Conor McGregor cumpre promessas e faz José Aldo pagar por erro

Conor McGregor cumpre promessas e faz José Aldo pagar por erro

Irlandês se aproveitou de um erro primário do agora ex-campeão e liquidou a fatura com apenas 13 segundos de luta no UFC 194

Fernando Arbex

15 de dezembro de 2015 | 07h28

Não há muito o que escrever sobre a luta principal do UFC 194 porque ela cabe em um gif. Conor McGregor recuou e acertou seu conhecido direto de esquerda no queixo de José Aldo, golpe que resultou no nocaute do agora ex-campeão peso pena e na troca da posse do cinturão. O impressionante mesmo é que o falatório do irlandês foi comprovado com uma rapidez inimaginável, ele conquistou o título apenas dois anos e oito meses depois de estrear na organização e capitalizando em cima de um raro erro do manauara.

Crédito: Gary A. Vasquez/USA Today

Crédito: Gary A. Vasquez/USA Today

Basicamente, não se ataca em linha reta – ainda mais contra alguém que tem 10 cm a mais de envergadura. Ronda Rousey já foi várias vezes acertada por causa dessa mania e há um mês Holly Holm conseguiu se aproveitar disso como ninguém. Aldo praticamente deu uma queixada no soco, por isso o nocaute foi limpo. McGregor começou a luta fintando bastante, soltou um direto de esquerda na altura do peito do brasileiro e um pisão no joelho, induziu o rival a agredi-lo e o pegou com um contra-golpe perfeito. O ex-campeão jogou a direita, não movimentou a cabeça e pagou o preço por uma investida mal executada.

Luta que cabe em um gif

Repito tudo o que eu escrevi na sexta-feira: McGregor teve seu caminho facilitado até a disputa de cinturão porque ele dá retorno comercial ao Ultimate, mas não anula o fato de que se trata de um ótimo atleta. O irlandês é junto de Aldo o melhor striker da divisão, por isso não havia razão para o manauara correr o desnecessário risco de ficar em pé. A estratégia correta seria a de buscar as quedas contra um oponente que é falho nesse quesito e muito inferior no jogo de chão. Em uma revanche, se ela acontecer, é factível que o ex-campeão vença sem tentar derrubar o rival nem uma vez sequer, mas terá sido uma estratégia insensata do mesmo jeito.

Aldo estava abalado emocionalmente e por isso quis provar um ponto? Aldo deixou que o oponente o vencesse no jogo mental? Essas perguntas são sempre muito subjetivas, meu papel aqui é analisar o que se passa dentro do octógono. Fato é que o brasileiro correu em linha reta contra a melhor arma de McGregor, o direto de esquerda, por isso o nocaute aconteceu. Em uma organização que garante revanche imediata para Ronda e Cain Velásquez, será absurdo se o mesmo não for oferecido ao manauara, mas nunca duvide da vontade de uma empresa proteger sua galinha dos ovos de ouro.

Novo rei. O UFC 194 teve ótimas lutas e claro que também vale destacar o novo campeão peso médio, Luke Rockhold. O norte-americano começou sofrendo com a pressão e o wrestling do compatriota, mas o cenário mudou no segundo round quando conseguiu manter a luta em pé e se aproveitar da sua envergadura para conectar seus conhecidos golpes: gancho de direita (left hook) e chute de esquerda (variando as alturas). Chris Weidman faz como ninguém o jogo de abafar o oponente, mas ele cansa muito rápido – natural por ser alguém grande para categoria – e combates longos não o favorecem.

Mesmo com a queda de ritmo – em parte graças à estratégia do desafiante de investir em golpes no corpo -, o ex-campeão ganhou o primeiro round e levava vantagem no terceiro, isso até ele tentar um chute rodado sem o menor sentido. Rockhold se aproveitou disso para derrubar, montar e começar a surra. O árbitro poderia ter encerrado o confronto ali, mas permitiu que Weidman voltasse para o assalto seguinte ainda meio grogue e apanhasse muito mais.

Weidman ganhava a luta até querer inventar

Algoz de Anderson Silva, Lyoto Machida e Vitor Belfort, o norte-americano é um ótimo atleta e tem tudo para reconquistar esse cinturão, mas talvez seja o caso de ele subir para os meio-pesados, uma categoria que parece mais adequada para ele. Em nada essa derrota me faz acreditar que Weidman deu sorte contra os brasileiros, até porque Rockhold é um ótimo competidor.

Fim de semana. Yoel Romero derrotou Ronaldo “Jacaré” em uma decisão polêmica dos jurados, o cubano agora deverá ser o próximo desafiante ao título médio do Ultimate, isso se Weidman não receber revanche imediata. Quem também espera por uma decisão da chefia é Frankie Edgar, que contra Chad Mendes conseguiu um raro nocaute em sua carreira e pediu por uma disputa pelo cinturão dos penas – porém, Aldo quer revanche imediata contra McGregor.

Enquanto disputas de título se desenham, Demian Maia segue atropelando promessas da categoria dos meio-médios e dessa vez pediu por um adversário de peso, alguém que, em caso de vitória, credencia o paulistano a lutar pelo cinturão. Pior para Gunnar Nelson, que inexplicavelmente pediu por esse duelo de sábado. Especialista em jiu-jitsu, o islandês enfrentou o melhor jiu-jiteiro da categoria, alguém mais forte fisicamente e com wrestling melhor.  Maia derrubou várias vezes, quase finalizou e buscou as melhores posições para castigar o oponente.

Quem não deu sorte foi Edson Barboza, que parece evoluir a cada luta, mas sempre falta algo. Exímio chutador, o friburguense melhorou muito seu trabalho com as mãos e levava vantagem sobre Tony Ferguson até o havaiano se defender de uma queda e encaixar um triângulo de mão. Aos 29 anos apenas, Barboza tem futuro e pode alcançar o topo da categoria, acredito que essa experiência que ele vem adquirindo vai ser fundamental para ele no futuro. Perder nunca é bom, mas sua evolução é notável.

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