, sem passagem de volta, a Marte. E me mandou vários links de Instagram com eventos semelhantes com o que vi, só que no Chile e na Rússia. E até brincou comigo me mandando a foto abaixo, que ele montou no Photoshop para me assustar.

Imagem criada no Photoshop

Pesquisando descobri que nessa data, 9 de abril, aqueles novos satélites de WiFi poderiam ser vistos a olho nu. Os Starlink, do bilionário Elon Musk.   Segundo foi divulgado, seria um “cordão luminoso”. Dia 20 de abril lançaram mais 60 deles, com estes já são 420 orbitando,  a meta é cobrir a Terra inteira com 30 mil deles. No entanto, há muitos astrônomos contra por conta da luz emitidas por eles, que tem tudo para atrapalhar as pesquisas espaciais. De repente foi isso que vi… Mas, vai saber. Ou algo parecido com que viram em Magé (RJ).

Vinte dias depois, em 29 de abril, o Pentágono reconheceu serem óvnis os objetos de vídeos feitos pela marinha. Achei que não viveria para ser testemunha deste fato: os óvnis existem, estão por aí, e o governo norte-americano reconheceu. Agora só faltam mostrar o que tem na área 51! Podiam mostrar logo, durante a quarentena ninguém daria muita bola pra isso. Sei…

 

Um mês depois, no domingo 10 de maio, Dia das Mães, levantamos tarde e preparei um almoço a minha altura, para comemorar a data com meu filho: estrogonofe, arroz e  batata frita. E como sobremesa – manjar branco. Lá peças 17h fui para o quintal pegar os últimos raios de sol, tentar dar uma caminhada para fazer a digestão entre quatro paredes. E, olhando para o céu, um objeto um pouco mais alto do que um avião, tipo aquela nave alienígena do Vingadores – girando lentamente – quando batia o sol ela brilhava, na sombra ficava com meio vermelha, e sumia. Era um ponto no céu. Tentei fotografar de várias maneiras, mas minha Canon digital se rebelou. Ficou doida, não focava de jeito nenhum nem no manual. Só consegui fazer a primeira foto, com o objeto muito longe. O foco pegou no beiral do telhado. Ele ficou lá, de boa, girando lentamente, parecia que estava procurando algo. No princípio achei que se tratava de uma satélite em queda. Ainda bem que não era.

A foto está uma droga – segue abaixo – o objeto voador não identificado é uma coisinha brilhando no lado superior esquerdo. Parece uma manchinha.

Dê um zoom no canto superior esquerdo

Passou em seguida um avião e pude observa que estava bem mais alto do que ele. Depois passou um balão, daqueles de festa junina até bem grande. O objeto mudou de lugar. Os cachorros do bairro começaram a latir todos juntos, depois as maritacas que moram na árvore do vizinho saíram em revoada. O óvni sumiu. Depois voltou. Mudou de lugar. E sumiu de novo. Pasma. Corri para dentro de casa com meu filho, trancamos tudo. E fui pesquisar de novo, o cordão dos satélites do Musk passariam às 19h naquele mesmo dia. O dia batia, o horário e o formato, não. E antes que me perguntem: não bebi nada. Daqui um mês o cordão de satélites deve passar de novo, vou me programar para não perder.

Continuo a pular corda todo fim de tarde no quintal de olho no céu, na esperança de ver o próximo “evento”. Mas a Lua cheia maravilhosa e as estrelas já valem o esforço. Será que os aliens praticam corrida? O que será que fazem para se exercitar? Bem que podia ter uma corrida do ET de  Varginha, ou lá perto da área 51. Seria incrível, kit com camiseta com alien, sacolinha com led, e máscara com aliens. Aliás, acredito que as corridas pós-pandemia vão muda muito. Talvez as máscaras sejam incluídas na maioria dos kits.

O que ficou claro para mim desta experiência é que nós, humanos, estamos todos na mesma canoa, precisamos nos unir globalmente para vencer esta pandemia e dar sinais de inteligência para que outras espécies, mais inteligentes e desenvolvidas, queiram nos ajudar. É aquela velha história: temos que amar o próximo, pois se não cuidarmos dos outros ficando em casa, os hospitais lotam e nossa quarentena vai sendo postergada. Tudo que fazemos aos outros e ao nosso planeta impacta. É como numa maratona de revezamento, se cada um correr para a direção errada, sua equipe é desclassificada. Se todos se esforçam, treinam e fazem tudo certinho, correndo no percurso certo e não perdendo tempo para passar o bastão para o próximo da equipe, a chance de vitória é boa.

 

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