Gustafsson vs. Johnson: a borboleta-abelha contra o trem-bala

Gustafsson vs. Johnson: a borboleta-abelha contra o trem-bala

O UFC on FOX 14 opõe na luta principal adversários de estilos distintos e dela sairá o próximo desafiante ao título de Jones

Fernando Arbex

23 de janeiro de 2015 | 21h56

“Voe como uma borboleta, pique como uma abelha”. Se há um homem no MMA que parece tentar seguir o conselho de Muhammad Ali, este é Alexander Gustafsson (guardadas as devidas proporções). Também conhecido como “O cara que quase venceu Jon Jones”, o lutador sueco enfrenta neste sábado, 24, um adversário que estilisticamente é sua oposição, Anthony Johnson, em duelo que definirá o próximo desafiante de “Bones” pelo título da divisão dos meio-pesados do UFC.

Gustafsson encara Johnson. Crédito: Instagram.com/alexthemauler

Gustafsson encara Johnson. Crédito: Instagram.com/alexthemauler

Em tese, o UFC on FOX 14 é um evento perfeito para promover o vencedor de sua luta principal. Em Estocolmo, Gustafsson estará em casa e, após uma possível vitória, poderá pegar o microfone para mais uma vez provocar Jones, essa é uma revanche que muitos querem ver e promete vender bem. Porém, uma derrota do atleta europeu não será de todo mal para o Ultimate, uma vez que “Rumble” Johnson tem estado assustadoramente poderoso desde que passou a atuar em uma categoria adequada para seu tamanho.

Voar e picar. Gustafsson é oriundo da escola do boxe olímpico e é justamente no trabalho com as mãos que Jones se mostra alguma coisa falho (não de forma comprometedora até aqui). Eu imaginei que a força de Daniel Cormier e seu gabarito no wrestling seriam capazes de dar conta do campeão, mas a área de quedas não era de forma nenhuma o ponto fraco de “Bones”. O boxe é.

A chave para o ótimo desempenho do sueco no UFC 165 foi seu jogo de pernas digno de um pugilista de alto nível, claro que aliado a uma envergadura comparável a de Jones e à capacidade de defender quedas. Gustafsson se movimentava lateralmente para não ficar exposto aos variados chutes do campeão e o acertava com uma diversidade de golpes digna de nota. Lutadores de MMA são previsíveis lutando em pé por tentar quase sempre acertar só a cabeça, mas os jabs no corpo sofridos por “Bones” abriram sua guarda para que outros golpes mais contundentes entrassem.

Body jab abre espaço na defesa de Jones

Trem-bala. Eu não me empolgo com a possibilidade de Johnson disputar o cinturão porque ele sofre do mesmo problema de Cormier, que é o de andar em linha reta. “DC” conseguiu encurtar a distância contra Jones, mas pagou um preço muito alto pela quantidade de golpes sofridos no corpo. Mas poderemos falar de Jones vs. Johnson no futuro, se essa luta se concretizar.

“Rumble” não é dos atletas mais refinados, mas ele é uma ameaça a qualquer um, seja Jones ou Gustafsson. O nocaute sobre Rogério Minotouro fala por si só, o brasileiro foi encurralado e pulverizado.

É uma pena que Johnson insistiu anos em lutar na divisão dos meio-médios, o período em que passou pesando 77 Kg nas vésperas de seus combates cobrará de seus rins no futuro, imagino. A opção por bater 93 Kg e um dia depois lutar com mais de 100 Kg se mostrou acertada, mas ele continua um cara grande e com gás duvidoso, numa luta de cinco rounds isso pode fazer a diferença negativamente.

Johnson também tem o curioso histórico de ter sido finalizado em três de suas quatro derrotas com um mata-leão, estrangulamento usado por Gustfasson em suas únicas três vitórias por submissão. “Rumble” tem ótimo wreslting para se manter em pé (e talvez derrubar o rival) e afirma ter melhorado seu jogo de chão, mas o sueco tem vantagem no grappling e a queda aplicada em Jones é parâmetro suficiente para essa possibilidade ser considerada neste sábado.

Demais lutas. Gegard Mousasi é um lutador muito técnico que não consegue decolar e Dan Henderson é alguém muito grosso para a quantidade de sucesso imensa que teve na carreira. Hendo já foi salvo inúmeras vezes por seu queixo, por sua mão direita incrivelmente pesada e por decisões equivocadas de juízes, três elementos impossíveis de serem treinados.

Para ser justo, o banguela de 44 anos sempre tem a notável qualidade de arrumar um jeito de vencer seja lá como, mas ele está velho e perdeu quatro de suas últimas cinco lutas – venceu apenas Maurício Shogun, que 11 anos mais novo está ainda mais decadente. Não coloco a minha mão no fogo pelo Mousasi porque ele é de falhar na hora H, mas hoje o armênio é muito superior e deve derrotar um Henderson que na divisão dos médios sempre se cansou rapidamente.

A última luta relevante do card, naturalmente lotado pela cota de atletas europeus do UFC, será entre os wrestlers Phil Davis e Ryan Bader. Relevante, mas provavelmente muito chata, Davis é um “amarrão” clássico que só finaliza adversários muito ruins de jiu-jitsu, enquanto Bader perdeu a confiança em sua deficiente trocação, uma vez que ela se baseia apenas em sua mão forte direita.

O duro é que Bader tem mais ferramentas para vencer, e eu acho que isso acontecerá, mas ele não é um cara confiável – até por ser defensivamente horrível e ter queixo duvidoso. Por sua vez, Davis é um competidor bem focado em seu jogo entediante e eficaz, isso pode ser uma vantagem.

Card completo: http://en.wikipedia.org/wiki/UFC_on_Fox:_Gustafsson_vs._Johnson

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