Espanha faz 4 a 0 na Itália, é tricampeã da Euro, e geração faz história

lucianoborborema

01 de julho de 2012 | 18h05

Estadão ESPN foi a única rádio do Brasil que transmitiu a competição

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Espanha levanta a taça da Euro 2012. (AP)

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Por Tiago Leme, de Kiev (UCR)

Quatro anos de domínio absoluto no futebol europeu e mundial. Está ficando chato é para os adversários. A Espanha calou os críticos, atropelou, mostrou sua força mais uma vez e venceu a Itália com facilidade, por 4 a 0, neste domingo, no estádio Olímpico de Kiev, na Ucrânia, sagrando-se campeã da Eurocopa pela terceira vez na história. David Silva, Jordi Alba, Fernando Torres e Juan Mata fizeram os gols na Fúria, que repetiu as conquistas de 1964 e 2008.

A geração atual espanhola ainda entrou para a história ao conseguir uma marca inédita. Nunca nenhuma seleção tinha vencido três grandes torneio seguidos, e a Espanha faturou a Euro de 2008, a Copa do Mundo de 2010 e agora a Euro de 2012.

Apesar do equilíbrio na posse de bola (52% a 48% para a Espanha) e nas finalizações (14 a 11 para a Espanha) durante o duelo deste domingo, a Espanha foi bem superior à Itália em campo, demonstrou quaidade novamente. Mais objetiva, mais entrosada e mais efetiva, a Fúria deu poucas chances aos guerreiros italianos, que cresceram durante a competição até chegarem à decisão, mas não puderam enfrentar os espanhóis de igual para igual. De quebra, os campeões ainda deram a reposta a quem críticou dizendo que o time apresentava um futebol chato.

David Silva e Jordi Alba balançaram as redes no primeiro tempo, e Fernando Torres e Juan Mata, que saíram do banco de reservas, completaram a goleada na segunda etapa, quando o jogo já estava praticamente decidido. Apesar de a base da equipe ser formada por jogadores de Barcelona e Real Madrid, foram quatro gols marcados por atletas de outras equipes: Silva (Manchester City), Alba (Valencia, contratado pel Barça para a próxima temporada), Torres e Mata (ambos do Chelsea).

E Espanha termina a Euro-2012 com quatro vitórias e dois empates, com 12 gols marcados e apenas um sofrido. O time não toma um gol em fase de mata-mata das principais competições desde a Copa do Mundo de 2006.

O jogo

Pela terceira vez nesta Eurocopa, o técnico Vicente Del Bosque armou a Espanha sem um centroavante de ofício, com o meia Fábregas atuando mais avançado e fazendo a função de “falso” número nove. Na Itália, Cesare Prandelli não fez surpresas e repetiu a escalação que eliminou a Alemanha na semifinal.

Em um duelo bastante equilibrado, a seleção italiana conseguiu igualar o tempo de posse de bola do adversário. As duas equipes também tiveram praticamente o mesmo número de finalizações, mas a Fúria foi mais eficiente. Desta vez demonstrando objetividade e indo para cima, o toque de bola rápido no meio-campo espanhol envolveu os italianos. Na primeira oportunidade, Fábregas errou o alvo no chute.

Na segunda chance, Iniesta enfiou a bola na área para Fábregas, que ganhou a jogada de Chiellini e cruzou para trás. David Silva apareceu e cabeceou para as redes, abrindo o placar para a Espanha, aos 14 minutos do primeiro tempo, para a festa da maioria de torcedores espanhóis presentes no estádio.

Logo depois, Chiellini voltou a sentir um problema muscular na coxa e foi substituído por Balzaretti. A Itália não se intimidou com o gol sofrido e levou perigo no ataque. Cassano obrigou Casillas a fazer grande defesa, e depois o goleiro espanhol conseguiu sair do gol e evitar que a bola chegasse na cabeça de Balotelli.

Então, aos 41 minutos, a eficiência ofensiva da Espanha deixou a equipe bem próxima da taça ainda antes do intervalo. Xavi fez lançamento perfeito para o lateral Jordi Alba, que tocou com traquilidade na saída de Buffon: 2 a 0.

Casillas ainda fez uma outra boa defesa em finalização de Montolivo, mas a Azzurra foi para os vestiários com uma missão dificílima.

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Jordi Alba marcou o 2º gol do jogo. (AP) 

Na segunda etapa, Prandelli mexeu no ataque, trocou Cassano por Di Natale, e o panorama do jogo continuou parecido. À frente do placar, a Espanha soube tocar a bola, agredir quando preciso e mais uma vez mostrou uma defesa sólida. Os espanhóis ainda pediram um pênalti após uma cabeçada de Piqué, em um lance que a bola bateu na mão de Bonucci dentro da área, mas a arbitragem nada apitou. A Itália respondeu com um chute de Di Natale, mas Casillas novamente fez a sua parte.

À medidade que o tempo passava, os gritos de “Ucrânia”, “Polônia” e “Rússia”, em uma festa globalizada no estádio Olímpico de Kiev, deram lugar aos cantos dos torcedores espanhóis. Do outro lado, o pequeno número de italianos parecia não ter mais força para acreditar em uma reação da equipe.

Thiago Motta ainda entrou no lugar de Montolivo, mas ficou menos de três minutos no gramado após sentir uma lesão muscular na coxa, deixando a Itália com dez homens em campo, já que as três substituições tinha sido feitas. Na seleção espanhola, Pedro Rodrígues, Fernando Torres e Juan Mata entraram nos lugares de David Silva, Fábregas e Iniesta.

Daí em diante, a Espanha ficou mais tempo no campo de ataque, mas criou pouco. Nem precisava, a Fúria esperou o relógio. Antes do apito final, ainda houve espaço para mais dois gols. Aos 39 minutos, Torres deixou o dele após receber lançamento de Xavi. Aos 44, foi a vez de Mata aproveitar passe de Torres e decretar a goleada: 4 a 0.

Festa da massa vermelha em Kiev, que cantou nas arquibanacadas o nomes dos ídolos da equipe. Mais um título para esta geração espanhola, e história feita: Espanha tricampeã da Eurocopa.

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