Da Mooca à Itália, Thiago Motta coloca o Brasil na 3ª final de Euro seguida, mas avisa: ‘Espanha é favorita’

emanuel

29 de junho de 2012 | 14h53

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(Foto: Gregorio Borgia/AP)

Por Tiago Leme, de Varsóvia (POL), para o ESPN.com.br

Pelo terceiro ano seguido o Brasil tem um representante na final da Eurocopa. Desta vez, o volante Thiago Motta é quem veste a camisa da Itália na busca pelo título continental, neste domingo, diante da Espanha, em Kiev, na Ucrânia. Antes, Deco foi derrotado com Portugal na decisão contra a Grécia em 2004 e Marcos Senna conquistou a taça com a seleção espanhola em 2008 sobre a Alemanha, que tinha Kuranyi no elenco.

Thiago Motta estreou pela Azzurra em fevereiro de 2011, em um amistoso contra a Alemanha que terminou empatado por 1 a 1. Um ano antes, ele havia recebido a autorização da Fifa para defender a Itália, em uma decisão inédita da entidade. Isso porque o jogador já havia atuado pela seleção brasileira sub-23 em duas partidas na Copa Ouro de 2003, quando a equipe perdeu a decisão para o México.

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Agora, aos 29 anos, Thiago Motta tem sido presença constante nas convocações do técnico Cesare Prandelli e está disputando o seu primeiro grande torneio pelo “novo” país. Até agora, o volante participou de 12 jogos e fez um gol pela Azzurra, marcado nas eliminatórias da Euro-2012, na vitória sobre a Eslovênia, por 1 a 0, fora de casa, em março de 2011.

Bisneto de italianos, Thiago Motta é nascido em São Bernardo do Campo-SP, era torcedor do Palmeiras na infância e chegou a fazer testes nas categorias de base do clube alviverde, mas não foi aprovado. Na adolescência começou jogando no Clube Atlético Ypiranga, mas foi no Juventus, da Mooca, tradicional bairro de ocupação italiana em São Paulo, onde deu o primeiro grande impulso em sua carreira, entre 1997 e 1999. Foi jogando lá que ele recebeu a primeira convocação para a seleção brasileira sub-17, para o torneio de Toulon, na França, onde despertou a atenção de olheiros do Barcelona.

“O Juventus é um time que eu joguei por muito tempo quando eu era pequeno. Neste momento tenho que agradecer as pessoas que trabalharam comigo ali, eles foram muito importante para o meu futuro”, disse Thiago.

Depois disso, foi contratado pelo Barcelona em 1999, passou pelo time B e fez a primeira partida pela equipe principal em 2001. Teve bons momentos como titular, outros mais apagados na reserva, mas atuou ao lado de craques no time que contava com Ronaldinho Gaúcho na época, tendo conquistado dois Campeonatos Espanhóis, uma Supercopa da Espanha e a Champions League de 2006, apesar de ter ficado no banco na final.

Em 2007 foi para o Atlético de Madri e também teve uma passagem pelo Genoa, onde se destacou pela primeira vez na Itália e acabou conseguindo a transferência para a Inter de Milão. Ficou lá por duas temporadas, entre 2009 e 2011, teve bom desempenho sob o comando do técnico português José Mourinho e foi campeão de seis torneios: Mundial de Clubes e Champions League de 2010, além de um Italiano, duas Copas da Itália e uma Supercopa da Itália. Desde o início deste ano está jogando pelo Paris Saint-Germain, da França.

Espanha favorita – Logo após a vitória italiana sobre a Alemanha, por 2 a 0, com dois gols de Balotelli, nesta quinta-feira em Varsóvia, Thiago Motta já tratou de jogar o favoritismo para o lado espanhol na decisão de domingo. Segundo ele, o futebol que a atual campeã da Eurocopa vem apresentando nos últimos anos credencia o time como principal candidato ao título.

“A Espanha vem demonstrando o melhor futebol até agora. Não de agora, há quatro anos. É um time que ganhou tudo, há quatro anos vem ganhando e não seria correto eu dizer que não há favorito. Eles demonstraram isso dentro de campo. Temos que ter humildade de reconhecer e ter força para entrar domingo com vontade de demonstrar que o time é capaz”, afirmou o ítalo-brasileiro.

Titular nos três jogos da Itália na primeira fase desta Eurocopa, Thiago Motta acabou indo para a reserva nas quartas e na semifinal. Diante da Alemanha, ele entrou em campo na segunda etapa na vaga de Montolivo. Apesar de a presença da Azzurra na final ser surpreendente para alguns, Thiago Motta conta que o elenco sabia que tinha condições de ter um bom desempenho no torneio na Polônia e na Ucrânia.

“Desde o início sabíamos que era possível, que tínhamos um grupo capaz de chegar. Mas ainda não ganhamos nada. Vamos ver se domingo conseguimos completar esse torneio com alegria e com a felicidade de ser campeão”, disse o volante, que ainda comentou sobre o triunfo diante dos alemães, que estavam com 100% de aproveitamento na competição até então.

“O jogo foi um espetáculo bonito, entre duas grandes seleções. A Alemanha era considerada favorita, mas a Itália demonstrou dentro de campo que mereceu passar para a final”.

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