Boletins da Euro 2012. Quem passou de ano?

emanuel

03 de julho de 2012 | 10h51

spain_Kai_Pfaffenbach_620reuters.jpg
Seleção campeã levou nota 9 (Foto: Reuters)

Por Leonardo Bertozzi, comentarista da Rádio Estadão ESPN e dos canais ESPN

Terminada a Euro 2012, como ficam os boletins das 16 seleções participantes? O blog experimentou dar notas a cada uma. Veja quem passa de ano e quem fica em recuperação.

ESPANHA – 9
Só não fica com a nota máxima por não ter exibido ao longo da competição o futebol empolgante da final contra a Itália. A geração de Xavi, Iniesta, Casillas e seus companheiros fez história com o terceiro título consecutivo em uma grande competição, com um fato em comum entre elas: nunca levou gol nos jogos de mata-mata. Apesar de ausências importantes, como Puyol e Villa, e de sofrer em determinados momentos do torneio, o time de Vicente del Bosque solidificou seu lugar entre os grandes da história.
Passa de ano: Iniesta, genial com a bola nos pés e eleito o melhor jogador da competição.
Fica em recuperação: Negredo, que teve a chance de ser titular na semifinal e desapontou.

ITÁLIA – 8,5
Nota alta para a Itália após recuperar o prestígio abalado pelo fiasco na África do Sul em 2010. Em dois anos, Cesare Prandelli montou um time que contraria os velhos clichês sobre a vocação defensiva do futebol italiano, não por não saber defender, mas por gostar de ter a bola nos pés e agredir o adversário. As boas atuações ao longo do torneio, culminando na vitória sobre a Alemanha nas semifinais, fizeram com que o torcedor aplaudisse o time na volta para casa mesmo com a goleada sofrida na final. Deixa boa base para a Copa do Mundo de 2014.
Passa de ano: Pirlo, maestro da campanha com a precisão de seus passes e lançamentos.
Fica em recuperação: Marchisio, apagado e tímido se comparado à temporada que fez pela Juventus.

PORTUGAL – 8
Depois de um início preocupante nas eliminatórias, Portugal mexeu no comando e cresceu com a chegada de Paulo Bento, que organizou o time e conquistou a classificação na repescagem. Sorteada no “grupo da morte” do torneio, a equipe das Quinas selou a classificação com vitórias sobre Dinamarca e Holanda, após a derrota para os alemães na estreia. Cristiano Ronaldo, que falhou contra os dinamarqueses, se recuperou com atuações brilhantes contra a Holanda e a República Tcheca, já nas quartas-de-final. Na semifinal contra a Espanha, Portugal fez um grande jogo e foi melhor durante a maior parte do tempo, mas sucumbiu nos pênaltis. Saldo positivo para quem tem quatro semifinais nos últimos sete torneios disputados.
Passa de ano: João Moutinho. Destaque do meio-campo português, aliou poder de marcação e chegada ao ataque, mostrando que o time não precisa depender só de Ronaldo.
Fica em recuperação: Hélder Postiga. Tudo bem, não é culpa dele ser a melhor opção de centroavante para Portugal. Mas…

ALEMANHA – 7
Ter uma geração brilhante de jogadores e mostrar um futebol envolvente, mas cair na hora de brigar pelo título. Tempos atrás, parecia impossível aplicar este roteiro à Alemanha. Agora, virou rotina. O que não é novidade é a eliminação contra a Itália, sua algoz histórica, depois de ser a única seleção a vencer os quatro primeiros jogos nesta edição do torneio. Joachim Löw usou com inteligência seu bom elenco durante a maior parte da campanha, mas sua decisão de escalar um time mais preocupado em marcar Pirlo não funcionou diante dos italianos, minando sua força ofensiva.
Passa de ano: Khedira, que fez grande torneio no meio-campo, ofuscando até o mais badalado Schwensteinger.
Fica em recuperação: Podolski, normalmente rotulado “jogador de seleção”, desta vez não foi capaz de fazer a diferença.

