Brock Lesnar, o rei Midas do MMA, volta no UFC 200

Brock Lesnar, o rei Midas do MMA, volta no UFC 200

Ex-campeão peso pesado do Ultimate e, mais importante, maior vendedor de PPV da história do esporte retorna ao octógono por uma noite

Fernando Arbex

07 de junho de 2016 | 16h33

Brock Lesnar voltará a competir no octógono, anunciou o UFC no sábado, de surpresa – ou nem tanto, porque o jornalista Ariel Helwani havia noticiado o possível acerto e foi banido da organização por fazer seu trabalho, decisão depois revogada. À parte essa tosca polêmica mal conduzida pelo Ultimate, os irmãos Fertitta e Dana White realizam o antigo sonho de ter de volta o maior vendedor de pay-per-view da história do MMA, mesmo que apenas no UFC 200, em 9 de julho, contra Mark Hunt.

Crédito: UFC

Crédito: UFC

Verdade ou mentira? Antes de tudo, você precisa saber que o aqui chamado telecatch é muito popular nos Estados Unidos. Acredite ou não, o pro-wrestling é uma potência em terras norte-americanas, há muita gente que paga pacotes avulsos de PPV para assistir às lutas até bem ensaiadas. Gosto é gosto, tem que assista novela, seriado na Netflix e outras produções roteirizadas, até aí não tem nada de errado.

O que causou espanto há nove anos é que um gigante – em porte físico e potencial de venda – da WWE (maior promotora de pro-wrestling do mundo) se dispôs a deixar sua zona de conforto e passar a competir no MMA. Por ter tido uma carreira universitária vitoriosa na luta olímpica, Lesnar tinha uma base de combate para tentar a sorte e incrível vantagem física, mesmo na divisão dos pesados, mas não muito mais do que isso.

Ascensão e queda. Uma estreia arrasadora contra um zé ninguém bastou para o UFC o contratar e passar a promovê-lo com uma estrela. A lógica era muito simples: fãs de MMA queriam ver a novidade e fãs de pro-wrestling vinham junto. De cara, pegou pela frente Frank Mir, um ex-campeão que estava se reerguendo após um terrível acidente de moto. Lesnar teve um bom início no confronto, mas sua inexperiência foi determinante para acabar finalizado. Faixas pretas de jiu-jitsu faziam a festa contra wrestlers nos anos 1990, mas nem tanto em 2008, daí ficou claro que Lesnar tinha de tirar quase uma década de atraso para ser competitivo.

Erro primário de Lesnar de tentar pular para fora da finalização

E ele conseguiu. Atropelou os veteranos Heath Herring e Randy Couture, conquistou o título do Ultimate no processo e vingou-se de Mir – mesmo levando a luta para o chão, onde o rival tinha vantagem no papel. Lesnar era enorme, um peso pesado que tinha de desidratar para chegar ao limite de 120 Kg da divisão dos pesados, derrubava qualquer um, batia forte, enfim, tinha suas deficiências, mas parecia imbatível.

Na revanche, Lesnar mostrou evolução e travou Mir na meia-guarda

Um adversário, porém, foi muito para Lesnar: a diverticulite. Muitos meses após adoecer, e metros de intestino morto retirados depois de invasivas cirurgias, Lesnar voltou ao octógono e sofreu uma surra de Shane Carwin. O adversário, no entanto, mal tinha condições de ficar em pé no segundo round e perdeu por finalização. Em seguida, em outubro de 2010, Cain Velásquez conquistou o título sem dificuldade e Lesnar só foi lutar de novo em dezembro de 2011, quando perdeu no primeiro assalto para Alistair Overeem. Nessas três últimas lutas, Lesnar teria um desempenho melhor se não fosse a doença? É justo dizer que sim, mas é difícil imaginar o quanto.

Uma vez mais. Ali teria acabado a trajetória de Lesnar no MMA. Debilitado por causa da diverticulite, ele voltou ao WWE com status de estrela da companhia e durante anos seu regresso foi cobiçado pelo UFC. Quando renovou contrato com a empresa de pro-wrestling, em 2015, exigiu que fosse liberado para fazer uma luta de MMA ao menos, termo aceito e que o Ultimate poderá pagar permitindo que Ronda Rousey se apresente no Wretlemania 33. Bom negócio para todo mundo.

O que esperar neste retorno de Lesnar? Difícil prever. Certo é que sua presença dá um apelo comercial gigante ao UFC 200, que já estava muito bem montado com três disputas de título: Cormier vs. Jones II, Tate vs. Nunes e Aldo vs. Edgar II. A verdade é que a divisão dos pesados é imprevisível, lutadores que estavam no auge há dez anos seguem no top 10 da categoria e mesmo o campeão, Stipe Miocic, não empolga, embora seja uma cara nova entre tantos veteranos.

Hunt, o adversário, apresentou real evolução desde que deixou o kickboxing para se aventurar no MMA. Porém, embora hoje seja um lutador apto a defender quedas, essa ainda é sua maior falha e Lesnar em boa forma deverá ser capaz de conseguir derrubar, o que não se sabe é o quanto a falta de ritmo será um fator. É uma luta muito boa no papel: o rei Midas do MMA contra um nocauteador nato. Lesnar vencerá se conseguir levar para o chão, mas poderá sofrer um nocaute brutal no processo, o que nunca é ruim de se assistir.

(vejam o vídeo até o final)

Midas. A média de pacotes de PPV vendidos em eventos com Lesnar é de 904,2 mil, por isso a volta do ex-campeão é tão importante. Aos 38 anos, é improvável que ele engate uma nova campanha para conquistar o cinturão, talvez seja algo que nem o contrato dele com a WWE permita, mas vai ser divertido vê-lo de volta. “Vocês podem me ver agora?”, gritou um ensandecido Brock Lesnar depois de conquistar o título dos pesados no UFC 91, ainda em cima do octógono. É na vontade de os fãs verem Lesnar de novo que o Ultimate aposta.

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