O último voo do ‘Dragão’ Machida parte 2

Após derrota recente, Lyoto Machida volta a competir em duelo contra o cubano Yoel Romero

Fernando Arbex

26 de junho de 2015 | 15h10

A saga de eventos pouco atrativos do Ultimate terá novo capítulo neste sábado, 27, quando Lyoto Machida voltará ao octógono para enfrentar o cubano Yoel Romero, em combate do UFC Fight Night 70 que colocará o vencedor próximo (mas nem tanto) de uma disputa por título da categoria dos médios. O campeão Chris Weidman vai encarar Luke Rockhold provavelmente ainda em 2015, enquanto Ronaldo “Jacaré” tem praticamente garantida a vaga de próximo desafiante. Machida vs. Romero será um duelo que servirá para mostrar qual dos dois veteranos ainda tem bala na agulha para competir pelo cinturão.

Crédito: Werther Santana/Estadão

Crédito: Werther Santana/Estadão

Como falado no meu post de estreia neste blog, Machida está na reta final de uma carreira brilhante. Daquela vez eu disse acreditar que uma derrota poderia colocar uma pedra em qualquer ambição de maior porte do carateca, que aos 37 anos deverá encarar em breve sinais de declínio físico (se é que isso já não acontece). “O Dragão” venceu C.B. Dollaway com facilidade em dezembro do ano passado, mas mostrou suas limitações no jogo de chão em sua aparição posterior, contra Rockhold. No duelo chutadores, o norte-americano teve facilidade no luta no solo e triunfou por finalização.

Machida vai voltar a competir apenas dois meses e nove dias depois do insucesso, o que evidencia seu senso de urgência. Do outro lado estará um ex-medalhista olímpico no wrestling – conquistou a prata em Sydney, em 2000 -, mas que prefere assumir uma postura de striker. Canhoto, Romero controla muito bem o punho da mão da frente do adversário para usar sua potente mão esquerda. Tem tido bastante sucesso até aqui, mas ainda não enfrentou um adversário do nível do “Dragão”.

Mão direita de Romero abre espaço para a cotovelada com o braço esquerdo

Não só Machida é superior a Romero nessa área como ele também é canhoto. Quando a guarda dos oponentes é espelhada (destro contra destro, canhoto contra canhoto), a mão mais fácil de acertar o rival é a da frente – a direita, no caso deles -, a qual o cubano pouco usa. O ex-atleta olímpico também tem o costume de atuar com uma guarda muito aberta, isso pode fazê-lo pagar um preço alto contra um dos melhores contra-golpeadores da história do MMA.

Romero claramente terá vantagem física e no wreslting nesse combate, é impressionante como Machida não recupera peso adequadamente. A opção por deixar a divisão dos meio-pesados, da qual foi campeão, passava pela grande desvantagem física que ele sentia, problema que não foi solucionado. Em vez de desidratar e fazer o chamado corte, “O Dragão” perde massa muscular e por isso deverá sofrer muito se seu rival de sábado optar pelo combate agarrado. A boa notícia é que quanto mais um lutador carrega músculos – e Romero carrega muitos -, mais propenso a cansar ele está. Em um combate de cinco rounds, imagino que o brasileiro saia vitorioso por nocaute técnico lá pelo quarto assalto.

TUF e UFN. Joanna J?drzejczyk manteve seu título feminino peso palha na semana passada, em brilhante apresentação na atração principal do UFC Fight Night 69, evento muito mal escalado e promovido. Neste sábado, o UFC Fight Night 70 deveria servir para ser a final do TUF Brasil 4 – “Brasil”, mas gravado em Miami -, mas problemas com a emissão de vistos para a entrada no território norte-americano fizeram com que os duelos entre Dileno Lopes e Reginaldo Vieira, pela decisão do torneio dos galos, e entre Glaico França e Fernando Bruno, a final do torneio dos leves, fossem adiados para o UFC 190.

Eu já escrevi sobre isso mais de uma vez aqui, não há material humano para tanto evento. É impossível criar interesse do público em tantos cards de baixa qualidade. Ao menos os numerados – aqueles promovidos em Pay-Per-View – estão em um bom nível neste ano. O TUF é um produto que também não empolga, ainda mais depois do mau desempenho dos atletas das edições anteriores do programa no Brasil.

 

 

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