Que horas Jones volta? Cormier e Gustafsson duelam no UFC 192

Que horas Jones volta? Cormier e Gustafsson duelam no UFC 192

'Bones' deve competir de novo só em 2016 e lacuna felizmente é bem preenchida por 'DC' e o sueco em disputa de título

Fernando Arbex

02 de outubro de 2015 | 07h16

Um vazio existencial corrói o peito dos fãs de MMA quando um campeão perde o título por razões extra-luta. Melodrama à parte, Jon Jones nesta semana foi sentenciado a cumprir 18 meses de liberdade condicional, portanto em breve devemos vê-lo voltar a competir, provavelmente já em 2016. Enquanto o ex-dono do cinturão meio-pesado do Ultimate acerta as contas com a justiça, que bom que há atletas do calibre de Daniel Cormier e Alexander Gustafsson nesta categoria para nos entreter e eles vão se enfrentar neste sábado, na atração principal do UFC 192.

Cormier e Gustafsson duelam antes de Jones voltar

Cormier e Gustafsson duelam antes de Jones voltar. Crédito da foto: UFC

Histórico. A divisão com limite de peso em 93 kg já foi a melhor do MMA, tanto na época em que o Pride e o UFC mediam forças (com vantagem para a hoje extinta organização japonesa) quanto depois de o Ultimate ter passado a monopolizar o esporte. Porém, a categoria não apresenta a renovação adequada e o quadro seria muito pior se Cormier não tivesse descido dos pesados e Anthony Johnson não resolvesse parar de cortar uma quantidade de peso absurda.

Isso não é problema de Gustafsson, que, superado um tropeço imposto por Phil Davis, enfileirou uma série de vitórias – mesmo que de pouco peso – até perder para Jones em combate memorável realizado há dois anos. Uma revanche passou a ser praticamente obrigatória e muito aguardada pelos fãs, mas “Bones” primeiro preferiu pedir para enfrentar Glover Teixeira, depois o sueco se machucou e abriu espaço para intensa rivalidade entre Cormier e o ex-campeão.

Por fim, o atleta europeu foi nocauteado por Johnson em janeiro deste ano e só vai disputar o título de novo porque Jones vem se mostrando incapaz de não fazer bobagem (tipo cheirar cocaína e fugir de um acidente automobilístico sem prestar socorro a uma gestante). O recente algoz de Gustafsson perdeu em disputa pelo vago cinturão para Cormier, que ficou sem um adversário qualificado para fazer sua primeira defesa. Não foi difícil para o Ultimate escolher entre o sueco, mesmo que vindo de derrota, e Ryan Bader.

A luta. Gustafsson é bem mais alto (1m96 contra 1m80 do oponente) e tentará impor sua técnica de boxe semelhante a de um pugilista olímpico. O sueco entra e sai do raio de ação do adversário com muita facilidade e permanece em constante movimentação. O problema é que ele, apesar da gigante envergadura de 2m01 (13 centímetros a mais do que “DC”), gosta de encurtar a distância e isso contra Cormier é um perigo. A defesa de quedas do desafiante é das melhores da categoria, mas o campeão é um ex-wrestler olímpico e provavelmente é lutador de MMA com mais capacidade de derrubar um rival.

Gustafsson se movimenta, muda de direção, usa a envergadura e golpeia em diferentes alturas

Crédito: MMA NYTT

Gustafsson encurta a distância e golpeia no corpo de Jones. Crédito: MMA NYTT

Isso posto, não é difícil imaginar a estratégia do norte-americano. Espera-se que o campeão vá grudar no sueco para levá-lo ao solo ou amassá-lo contra a grade e golpeá-lo – “DC” domina como poucos o “dirty boxing”. Porém, é bom que ele esteja mais preparado para evitar sofrer muitos ataques no corpo, que por acaso é uma das especialidades de Gustafsson. Contra Jones, Cormier fez a opção de encurtar a distância em linha reta e consequentemente voltou esgotado para o quarto e quinto rounds do duelo.

Golpes sofridos no corpo minaram Cormier contra Gustafsson. Crédito da foto: John Locher/AP

Golpes sofridos no corpo minaram Cormier contra Jones. Crédito da foto: John Locher/AP

Quando Cormier se focou apenas em derrubar Jones, conseguiu

Luta ruim para palpitar, mas imagino que Cormier consiga impor seu jogo agarrado e saia vitorioso por decisão dos jurados. “DC” aguentou golpes de atletas dos pesos pesados e de Anthony Johnson, por isso é improvável que ele seja nocauteado no sábado, mas não descarto que Gustafsson emplaque sua estratégia de bater e sair, de modo a cansar o campeão e vencê-lo por pontos.

Demais lutas. Além do combate principal, seria interessante para a divisão meio-pesado que Rashad Evans voltasse bem ao octógono depois de quase dois anos de inatividade. Se conseguir se mostrar o atleta que já foi, o ex-campeão com certeza vencerá Bader e passará a ser de novo um candidato a disputar o titulo. Por fim, provavelmente será um confronto muito chato, mas o vencedor de *Johny Hendricks vs. Tyron Woodley deverá ganhar uma chance para lutar pelo cinturão meio-médio, então é bom ficar de olho.

*O presidente do UFC Dana White comunicou às 12h04 desta sexta-feira, 2, que Johny Hendricks foi hospitalizado devido ao processo de corte de peso, portanto a luta dele com Tyron Woodley foi cancelada

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.