Pride e K-1 vivem! Bellator Dynamite tem tudo para ser um sucesso

Pride e K-1 vivem! Bellator Dynamite tem tudo para ser um sucesso

Finadas organizações japonesas são inspiração para o evento híbrido de MMA com Kickboxing que o Bellator e o Glory vão promover neste sábado

Fernando Arbex

18 de setembro de 2015 | 17h57

Considerada a segunda maior organização de MMA atualmente, o Bellator tem a irritante vocação de preterir o critério técnico em nome do retorno comercial. Já escrevi repetidamente aqui que o UFC também, vez ou outra, se agarra a esse recurso, mas é natural que uma empresa que praticamente detém o monopólio do esporte consiga minimizar essa tendência. De porte menor e ainda em busca de afirmação, o Bellator ainda derrapa tentando equilibrar competitividade e um produto lucrativo. Porém, independentemente das críticas, é justo dizer que Bellator MMA & Glory: Dynamite 1, que será realizado neste sábado, tem tudo para ser um sucesso.

Bellator preparou arena para abrigar eventos de kickboxing e MMA

Bellator preparou arena para abrigar eventos de kickboxing e MMA

Só para fazer uma rápida retrospectiva, vem do Japão a tradição de promover eventos híbridos. O país oriental foi a meca do kickboxing  e do MMA na virada do século 20 para o 21, de forma que os promotores do K-1 e do Pride se aproveitaram para faturar juntos em cima daquela febre ao organizarem em algumas oportunidades eventos com lutas dos dois esportes. No mais famoso deles, em agosto de 2002, 91 mil pessoas pagaram entrada para assistir ao Pride Shockwave Dynamite! – no qual Rodrigo “Minotauro” finalizou o gigante Bob Sapp.

Atrações. O Glory é o evento hegemônico do kickboxing na atualidade, mas não parece estar assim tão bem das pernas, enquanto o Bellator não tem disponível o melhor material humano possível do MMA, mas a ideia de juntar forças é muito boa. Escalado para o combate principal, Tito Ortiz pode não ser um grande lutador hoje em dia – não é desde 2008 -, mas ele com certeza ainda tem um certo apelo comercial (sempre foi um mestre das provocações) e algumas qualidades que podem complicar a vida do inglês Liam McGeary, o dono do título meio-pesado da organização.

Para ser justo, se esse duelo tivesse sido marcado na época do auge do ex-campeão do UFC, eu apostaria em uma vitória dele. Ortiz sempre teve uma trocação falha – embora tenha evoluído nessa área ao longo dos anos – e pouca capacidade de se superar quando apanhava, mas poucos competidores foram tão efetivos depois de derrubar um adversário. Muito forte fisicamente, o norte-americano usava seu wrestling para derrubar rivais e conseguia machucá-los mesmo dentro da guarda, com socos e cotoveladas. Além disso, Ortiz tem bom grappling defensivo e ofensivo – não é finalizado desde sua segunda luta no MMA e tem um leque interessante de submissões.

Porém, o tempo passou e Ortiz já tem 40 anos de idade, além de inúmeras operações pelo corpo. Para quem dependia de sua capacidade física mais do que os outros, aí está um problema. Sorte dele que McGeary adora atuar de costas para o chão tentando pegar rivais com submissões improváveis. O inglês conseguirá finalizar o veterano adversário? Eu não duvido, mas acho improvável. O que não significa que ele vá perder esse combate de cinco rounds, aliás, o favoritismo é todo do atleta britânico, oito anos mais jovem que o oponente.

Torneio. Não bastasse reviver a tradição dos eventos híbridos, o Bellator prepara também um torneio meio-pesado para ser resolvido na própria noite de sábado. É bem verdade que este tem tudo para ser chato, em razão do perfil dos competidores e do formato engessado porque eles só poderão fazer dois rounds na semifinal – o que é justo, GPs como os primeiros do UFC são hoje uma doce memória do passado, porque não dá mais para esperar que atletas façam mais de um combate completo por noite.

Emanuel Newton vs. Phil Davis e “King Mo” vs. Linton Vassel não são confrontos que inicialmente me empolgariam. Inclusive, todos aí tem vocação para buscar vitórias seguras e sem emoção. Mas nunca é possível para cravar nada em um torneio, portanto dá para se permitir um pouco de empolgação. Além disso, uma série de lutas de kickboxing vão intercalar as de MMA, olho principalmente no duelo entre o curitibano Saulo Cavalari e o congolês Zack Mwekassa, revanche válida pelo título meio-pesado do Glory.

Saulo nocauteou o rival com um chute na cabeça no 1º encontro

 

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