Nick Diaz é uma ameaça a Anderson Silva?

Nick Diaz é uma ameaça a Anderson Silva?

O polêmico norte-americano retorna ao octógono após quase dois anos, mas tem no "Spider" um pesadelo estilístico

Fernando Arbex

30 de janeiro de 2015 | 09h49

Ame-o ou odeio-o, Nick Diaz será um lutador relevante até decidir se aposentar. O próximo adversário de Anderson Silva coleciona polêmicas e grandes lutas desde o início da carreira, gerando atenção de pessoas que não o suportam por seu estilo “trombadinha” e de quem tem nele a simpatia por um anti-herói. Como dito quando falamos sobre Conor McGregor, retorno financeiro no MMA é sinônimo de proteção e é por isso que o californiano foi afastado de wrestlers da sua saída do UFC, em novembro de 2006, até ele finalmente confrontar Georges Saint-Pierre pelo título do Ultimate, em março de 2013.

Crédito: UFC/Divulgação

Crédito: UFC/Divulgação

Para resumir, Diaz derrotou o astro japonês Takanori Gomi no Pride (vitória anulada por uso de maconha), depois venceu 11 de suas 12 lutas seguintes e retornou ao UFC para disputar o cinturão, mas foi substituído do confronto com GSP – que depois viria a se machucar – porque faltou a duas coletivas de imprensa seguidas. O norte-americano, então, aplicou uma surra em BJ Penn e foi escalado para competir pelo título interino meio-médio do Ultimate, contra Carlos Condit, um dos atletas mais agressivos da organização. E é do combate principal do UFC 143 que vamos falar agora.

Resumo da luta entre Condit e Diaz

Cortar espaços. Caçar um oponente no octógono é difícil, Anthony “Rumble” Johnson é um exemplo de quem tem tido sucesso nessa empreitada, diferentemente dos irmãos Nick e Nate Diaz. A tática de ambos é praticamente a mesma: andar para frente, xingar o rival, absorver golpes e encurralá-lo contra a grade para boxear. Os dois podem se orgulhar de algum sucesso na carreira, Nick inclusive foi campeão do Strikeforce, mas fatalmente o esporte evolui e esse tipo de abordagem acaba perdendo efeito.

Quando o combate foi marcado, esperava-se por inúmeras trocas de golpes no centro do octógono, mas Condit preferiu atuar de forma inteligente. Circulando e chutando, ele raramente se colocou de costas para grade, tudo o que Diaz gostaria que acontecesse para descarregar sequências de socos na cabeça e na linha de cintura.

Diaz provoca, mas Condit não se abala

A impaciência de Diaz era nítida, mas ele nada podia fazer.

Inteligente, Condit impôs um jogo metódico para vencer

Mesmo com pouca pressão, Condit pontuava com golpes plásticos

A exposição aos mais variados golpes, principalmente chutes na perna, e sua inabilidade de caçar um rival que se movimentava bem foram as causas da derrota de Diaz. Condit é um lutador que falha em usar as mãos para boxear, ele dificilmente teria sucesso se aceitasse a luta franca proposta pelo rival. Críticas à parte por ter “fugido” ou “corrido”, tornou-se campeão interino dos meio-médios do UFC.

A Diaz restou reclamar, anunciar aposentadoria e ser presenteado com uma luta pelo título, depois que GSP voltou de lesão e derrotou Condit para unificar os cinturões. No UFC 158, aconteceu o que todos esperavam, muito Pay-Per-View foi vendido para canadenses assistirem seu compatriota derrubar o mal-educado norte-americano sempre que quis. Você pode ser protegido de wrestlers por muito tempo, mas se o campeão da sua categoria for um, não há o que se possa fazer.

Virtudes anuladas. Nick Diaz é sem dúvida um ótimo lutador. A questão é que, em um confronto com Anderson Silva, o norte-americano dificilmente conseguirá colocar em práticas suas qualidades indiscutíveis.  Diaz encurrala adversários, mas tem dificuldade quando enfrenta alguém com boa movimentação lateral, que é o caso do “Spider”, um contra-golpeador nato; Diaz não defende chutes na perna – ao contrário de Chris Weidman -, ainda por cima Anderson poderá chutar por fora da perna direita do rival, porque ambos são canhotos, o que representa menos perigo; Diaz tem um jiu-jitsu de alto nível e capacidade para finalizar Anderson, mas é pouco competente em derrubar oponentes e o agravante é que o brasileiro terá vantagem física; Diaz tem poder de nocaute mediano para a categoria dele, nos médios dificilmente ele conseguirá derrubar Anderson com um soco, e, finalmente, Diaz tem no volume de ataques sua melhor arma, mas Anderson apresenta no Ultimate um porcentual de 62% de golpes evitados.

Anderson Silva, basicamente, é um Carlos Condit do UFC 143, com mais força, boa técnica de boxe, dotado de outras melhorias e perfeito na estratégia usada por Condit naquela oportunidade. Isso significa que Diaz não tem nenhuma chance? Absolutamente não, o norte-americano tem de fazer o possível para entrar na curta distância e aplicar suas combinações de socos, principalmente dobrando ataques com a mesma mão. Se o brasileiro se permitir ficar contra a grade sofrendo golpes na cabeça e na linha de cintura, estará em apuros. O rival do “Spider” ainda seria inteligente se, de vez em quando, tentasse uma ou outra queda, só para deixar o ex-campeão em dúvida – e, se conseguir levar para o chão, Diaz jogando por cima tem ampla vantagem.

Diaz coloca rivais contra a grade e os engole

Demais lutas. Silva vs. Diaz é um combate que vende muito PPV sozinho e talvez por isso nenhum outro grande nome foi escalado para o UFC 183. Mas fiquem atentos para um card montado para ter ótimas lutas, pelo menos no papel. Dentre elas, acho impossível que de Ian McCall vs. John Lineker, Thiago Alves vs. Jordan Mein, Joe Lauzon vs. Al Iaquinta e Tyron Woodley vs. Kelvin Gastellum não saiam pelo menos três duelos muito empolgantes.

Para quem perdeu, leia aqui a análise pré-luta sobre o “Spider” – Anderson Silva: O Império Contra-Ataca

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