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Aidar e a guerra fria com Rogério

Fernando Faro

23 de novembro de 2014 | 17h00

Carlos Miguel Aidar não gostaria que Rogério Ceni continuasse jogando em 2015. O presidente escolhe as palavras para não ter contra si a fúria da torcida, que faz campanha aberta pela renovação do goleiro e começa a vê-lo dar sinais claros de que está repensando a ideia, mas não fará o menor esforço para demovê-lo da ideia. Pelo contrário; sempre que puder, indicará sua preferência pela aposentadoria.

Nos bastidores, o presidente não esconde que acha que a presença de Ceni inibe os mais jovens e impede o nascimento de novas lideranças. O problema, em sua concepção, não é a parte técnica, onde Ceni continua surpreendentemente bem apesar dos 41 anos. Trocando em miúdos, o goleiro seria hoje uma influência negativa sobre os demais.

O dirigente já tinha aconselhado Juvenal Juvêncio a não renovar o vínculo no ano passado, mas o ex-presidente ignorou e sabia que convencê-lo a atuar mais um ano seria uma vitória política num fim de mandato desgastado. Juvenal (que tem relação distante com o goleiro) mandou um contrato em branco para Rogério para demonstrar seu compromisso e conseguiu o que queria.

A última coisa que Aidar fará é repetir o gesto do antecessor. A estratégia é mostrar que Rogério não será tão bem-vindo caso decida permanecer e, dessa forma, demovê-lo da ideia. A entrevista ao Esporte Espetacular foi a primeira vez em que o presidente torna pública a estratégia que vem usando nos bastidores. Ao programa, disse que “nem sempre a decisão sob emoção é a decisão correta. É preciso refletir com calma e ver o que é melhor para as duas partes, para o atleta e para o clube”.

Apesar de tudo, caso Rogério decida mesmo jogar em 2015 – cenário já tratado como realidade, como explica matéria recente do Estado – é muito difícil que Aidar compre uma briga desse tamanho com a torcida e ficará isolado politicamente, já que ninguém irá se indispor com os são-paulinos embora Ceni esteja longe de ser dentro do clube a unanimidade que é para os torcedores. O presidente sabe que corre o risco de frear os avanços conseguidos em sua gestão.

Falta pouco para o fim da temporada e Rogério mantém seu silêncio sepulcral sobre o tema. Enquanto isso, será bombardeado para esquecer uma nova prorrogação de carreira.

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