T.J. Dillashaw e Renan Barão lutam por título e para provar um ponto

T.J. Dillashaw e Renan Barão lutam por título e para provar um ponto

Revanche entre os pesos galos do UFC servirá também para mostrar se o resultado da primeira luta fora ou não um acidente

Fernando Arbex

24 de julho de 2015 | 13h56

T. J. Dillashaw surrou Renan Barão durante cinco longos rounds em maio de 2014, na atração principal do UFC 173, e conquistou o título peso galo do Ultimate em uma das maiores zebras da história do MMA. O triunfo do norte-americano não só encerrou um período invicto de nove anos e 33 lutas do adversário como expôs defeitos até evidentes do então campeão, mas que impressionaram pela forma com que foram explorados. Neste sábado, no último combate do UFC on FOX 16, os rivais vão se enfrentar mais uma vez e colocar à prova seus argumentos que explicam o desfecho do primeiro encontro.

Crédito da foto: Facebook/Reprodução

Crédito da foto: Facebook/Reprodução

Noite perfeita? Dillashaw defendeu seu cinturão apenas uma vez e contra um adversário que descobriu na véspera da luta que disputaria o título – a revanche com Barão não aconteceu em agosto passado porque o natalense passou mal no processo de desidratação e foi substituído por Joe Soto. O campeão, por enquanto, permanece pouco testado desde que conquistou a coroa da divisão dos galos e mesmo antes disso acontecer era difícil prever o que estava por vir.

Dillashaw teve dificuldade, mas nocauteou Soto

Dillashaw mostrara qualidade em suas sete apresentações anteriores na organização (cinco vitórias e duas derrotas), mas era difícil imaginar que ele lutaria com Barão como lutou. Não havia parâmetro suficiente para supor que o norte-americano daria uma aula de movimentação e capacidade de vencer o controle da distância imposto pelo adversário, o resultado  do confronto inclusive consagrou o ótimo trabalho do treinador Duane “Bang” Ludwig.

Dillashaw fez o que quis na primeira luta com Barão

Dillashaw repetirá aquela atuação? Difícil dizer, mas pelo menos agora já se sabe o que esperar. Troca de base de destro para canhoto e vice-versa, incessante movimentação, chutes em diferentes alturas e muitas fintas antes de lançar golpes que raramente vêm sozinhos. O norte-americano provavelmente entrará com a mesma estratégia de um ano atrás e resta saber também se Barão cometerá os mesmos erros ou trabalhou para corrigi-los.

Resumo da primeira luta em um gif

Noite ruim? A parte chata do MMA, para mim, é ler desculpas dadas pelo lado perdedor. Barão sustenta que se preparou mal para aquele combate e que passou a lutar no piloto automático depois de tomar um knockdown no primeiro round. Verdade ou não – e, não me levem a mal, realmente pode ser verdade -, nada anula que Dillashaw explorou erros que o atleta natalense já cometia.

Barão já vinha tendo dificuldade antes de sofrer knockdown

Barão joga muitos golpes no vazio – inclusive seu amado chute rodado, que de fato é perigoso -, o que dá chances para ser contra-atacado. O potiguar se sai muito bem quando controla a distância com chutes nas pernas dos rivais e com o jab, mas ele escolhe ligar o ventilador de socos quando entram em seu raio de ação. Eddie Wineland e Michael McDonald levaram a melhor sobre o ex-campeão quando entraram na curta distância, em confrontos que aconteceram antes do UFC 173.

O agravante é que Barão lutou uma vez depois da derrota para Dillashaw e voltou a falhar em trocas na curta distância, desta vez contra Mitch Gagnon, em dezembro passado. Na revanche de agora é bom que o natalense se foque em pelo menos fazer seu básico, que é manter o rival dentro de sua maior envergadura e chutar a perna do norte-americano para que ele não fique ciscando pelo octógono.

Gagnon teve algum sucesso tentando imitar Dillashaw

O atleta potiguar também poderia aproveitar que é um dos maiores pesos galos em atividade e usar sua força física superior para tentar derrubar Dillashaw – o que é difícil, diga-se, porque se trata de um ótimo wrestler que tem um jogo de solo de alto nível. Uma vez no chão, Barão poderia colocar em prática seu ótimo jiu-jitsu – o ex-campeão é um ótimo passador de guarda e faz muito bem a transição do controle das costas do adversário para o katagatame.

Palpite? Luta imprevisível porque se trata de dois atletas com nível para ostentar esse cinturão, mas o meu amigo Marco Antônio de Carvalho constantemente me pede para eu indicar o vencedor – na verdade ele só quer me cobrar quando eu erro -, por isso aposto em Dillashaw por decisão dos jurados. Provavelmente Marco fará uma reclamação formal contra mim por escolher o rival de um conterrâneo dele, mas essa é a minha posição.

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