Wings For Life World Run arrecada 3,5 milhões de euros

Wings For Life World Run arrecada 3,5 milhões de euros

SILVIA HERRERA

06 de maio de 2019 | 14h17

Cem por cento dos recursos são destinados às pesquisas  para a cura da lesão medular. No Brasil, a corrida de rua que não tem linha de chegada aconteceu no Rio neste domingo 5 de maio, com a presença de 5 mil pessoas, 32 delas cadeirantes. #corridabeneficente #wflworldrun

No total, participaram 120 mil pessoas, que juntas percorreram 1.3 milhão de quilômetros, em 300 locais diferentes (corridas e via app). Na Suíça, David Mzee, paciente de um dos estudos financiados pela Fundação que promove o evento, cruzou a largada caminhando após vários anos de tratamento. Ele conseguiu caminhar por 390 metros em 30 minutos, sob aplausos do público, na cidade de Zug, na Suíça, quando foi ultrapassado pelo carro.

David MZee/foto de Romina Amato/ Wings for Life World Run

Participei no Rio de Janeiro, sexta edição da prova por aqui e a segunda no Rio. Encontrei corredores inscritos na Wings já no avião, no hotel, nas ruas, na praia. A largada é ao mesmo tempo em todos os locais do mundo. Aqui foi às 8h, em frente ao Posto 12 no Leblon. O termômetro marcava 25 graus, mas a sensação era de cinco graus a mais. É uma prova singular, você correndo em prol de uma causa, sem compromisso com o tempo ou com recordes, o compromisso aqui é com a solidariedade. E quando vem chegando o carro é demais! Você tira energia sei lá de onde para tentar dar aquele sprint final. É uma corrida com um propósito – ajudar o próximo.

Fernando Fernandes é um dos embaixadores da prova

Os cadeirantes vão com suas cadeiras normais. O lance é participar, não competir. A ideia é que mais cadeirantes se animem em sair de casa e participar desta corrida, que na verdade é uma grande festa. Uma cadeira de competição custa cerca de R$ 9 mil, o que inviabilizaria a participação de grande parte dos cadeirantes. Sabrina Ferri, por exemplo, veio de Porto Alegre para participar. Ela viaja o mundo dando palestras divulgando esse problema tão sério. Também haviam mães e pais com os carrinhos de bebês, grávidas caminhando, centenas de caminhantes. Todos na mesma vibe de fazer o bem sem olhar a quem. O problema é sério. A lesão medular é democrática, qualquer um pode ter de uma hora para outra, basta sofrer um acidente.

A gaúcha Sabrina Ferri é uma grande defensora da causa

Claro que quem tem o bichinho da competitividade no sangue tem uma oportunidade e tanto de correr mais que qualquer outra pessoa, no mundo todo. A corrida só acaba quando o carro da organização te ultrapassa. Calculei que seria pega lá perto do Leme, consegui correr até um pouco mais. O carro me pegou na entrada do primeiro túnel. O principal obstáculo foi realmente o calor, mas pensando bem, tenho as duas pernas, ando, corro, que problema tem realmente o calor…. Nenhum.

A arena da dispersão foi colocada estrategicamente no KM11,5 – no Aterro do Flamengo. Funcionou bem. A maioria corre mesmo perto dos 10k. A medalha era linda. A próxima prova já está marcada para 3 de maio de 2020, as cidades ainda serão divulgadas. Pretendo repetir a dose. A energia desta prova é muito boa.

Andreas Strabner, campeão da Wings Rio

Campeões – Na categoria feminina, a polonesa Dominika Stelmach venceu a prova na capital carioca ao percorrer 53.56 km. De quebra, ficou em segundo lugar no ranking global, atrás apenas da russa Nina Zarina, que completou 53,72 km correndo na Suíça. No masculino, o alemão Andreas Strabner fez 61,25 km, faturou o troféu nacional e terminou em terceiro lugar no mundo. A diferença para o campeão global, o russo Ivan Motorin que correu na Turquia, foi de 3,13 km. Já na categoria de cadeirantes, João Victor de Castro foi o vencedor masculino ao percorrer 20 km, enquanto Adriana Oliveira conquistou o título da categoria feminina ao concluir a prova com 12 km. O melhor brasileiro foi Luis Barbosa, que correu 59.93km no Rio. E a melhor brasileira foi Letícia Saltori, chegou em 60º lugar, e percorreu 36,35km. Os pilotos do catcher car brasileiro foram: Enzo Celulari e o ator Felipe Titto

“Estava muito quente, mas foi muito bom correr por aqui. Planejei fazer 60 km e fiz até um pouco mais. Eu gostei demais do Rio, talvez seja a cidade mais legal do mundo”, analisou Strabner que, em 2018, conquistou o segundo lugar mundial na prova e foi o vencedor em Munique, podendo escolher a cidade em que correria este ano. Concordo com ele. A paisagem carioca sempre te dá um gás a mais.

Criada em 2014 pela Red Bull, a Wings for Life World Run já reuniu mais de 550 mil corredores de 193 nacionalidades, que juntos percorreram mais de 5,5 milhões de quilômetros. Desde então, já foram arrecadados € 23,6 milhões, totalmente destinados às pesquisas em prol da cura de lesão medular. No Brasil, Florianópolis (SC) foi a primeira cidade a receber a prova, que na sequência passou por Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ).

Confira como foi a corrida:

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