Jon Jones dá aula estratégica e anula o wrestler olímpico

Jon Jones dá aula estratégica e anula o wrestler olímpico

O campeão manteve o título ao minar a resistência do rival com golpes no corpo e depois vencê-lo até no wrestling

Fernando Arbex

05 de janeiro de 2015 | 13h01

O UFC 182 no último sábado proporcionou mais uma demonstração da versatilidade e inteligência de Jon Jones em todos os aspectos do jogo, desta vez contra uma ameaça legítima. O campeão meio-pesado do Ultimate não conseguiu impedir Daniel Cormier de se aproximar, o que era improvável, mas anulou a ameaça das quedas do ex-wrestler olímpico e tomou conta de um combate que era equilibrado até o início do quarto round.

Reprodução/UFC Twitter

Reprodução/UFC Twitter

No MMA é diferente

A despeito do meu palpite de que DC conseguiria encurtar a distância (conseguiu) e levar vantagem no clinch, Jones se aproveitou de sua qualidade técnica e altura para enfrentar o rival de igual para igual na posição e inclusive ser superior o suficiente para ganhar o primeiro e o terceiro rounds. Bones também pôde impedir o oponente de levá-lo para baixo e ainda agarrou um chute de Cormier para depois impor-lhe a primeira queda da carreira.

Na competição olímpica de wrestling não são permitidas joelhadas e cotoveladas, no MMA a mecânica é diferente e Jones se aproveitou dessas conhecidas armas de seu arsenal. Cormier teve bons momentos no chamado “dirty boxing”, quando era capaz controlar a nuca do campeão com uma das mãos e soltar-lhe uppers com a outra, e o desafiante parecia estar vivo na disputa quando o quarto round começou, mas foi a partir daí que ele passou a levar desvantagem até em sua especialidade.

Golpeando o corpo

Muito mais baixo e com uma envergadura 21 centímetros menor, DC foi eficaz na estratégia de caçar o oponente e encurtar a distância, mas pagou um preço alto. Jones é muito inteligente na luta em pé, não alguém só preocupado em acertar o queixo do adversário para buscar o nocaute. O desafiante foi duramente golpeado com socos e chutes no corpo durante três rounds, inclusive tomou joelhadas nas costelas nos momentos de clinch. Segundo as estatísticas oficiais do Fightmetric, o tronco de Cormier foi acertado 23 vezes ao longo dos três primeiros assaltos e as pernas 13 vezes. Esse plano do campeão era previsível, uma vez que fora dessa forma que Frank Mir havia tido algum sucesso contra o mesmo adversário quando eles se enfrentaram.

Reprodução/UFC Twitter

Reprodução/UFC Twitter

O volume de golpes minou a capacidade de DC manter o ritmo de luta e deu a Bones a vantagem física necessária para vencer as trocas de wrestling. Humilhado depois de ter sido derrubado três vezes (quatro, contando uma depois do estouro do relógio no quarto round), Cormier levantou o campeão e o arremessou no chão, mas já era tarde para virar o combate e também o quinto assalto.

Jones derruba um desgastado Cormier no quarto round

Cormier aplica slam, mas já era tarde

 

O maior?

Triplo 49×46 muito justo para Jones, que agora tem oito defesas de título bem sucedidas e está a duas de igualar o recorde de Anderson Silva no UFC. Mais do que isso, o norte-americano constrói um legado impressionante ao derrotar oponentes do mais alto gabarito e já é justo incluí-lo na discussão do maior da história do MMA. Pelo menos quanto ao cartel, é difícil dizer que o de Bones não é o melhor.

cartel

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