Frankie Edgar vs. Urijah Faber: ‘Quando éramos reis’

Frankie Edgar vs. Urijah Faber: ‘Quando éramos reis’

Medalhões, lutadores norte-americanos duelam nas Filipinas em busca de retomar época de glórias em suas carreiras

Fernando Arbex

15 de maio de 2015 | 18h07

Houve um tempo em que o UFC só tinha cinco divisões de peso e os lutadores das categorias mais leves deviam escolher entre atuar no octógono com desvantagem física ou competir em organizações de menos renome. Esses atletas seguem atualmente sem o devido reconhecimento, mas ao menos gozam do prestígio de serem contratados do Ultimate e, em alguns casos, até encabeçam combates principais de eventos periféricos, como o UFC Fight Night 66. Remanescentes daquela época sombria para os “pequenininhos”, os norte-americanos Frankie Edgar e Urijah Faber escolherem caminhos distintos no passado, mas neste sábado vão se enfrentar em Manila, nas Filipinas.

frankie

Edgar foi campeão do UFC entre 2010 e 2012

Resposta. Em uma era em que a divisão dos leves era o piso das categorias de peso do UFC, Edgar fez valer seu apelido de “A Resposta” (tradução para “The Answer”). Ele superou adversários de maior porte físico uns atrás dos outros e conquistou o título ao bater não uma, mas duas vezes B.J. Penn, que em 2010 parecia ser invencível. É verdade que antes das vitórias sobre o havaiano ele perdeu para Gray Maynard, mas em 2011 defendeu o título duas vezes contra seu antigo algoz, alcançando um empate e uma vitória após protagonizar recuperações espetaculares. Apanhar, sim; desistir, jamais!

Maynard surrou no 1º round, mas Edgar buscou o empate no UFC 136

Talvez até hoje Edgar pudesse ser o campeão dos leves. É verdade que ele mereceu a derrota por pontos sofrida para Ben Henderson, em fevereiro de 2012, e também que não fazia tanto sentido que lhe dessem essa revanche imediata (embora o ex-campeão tivesse passado por essa situação contra seus dois adversários anteriores). Porém, a reedição do duelo com Bendo ocorreu seis meses depois e Frankie fizera o suficiente para sair vitorioso. Não na visão de dois jurados, que lhe marcaram mais uma derrota, naquela que até aqui foi sua última atuação na divisão dos leves.

Se desde 2011 já existia a divisão dos penas no Ultimate e Edgar não mais era o campeão, não havia razão para continuar enfrentando rivais mais fortes do que ele. O problema foi estrear em sua nova categoria justamente contra José Aldo, que venceu o norte-americano sem passar muitos sustos em uma disputa de cinturão. Desde então, o ex-campeão dos leves venceu com sobras seus três adversários seguintes e espera ansiosamente por uma revanche que ele dificilmente vencerá contra o brasileiro. Frankie é ótimo competidor, mas carece de poder. Mesmo entre os penas ele não é um atleta com grande força ou que bata muito pesado, seu estilo é de aliar sua frenética movimentação com um volume imenso de golpes e entradas de quedas em adversários tão confusos pelo seu repertório quanto cansados pelo seu ritmo.

“The California Kid”. Eu duvido que Edgar possa derrotar Aldo, mas é ótimo ainda vê-lo competir em alto nível. Melhor ainda é esse confronto marcado contra Faber, outro atleta do mais alto gabarito que dificilmente voltará a ter um título. Ao contrário de seu rival de sábado, “O Garoto da Califórnia” optou anos atrás por lutar na divisão dos penas, mesmo que isso tenha significado sua ausência do UFC por muito tempo. Campeão do WEC, organização que entre 2006 até sua extinção no fim de 2010 esteve sob a posse dos donos do Ultimate, Urijah popularizou uma categoria que ficou grande demais para ele.

Faber finalizou Rivera com o chamado ‘Bulldog choke’

Mike Brown o venceu duas vezes, depois Aldo o surrou por cinco rounds, obrigando Faber a admitir que a divisão dos galos era seu lugar. O que se viu desde então foi uma trajetória que parecia estar sendo desenhada em círculos, porque o norte-americano é ótimo lutador e tem muito apelo comercial, por isso ele no UFC vencia todos seus adversários até receber uma chance de disputar o título, mesmo mesmo Dominck Cruz e Renan Barão eram muito para Urijah. Hoje o líder da Team Alpha Male, academia na cidade californiana de Sacramento, esquiva-se de um confronto com seu pupilo T.J. Dillashaw, que venceu Barão sem dificuldade em 2014 e espera, talvez em vão, por um duelo com o sempre machucado Cruz.

Edgar favorito. Se penas, galos e até moscas lutam no UFC hoje, muito se deve a Faber, mas é difícil ver hoje um cinturão que esteja a seu alcance. O californiano tem virtudes poderosas em seu wrestling ofensivo e jiu-jitsu de grande senso de oportunidade. Se Urijah vir um pescoço mal protegido, ele vai para o estrangulamento e é difícil de escapar, seja no mata-leão ou na guilhotina. Mas na luta em pé ele é um atleta ultrapassado que depende muito de sua mão direita e não defende chutes nas pernas. Ao contrário do seu rival deste sábado, o ex-campeão do WEC é um finalizador de combates nato, mas dificilmente deve ter essa oportunidade contra Edgar, que deverá sair vencedor por decisão dos juízes.

Frankie curiosamente será o atleta com vantagem física nesse embate pela divisão dos penas, além disso ele tem um repertório maior na troca de golpes em pé, dificilmente será derrubado e deve abrir caminho para seu triunfo com chutes nas pernas do oponente. Nenhum dos dois deverá voltar a reinar, ao menos não tão cedo, mas será divertido de assisti-los.

 

 

 

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