Machida vs. Rockhold, o duelo dos chutadores

Machida vs. Rockhold, o duelo dos chutadores

Lyoto Machida e Luke Rockhold se enfrentam neste sábado visando desbancar Ronaldo "Jacaré" na escolha do próximo desafiante ao título dos médios do UFC

Fernando Arbex

17 de abril de 2015 | 17h00

Lyoto Machida volta ao octógono neste sábado para fazer o evento principal do UFC on Fox 15, em combate contra o norte-americano Luke Rockhold, do qual o vitorioso tentará fazer o suficiente para convencer o patrão Dana White a lhe dar uma chance de disputar o título dos médios. Pela lógica do merecimento, Ronaldo “Jacaré” Souza, se derrotar o frágil Chris Camozzi – substituto de última hora do lesionado Yoel Romero -, deverá ser escolhido o desafiante do vencedor do duelo entre o campeão Chris Weidman e Vitor Belfort. Porém, como vimos em oportunidades anteriores, justiça não é o forte do Ultimate.

Crédito: Werther Santana/Estadão

Crédito: Werther Santana/Estadão

Rockhold e Machida têm muito mais apelo do que “Jacaré” dentro do critério que a organização mais valoriza: o comercial. Torço para que Souza derrote seu oponente sem dificuldade e seja eleito o próximo desafiante – Camozzi oferece muito pouco perigo, inclusive o norte-americano vem de quatro derrotas seguidas e foi demitido, só acabou recontratado porque aceitou essa “missão impossível”. Mas agora falemos da atração principal do evento.

Caneladas. Como foi dito no artigo de estreia deste blog, Machida vem recentemente investindo em chutar em alturas diferentes para pegar seu rival desprevenido. Lógico, o “Dragão” preserva seu estilo antigo de circular pelo octógono até achar uma brecha dada pelo oponente e pegá-lo com um soco de encontro. O brasileiro raramente combina mais de um golpe com as mãos, sua aposta é sempre no timing de acertar um adversário impaciente que corra na direção de seu ataque. Lembra das aulas de física? Força é a resultante da multiplicação da massa e da aceleração. Um carro que bate em um muro tende a sofrer menos danos do que aquele que colide de frente com outro que vinha em sua direção.

Mas esse é o Machida clássico, o contra-golpeador. O Machida de hoje se aventura a tomar a iniciativa de vez em quando e o faz com chutes no corpo. Se eles não são o suficiente para encerrar o combate, como foi o caso com C.B. Dollaway, o “Dragão” chuta na cabeça – tática que usou pra nocautear Mark Muñoz.

Lyoto acerta o corpo de Muñoz e abre espaço para chute na cabeça

A abordagem de Rockhold é diferente. Com 1m91 de altura e 1m93 de envergadura, o norte-americano se impõe fisicamente para pressionar o rival contra a grade, cenário ideal para um chutador. Se o adversário circula para a direita, Rockhold o pega com um chute de perna esquerda; se o oponente vai para adireita, Rockhold dá um chute rodado. (Reparem que toda boa estratégia passa por criar uma colisão. Empurre um saco de areia e dê um soco quando ele estiver voltando, depois faça o mesmo, mas o acerte quando ele estiver longe, no limite do alcance do seu braço. A diferença é gritante.)

Rockhold não deu espaço para Costas Philippou

Ah, claro, o acuado oponente pode optar por ir para frente e atacar – a pior das opções. É a oportunidade dada para Rockhold acertar seu right hook (cruzado de direita). A opção ideal é não se deixar encurralar, o que é muito difícil considerando que o norte-americano tem bom wrestling e ótimo jogo de chão. É claro que o ex-campeão dos médios do Strikeforce não é um lutador perfeito, Belfort esteve excelente quando o pressionou ao mesmo tempo em que não deu espaço para ser derrubado – liquidando a fatura no primeiro round com um chute rodado.

Por sua vez, Machida não é um bom agressor, mas ele é mestre em recuar sem se deixar ficar acuado e se defender de entradas de quedas. O único que conseguiu repetidamente enquadrá-lo em uma determinada área até aqui foi Chris Weidman, que cortou os espaços do octógono de forma brilhante contra o “Dragão”. Rockhold será capaz? Difícil prever, mas é uma luta que promete ser muito técnica, independentemente do vencedor.

Bônus: Rockhold aplica o “brazilian kick” em Michael Bisping

Categoria dos médios. Eis o quadro. Depois de perder de Rockhold em setembro de 2011, em confronto válido pelo título do hoje extinto Strikeforce, “Jacaré” triunfou sete vezes seguidas (quatro finalizações, dois nocautes e uma vitória por decisão unânime), sendo que seus três últimos adversários estavam no top 10 da divisão. Enquanto isso, Machida foi derrotado em disputa de cinturão recente contra Weidman, já Rockhold teve de se reerguer com três vitórias consecutivas após ser atropelado por Belfort. O problema para Souza é que ganhar de Rockhold conta muito em um cartel e superar Machida vale mais ainda, mas vencer Camozzi de novo não impressiona ninguém.

Romero sim era um adversário com apelo, mas sua lesão deixou “Jacaré” em uma situação delicada. Souza estreou no UFC há dois anos aplicando um katagatame em Camozzi, imagino que ele consiga finalizar o adversário no primeiro round mais uma vez. É como no mercado financeiro: quanto maior o risco, maior é o retorno. Agora o brasileiro tem muito a perder e mesmo que ganhe da forma mais impressionante possível, terá sido contra um rival de nível inferior e que aceitou o combate às pressas. O agravante é que a luta principal é Machida vs. Rockhold, enquanto Souza vs. Romero sempre foi planejada para estar em segundo plano.

Outras lutas. Olho também em dois combates que prometem ser muito divertidos. Cub Swanson coloca em disputa seu posto no top 5 da divisão dos penas contra Max Holloway, enquanto os empolgantes Jim Miller e Beneil Dariush fecham o card preliminar.

Tudo o que sabemos sobre:

Luke RockholdLyoto MachidaUFC on Fox 15

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.