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Yannick Agnel, um idealista veloz

Estadão Esportes

31 de julho de 2012 | 15h38

Yannick Agnel não é apenas um nadador se desloca com muita rapidez. O francês, que venceu a disputadíssima prova dos 200m livre em Londres, é também um sujeito que enxerga longe.

Estuda oceanografia, gosta de filosofia e começou a estudar russo. Tem convicções e não adere a modismos. Assim, no Campeonato Francês de 2009, em Montpellier, seus adversários apareceram trajando os supermaiôs, que ajudaram muita gente a quebrar recordes inalcançáveis por aqueles que usavam apenas sunga.

E Agnel, aos 17 anos,  subiu no seu bloco de partida com sua simples, barata e despojada sunga têxtil. Sua atitude causou estranheza, mas ele expôs argumentos bastante razoáveis. “Isto (nadar com esses trajes) não é natação. Um dia esses trajes serão proibidos, e a natação voltará a sua origem”.

Demorou um pouco, mas os supertrajes, que estavam encarecendo a natação, e criando vantagens para aqueles que tinham contratos com marcas capazes de lhes oferecer os modelos mais avançados, foram banidos pela Federação Internacional de Natação.

Benoît Lallement, o jornalista que cobre natação para o L’Equipe, acredita que essa teimosia acabou resultando numa posição vantajosa a Agnel. Quando a Fina baixou a determinação de retirar os supermaiôs da natação, o rebelde não teve que se readaptar.

E deu no que deu: Agnel, nesta segunda-feira, liderou de borda a borda, vencendo com 1min43s14. Ryan Lochte, considerado favorito ao ouro, nem ao pódio subiu. Ficou em quarto, com o tempo de 1min45s04. A prata foi dividida por dois asiáticos: Sun Yang, da China, e Park Taehwan, da Coreia do Sul.

(Alessandro Lucchetti)

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