FRANÇA – 5
A França chegou à Eurocopa ameaçando se colocar no rol das favoritas, com uma longa invencibilidade e atuações convincentes nos amistosos. Quando o torneio começou, porém, os comandados de Laurent Blanc ficaram longe de mostrar suas credenciais dentro de campo. A derrota para uma eliminada Suécia mandou a equipe para cima da Espanha nas quartas-de-final. No jogo contra os campeões, impressionou a inércia demonstrada diante da desvantagem no placar. Para piorar, o time voltou a sofrer com um vestiário rachado e Blanc não renovou seu contrato que expirou no fim da competição.
Passa de ano: Cabaye, volante que repetiu o futebol da ótima temporada pelo Newcastle.
Fica em recuperação: Nasri, que após marcar contra a Inglaterra se preocupou mais em bater boca com jornalistas do que jogar.

INGLATERRA – 6
Os ingleses passam de ano porque as expectativas para a Eurocopa eram as piores possíveis. Com um técnico que assumiu um mês antes do torneio e vários desfalques por contusão (além de não ter Rooney nos dois primeiros jogos por suspensão), o English Team era cotado para cair na primeira fase. Jogando de forma compacta na defesa em um ortodoxo 4-4-2, à moda de Roy Hodgson, a equipe conseguiu passar com a liderança do grupo e levar o difícil jogo com a Itália para os pênaltis. Então, prevaleceu o péssimo histórico do país neste tipo de decisão.
Passa de ano: Hart, goleiro que chegou para acabar com a tradição inglesa de calamidades no setor.
Fica em recuperação: Young, decepcionante do começo ao fim, constantemente o pior dos titulares.

REPÚBLICA TCHECA – 6
Mesmo com uma seleção sem os talentos de outrora, a República Tcheca conseguiu avançar em primeiro lugar no grupo, recuperando-se da goleada de 4 a 1 sofrida para a Rússia na estreia graças às vitórias sobre Grécia e Polônia. Talvez tenha sido a seleção mais fraca a superar a fase de grupos em todas as Eurocopas – o que, de certa forma, aumenta o mérito da classificação, arrancada mesmo com o desfalque de Rosicky no jogo contra os poloneses.
Passa de ano: Gebre Selassie, lateral cujas atuações lhe valeram uma transferência para o Werder Bremen.
Fica em recuperação: Baros, oito anos após ser artilheiro da Euro 2004, parecia um ex-jogador em atividade.

GRÉCIA – 6,5
Uma seleção com a mesma filosofia defensiva do título de 2004, mas sem a mesma competência, usou de muita garra para arrancar uma inesperada classificação contra a Rússia na última rodada. A fibra grega ainda permitiu um breve susto à Alemanha no início do segundo tempo, buscando o empate por 1 a 1 antes de acabar perdendo por 4 a 2. Futebol que não se notabiliza pela qualidade com a bola, mas impressiona pelo coração.
Passa de ano: Karagounis, remanescente da histórica conquista, fez o gol mais importante da campanha.
Fica em recuperação: Holebas, que perdeu o lugar no time após deixar uma avenida pela lateral-esquerda nos dois primeiros jogos.

RÚSSIA – 4,5
Favorita para avançar em um grupo fraco e responsável por uma bela atuação nos 4 a 1 sobre a República Tcheca na estreia, a Rússia conseguiu a proeza de ser eliminada. Qualidade técnica não era problema no elenco de Dick Advocaat, mas só isso não basta para formar um time vitorioso. Precisando apenas de um empate contra a Grécia para avançar, acabou derrotada com uma incrível exibição de apatia. Problema para o próximo técnico resolver, já que Advocaat estava de malas prontas para o PSV desde antes do torneio.
Passa de ano: Dzagoev, que há tempos luta para se livrar do rótulo de promessa e acabou entre os artilheiros do torneio.
Fica em recuperação: Kerzhakov, que perdeu gols de todas as maneiras possíveis e imagináveis.

POLÔNIA – 5
O fator campo, um grupo longe de ser complicado e a presença do trio de campeões alemães pelo Borussia Dortmund (Piszczek, Kuba e Lewandowski) eram razões para a Polônia acreditar na classificação. O time começava bem as partidas, mas normalmente perdia rendimento após a primeira meia hora. Deixou de vencer a Grécia quando tinha um jogador a mais, e acabou eliminada por uma República Tcheca que não assustava ninguém.
Passa de ano: Piszczek, lateral-direito que confirmou as boas impressões deixadas na temporada alemã.
Fica em recuperação: Szczesny, que foi expulso na estreia, viu Tyton defender um pênalti e acabar como titular no gol.

