Vitória queniana com sabor brasileiro

Vitória queniana com sabor brasileiro

SILVIA HERRERA

01 de julho de 2017 | 10h30

O treinador dos campeões do Quênia das recentes maratonas do Rio, Porto Alegre e São Paulo (foto) é Luiz Antonio dos Santos, dono da Luasa Sports, equipe de Taubaté que investe no intercâmbio com esses fundistas desde 2007.

Nome de peso no mundo das maratonas, Luiz Antonio dos Santos foi bronze no Campeonato Mundial de Atletismo de Gotemburgo (1993 – 02:14:49), bicampeão da Maratona de Chicago (1993- 02:13:14 e 1994 – 02:11:16) e campeão da Maratona de Fukuoka (1995 – 02:09:30), entre outras. Estreou em maratonas com o pé direito em Blumenau (SC) em 1993, aos 29 anos, com o tempo de 02:12:15, quebrando o recorde sul-americano da distância à época. Seu nome, lavrado no asfalto com muito esforço, disciplina e dedicação, é referência internacional e sua equipe vem colecionando vitória atrás de vitória. Em todo pódio das maratonas e meias pelo Brasil afora tem alguém vestindo a camiseta da equipe Luasa (sigla para Luiz Antonio dos Santos).

Só entre abril e junho subiram no degrau mais alto do pódio na maratona do Rio, com Godfrey Kosgei (02:17:41); na de Porto Alegre, Elijah Chebonei (02:20:48)- foto abaixo; e em São Paulo, Paul Kimutai (02:17:56). Para contar sobre essas e outras vitórias conversamos com o super técnico brasileiro, que tem seu QG na cidade de Taubaté, no Vale do Paraíba paulista. Lá desenvolvem trabalhos de atletismo, em parceria com a prefeitura, desde a categoria infantil à adulta, e também treinos de corrida de rua para amadores.

Há dez anos trabalhando com os quenianos, Santos (foto acima de boné) organiza todos os detalhes, desde a vinda dos atletas, as competições e planeja os treinamentos junto com o grupo brasileiro. Geralmente eles ficam três meses por ano. Também realiza intercâmbio com fundistas paraguaios, argentinos e colombianos. No momento buscam parcerias com marcas esportivas para os calçados, por enquanto cada um compra o seu, e também para bancar as passagens aéreas para os atletas brasileiros irem treinar no Quênia, o que acontece frequentemente, mas que por conta da atual crise pode começar a rarear. #luasasinônimodevitória  #luasakenyabrasil  #corridaparatodos

Equipe Luasa na Maratona do Rio 2017

 

Luiz Antonio dos Santos no Quênia

 

CPT – Este ano deu Luasa em duas importantes maratonas brasileiras em seguida, a de Porto Alegre, com Chebonei, estreante nos 42k, e na do Rio, com Kosgey. Como foram os treinamentos dos dois?  

Luiz Antonio dos Santos – Na verdade, o Chebonei não fez um treino específico para maratona, apenas observei que com os trabalhos que eles fazem no Quênia mais os trabalhos que fizemos aqui daria para ele correr esta maratona e com muita chance de ser campeão. No entanto, teríamos de seguir alguns detalhes que seria importante para maratona.  Ele foi lá em Porto Alegre, seguiu todas as orientações e venceu sua primeira maratona.

CPT – Qual era o objetivo para essas duas provas?

Luiz Antonio dos Santos – Tentar vencer, nada mais. E conseguimos!

CPT – Como fazem para seguir um trabalho sem apoio e crescer a cada ano?

Luiz Antonio dos Santos – Com muito trabalho e acreditando no que fazemos. Com apoios seria ainda melhor.

CPT – Quais serão as próximas maratonas da Luasa para este ano?

Luiz Antonio dos Santos – Florianópolis, São Paulo, Paraguai e Foz de Iguaçu, entre outras.

CPT – Como é a rotina, alimentação, hospedagem?

Luiz Antonio dos Santos – Durante os treinos em Taubaté, os atletas ficam no alojamento da equipe e nas competições, hospedados em hotéis simples. Em Porto Alegre, por exemplo, nos hospedamos no Palácio. A alimentação é normal, não tem nada de diferente. Os treinos são em dois períodos, um de manhã, que começa às 6h30; e outro no fim da tarde, às 17h.

 CPT – E do seu time feminino, em quais atletas devemos ficar de olho?

Luiz Antonio dos Santos – Olha, da Luasa temos a vencedora da maratona do Rio, a queniana Ednah Mukhwana (02:38:30) e a paulista Maria Ferraz (5k e 10k – rua e pista); e a Filomena, que foi da Luasa e hoje está na Adidas. Ela vai representar o Quênia no mundial juvenil de atletismo em Nairóbi, em agosto.

CPT – E do masculino, quais são as apostas?

Luiz Antonio dos Santos – Temos o Kiprop Mutai, o William Kangogo, entre vários outros garotos que estão começando a aparecer.

 

“O ATLETA QUENIANO CONFIA

NO TÉCNICO E TRABALHA DURO”

 

CPT – Na sua visão de treinador, quais são as principais diferenças de treinar um queniano de um brasileiro? 

Luiz Antonio dos Santos –  Simples, é a visão diferente que eles têm do trabalho. O atleta queniano te escuta, confia no técnico e trabalha duro. Os brasileiros, com algumas exceções, não ouvem muito o treinador, querem resultado a curto prazo. Não têm paciência, não acreditam no trabalho, não vivem realmente uma vida de atleta…

CPT – Costuma incluir nos treinos a corrida descalça?

Luiz Antonio dos Santos – Só às vezes na pista, depois de algum treino rápido trotamos descalços na grama.

CPT – Com toda essa discussão sobre se é possível se correr uma maratona abaixo de 2 horas, quem o senhor acredita que seria capaz deste feito?

Luiz Antonio dos Santos – Difícil de falar pois a coisa não é tão fácil assim. Aliás, fica difícil de opinar por não saber de todo o propósito disso.

CPT –  O senhor continua com pace de 03:15?

Luiz Antonio dos Santos – Não mais, já estou com 53 anos e quase não corro.

CPT – Qual é a melhor lembrança da Maratona de Chicago, da qual foi bicampeão?

Luiz Antonio dos Santos – As duas me trazem lembranças diferentes. Uma por ser a primeira fora do País; e a segunda por me tornar bicampeão em uma disputa aonde teriam grandes campeões  ….

CPT – Qual foi sua vitória inesquecível?

Luiz Antonio dos Santos – Fukuoka Marathon, no Japão, aonde bati o recorde sul-americano da época. Ganhei a prova, fiz a minha melhor marca à época e bater um recorde!

CPT – Defina correr em uma palavra:   

Luiz Antonio dos Santos – Vida.

Confira como foi a chegada sensacional da Maratona de Fukuoka no vídeo abaixo:

 

 

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