Anderson Silva luta no UFC 208 para provar que ainda pode ser campeão

Rival de nível mediano, Derek Brunson nos dará o parâmetro do que o "Spider" ainda pode fazer no Ultimate

Fernando Arbex

10 Fevereiro 2017 | 17h06

Anderson Silva fará neste sábado sua 43ª luta de uma carreira cada vez mais próxima do final. O ex-campeão peso médio do UFC entrará no octógono desta vez contra Derek Brunson, um atleta promissor e capaz de dar trabalho ao brasileiro, mas sem grande cartaz e que vem de derrota. Spider, por sua vez, não vence desde outubro de 2012 e precisa provar que ainda é um potencial desafiante ao título da categoria.

Crédito: UFC/Facebook/Reprodução

Crédito: UFC/Facebook/Reprodução

A política do Ultimate para escolher desafiantes ao cinturão é clara e pouca gente se encaixa mais nela do que Anderson: ex-campeão, popular em seu país e vende pay-per-view nos Estados Unidos. Os requisitos comerciais já foram atendidos, falta a ele conquistar pelo menos uma vitória – para ser sincero, um triunfo sobre Brunson não deveria ser suficiente para credenciar alguém a uma luta por título, mas não seria surpresa se acontecesse.

A última mostra do “Spider” em ação nos deixa pouco parâmetro para analisar sua atual capacidade, uma vez que ele aceitou em cima da hora um embate contra Daniel Cormier, o campeão meio-pesado do UFC. “DC” é mais forte do que qualquer peso médio e tem um estilo de luta que complica para o brasileiro porque é um wrestler do mais alto nível no MMA. Porém, o leitor mais atento dirá: “Mas o Brunson também é wrestler”.

A afirmação está correta, mas foi-se o tempo em que qualquer bom derrubador conseguia colocar o Anderson de costas para o chão (notem no vídeo abaixo como ele usa bem a grade para se defender). Cormier, Chris Weidman e Chael Sonnen conseguiram porque têm técnica apurada e experiências de sucesso em eventos de grande porte, enquanto Brunson perdeu para Robert Whittaker no único combate de grande porte fez no Ultimate. Não só isso, nenhum dos três foi afoito em suas tentativas de queda, defeito que Brunson ainda não conseguiu eliminar de seu jogo.

A análise apenas técnica dos dois adversários dá ampla vantagem a Anderson. Dá pra imaginar que o brasileiro comece circulando bastante, acerte alguns chutes na perna do rival, abaixe a guarda e fique de costas para grade, posição em que ele se sente confortável para defender quedas. Se morder a isca e repetir erros do passado, Brunson deixará o queixo exposto para um contra-ataque decisivo.

Brunson faz o estilo “boi louco”

Esse é o cenário mais provável, mas há variáveis. O “Spider” já sofreu knockdowns de wrestlers por se preocupar muito em defender quedas – Brunson não é um especialista no jogo em pé, mas Sonnen também não era. O norte-americano é muito forte e capaz de aplicar quedas, embora eu não aprove seu estilo “boi louco” porque o deixa muito exposto. Também deve-se ponderar que é normal que Anderson caia de rendimento aos 41 anos. Michael Bisping sempre foi conhecido por ter mãos de pantufa e isso não o impediu de derrubar o brasileiro com um soco.

Sonnen não deu muitos knockdowns na carreira, mas Anderson estava preocupado com as quedas

Não há como impedir o declínio físico, mas o “Spider” tem outras lições a tirar da luta contra o inglês. Faltou aos treinadores dele dizerem que um ou dois golpes plásticos por round poderiam não ser suficientes para lhe garantir a vitória. Faltou volume e senso de urgência e, mais do que tudo, faltou alguém que o brasileiro respeitasse para falar grosso com ele entre um round e outro. Se entrar focado, conseguir um nocaute no sábado e fizer um pedido público para lutar pelo cinturão, Anderson pode furar a fila e se tornar o próximo desafiante ao título.

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