HOLANDA – 3,5
Vice-campeã mundial e eliminada com três derrotas. A Oranje foi uma bomba-relógio durante a Eurocopa, com um ambiente de dar inveja à tumultuada seleção de 1996. Van der Vaart e Huntelaar reclamaram abertamente da condição de reservas e levaram uma dura, também publicamente, de Sneijder. Robben e Van Persie foram decepções e o técnico Bert van Marwijk, que escalou uma formação kamikaze contra Portugal na última rodada, pagou o pato. Ele deixou o cargo após a participação no torneio.
Passa de ano: Sneijder, que veio de temporada fraca na Inter, cansou de criar chances para os colegas desperdiçarem.
Fica em recuperação: Van Persie, o goleador da Premier League, se esqueceu de calibrar o pé e abusou de errar finalizações.

DINAMARCA – 5,5
A eliminação na primeira fase não pode ser considerada um fracasso, em virtude do grupo. A inesperada vitória sobre a Holanda na estreia chegou até a alimentar as esperanças, mas a derrota para Portugal, num jogo em que chegou a igualar uma desvantagem de dois gols, minou as possibilidades do time de Morten Olsen.
Passa de ano: Krohn-Dehli, que criou e fez gols, mostrou estar pronto para o salto do Brondby para uma liga maior.
Fica em recuperação: Eriksen, meia do Ajax, nunca esteve à altura da fama criada.

CROÁCIA – 6
Os croatas passam de ano mesmo sem chegar às quartas-de-final. Além de mostrar versatilidade tática sob o comando de Slaven Bilic, a equipe só ficou atrás das duas finalistas do torneio no grupo. Com um pouco mais de sorte, poderia até se classificar no último jogo da chave, contra a Espanha, quando Rakitic parou em uma defesaça de Casillas com o placar ainda em 0 a 0. A saída de Bilic para dirigir o Lokomotiv Moscou é um problema.
Passa de ano: Mandzukic, três gols em três jogos e novo reforço do Bayern de Munique.
Fica em recuperação: Eduardo da Silva, com a boa fase do titular, praticamente não viu a bola no torneio.

IRLANDA – 4
Para uma equipe que se notabilizou pela retranca bem montada ao longo das eliminatórias, o desempenho na Eurocopa foi decepcionante. Croácia e Espanha furaram o bloqueio logo nos primeiros minutos das partidas, vencendo com facilidade e eliminando o time de Giovanni Trapattoni por antecipação.
Passa de ano: A torcida, que deu espetáculo em todos os jogos.
Fica em recuperação: Given, goleiro experiente, que podia ter feito melhor nos gols sofridos.

UCRÂNIA – 5,5
A Ucrânia era a seleção mais fraca do grupo, e mesmo jogando em casa era difícil projetar uma vitória. Ela veio logo na estreia, em uma noite especial para Shevchenko, autor dos dois gols da virada sobre a Suécia em seu canto do cisne pela seleção. Depois de perder para a França, o time teve até um início promissor contra a Inglaterra, mas acabou derrotado e fora das quartas-de-final. Nada diferente do esperado.
Passa de ano: Shevchenko, referência de uma geração e responsável pela única vitória.
Fica em recuperação: Milevsky, eterna promessa.

SUÉCIA – 4,5
Quando venceu a França, já não adiantava mais nada. Perder para uma seleção inferior na estreia e cair de virada para a Inglaterra foram acontecimentos que renegaram a tradição sueca de fazer jogo duro nas grandes competições. O técnico Erik Hamrén foi confuso nas escalações, e o time pagou caro em campo.
Passa de ano: Ibrahimovic não conseguiu carregar o time nas costas, mas jogou bem e fez o gol mais bonito da Euro.
Fica em recuperação: Toivonen, atacante do PSV, foi figura perdida em campo e parecia em outra dimensão.

Tudo o que sabemos sobre:

analiseeurocopaseleções

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.