Anthony Johnson atropela Gustafsson e mira Jon Jones

Anthony Johnson atropela Gustafsson e mira Jon Jones

"Rumble" não tomou conhecimento do rival sueco e será o próximo desafiante ao título de "Bones"

Fernando Arbex

25 de janeiro de 2015 | 21h20

O “trem-bala” Anthony Johnson passou por cima Alexander Gustafsson no sábado, 24, e conquistou o direito de desafiar Jon Jones pelo título da categoria dos meio-pesados do Ultimate. Na luta principal do UFC on Fox 14, o norte-americano foi capaz de cortar os espaços do octógono para sufocar seu adversário e vencê-lo por nocaute técnico no primeiro round. Se no meu último post eu disse não estar entusiasmado com um possível confronto entre Jones e Johnson, o recente evento em Estocolmo mudou essa minha percepção falha de que “Rumble” não seria um páreo competitivo para o campeão.

Crédito: Twitter do UFC

Crédito: Twitter do UFC

Cortar espaços. Encurtar a distância no octógono do Ultimate não é das coisas mais fáceis. Diferente de um ringue de quatro lados e com ângulos de 90°, a jaula apresenta uma área grande, são 32 metros de diâmetro e ângulos de 45° que dificultam um lutador de encurralar o outro. Contra-golpeadores como Lyoto Machida e Anderson Silva fazem a festa se movimentando lateralmente e pegando desprevenidos adversários pouco capacitados na luta em pé.

Gustafsson começou a luta como se imaginava, batendo e se movimentando lateralmente, investindo em jabs e chutes na perna do rival para colher os frutos com o passar dos rounds. Porém, Johnson esteve em cima dele o tempo todo – com uma boa dose de grosseria e imposição física, mas o importante é que dê certo – e usava os chutes altos para quebrar as fugas do sueco. Uma vez que seu oponente naturalmente parava após defender um ataque, “Rumble” avançava ferozmente. Ao conseguir que o combate se tornasse mais estático, ele absorveu um chute do sueco, mas aproveitou seu oponente parado para acertar o golpe que deu início à sequência do nocaute técnico.

Troca estática de golpes era tudo o que Johnson queria

Jones vs. Johnson. Projetar lutas do UFC com muita antecedência é sempre temerário, lesões cancelam combates o tempo todo, mas podemos fazer uma análise prévia da próxima luta por título da divisão dos meio-pesados. Ter poder de nocaute não necessariamente quer dizer algo – Rampage Jackson, Glover Teixeira, Vitor Belfort, Maurício Shogun e Rashad Evans tinham essa capacidade, mas não a destreza para encurtar a distância contra “Bones”.  “Rumble” é nocauteador e tem qualidade para furar o longo e temido alcance do campeão, ele precisa fazer a mesma coisa que ele fez no sábado, o que ao mesmo tempo é perigoso.

O futuro desafiante tem realmente se mostrado capaz de cortar os espaços e encurralar os oponentes, mas ele vai se expor a receber golpes no corpo da mesma forma que Daniel Cormier. “DC” entrou nos rounds 4 e 5 fadigado pela quantidade de ataques que sofreu na linha média, o agravante é que Johnson tem um histórico de se cansar ao final de lutas longas. Jones é favorito como é contra qualquer adversário em sua categoria, ele terá a luta na mão se conseguir segurar o ímpeto de seu próximo adversário nos primeiros dois rounds. Mas não é uma tarefa simples.

Demais lutas. Dan Henderson mais uma vez mergulhou sem nenhum pudor na caça a um oponente e mais uma vez sofreu um knockdown. Diferentemente do que antes se via, o homem de 44 anos não tem mais a mesma capacidade de absorver golpes. Luta fácil para o mais jovem e mais técnico Gegard Mousasi, vejamos se a carreira do armênico finalmente decola.

Imprudente como de costume, Henderson pagou o preço

Eu me recuso de colocar qualquer imagem da luta entre os entendiantes Phil Davis e Ryan Bader, não só foi um combate horrível como o primeiro round foi um dos piores que eu já vi. O justo seria anotar 10×10 para aquele assalto, mas parece que os jurados são orientados a não pontuar empates, por isso dois marcaram 10×9 para Bader, que ao final saiu vencedor por decisão dividida. No mais, foi um evento de combates legais de assistir, segue abaixo uma relação de gifs que valem a pena o clique.

Amikhani Makwan precisou de apenas oito segundos para vencer em sua estreia no Ultimate, joelhada voadora e socos para nocautear Andy Ogle; Sam Sicilia pegou Akira Corassini com um upper, usou o braço esquerdo para controlar a distância e jogou o overhand para nocautear; Kenny Robertson absorveu um chute rodado e usou seu cruzado de esquerda (left hook) para nocautear Sultan Aliev; Mairbeck Taisumov fuzila Anthony Christodoulo e Nikita Krylov finaliza Stanislav Nedkov com uma guilhotina em pé.

 

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