Thiago Alves e Charles Oliveira buscam o sucesso no UFC Goiânia

Thiago Alves e Charles Oliveira buscam o sucesso no UFC Goiânia

O Ultimate promove neste sábado mais um evento no Brasil

Fernando Arbex

29 de maio de 2015 | 12h28

O Ultimate visita o Brasil neste sábado, 30, com mais um evento de sua infindável lista anual – pelo menos dessa vez com combates de boa qualidade. Marcado para Goiânia, o UFC Fight Night 67 reserva aos fãs ao menos duas lutas muito empolgantes; pela categoria dos meio-médios, Thiago “Pitbull” Alves encara Carlos Condit.Pelos penas, Charles “Do Bronx” Oliveira pega Nik Lentz. Acho questionável a escolha da organização por promover um card logo depois da realização de algo do porte do UFC 187, mas vamos ao trabalho.

“Pitbull” tenta se credenciar a uma nova disputa de cinturão. Crédito da foto: AP images

Alves vs. Condit. A atração principal do evento traz o confronto de dois atletas azarados por competir durante o auge de Georges Saint-Pierre. O hoje aposentado atleta canadense reinou entre os meio-médios entre abril de 2008 e novembro de 2013, vencendo dez lutas consecutivas pelo cinturão. Vítimas de GSP, os rivais de sábado sofrem de um problema comum para lutadores de alto nível em divisões muito competitivas.

Quando a concorrência é grande, é difícil se manter entre os melhores por muito tempo. Seu estilo passa a ficar manjado e suas qualidades expostas. Todo mundo sabe que a defesa de quedas de Condit praticamente inexiste e que Alves termina combinações de socos com chutes nas pernas. Fazer lutas francas com ambos nunca foi boa ideia – felizmente, no caso de um enfrentar o outro, é provável que não haverá essa preocupação.

Jab de esquerda, finta com o direto de direita e chute pesadíssimo na perna de Koscheck

“Pitbull” não é um estrategista nato. Por exemplo, ele vencia Martin Kampmann até segundos antes do gongo final quando decidiu derrubar o dinamarquês, um especialista em estrangulamentos. O cearense praticamente enfiou a cabeça dentro de uma guilhotina e perdeu o confronto. Antes, foi amarrado contra a grade por Rick Story, um adversário de jogo previsível, e fez pior em revanche contra Jon Fitch: tinha o oponente de costas para o chão e optou por se levantar para lutar em pé. Ficasse ali até o fim do round que inevitavelmente abriria 10×9 na pontuação, mas o norte-americano aproveitou para derrubá-lo e ganhou o assalto – posteriormente o combate.

Estratégia não é o forte do “Pitbull”

Condit tem outros problemas. Ele tem um estilo muito plástico e bonito de assistir, mas muito mal adaptado para as regras unificadas do MMA. É sabido que o norte-americano tem uma defesa de quedas ruim, mesmo assim ele abusa de joelhadas voadoras e chutes variados, ignorando o fato de que isso facilita para que o derrubem. Essa falha em seu jogo é muito culpa de sua técnica de boxe que costuma a ser pobre: apesar de possuir longa envergadura ele é incapaz de manter seus adversários distantes.

Condit falha no boxe e é quedado repetidamente, mas cresce com o passar da luta

Uma vez no chão, o ex-campeão interino do UFC apresenta uma ótima guarda de jiu-jitsu, aplicando muito bem a “guarda borracha”, excelente para finalizar oponentes com triângulos, raspagens a partir de omoplatas e abrir espaço para que ele se levante. Condit tem larga vantagem se esse combate se desenvolver no chão contra Alves, mas não deve ser o caso. O bom para o brasileiro é que ele não precisa bolar nenhum plano do qual ele não está acostumado, porque o norte-americano sofreu muito com chutes nas pernas da última vez que se apresentou, em março do ano passado.

Ao mesmo tempo, é sempre difícil aguentar o ritmo frenético do ex-campeão interino. Alves se defende muito bem, mas sua condição física é sempre uma incógnita – é um atleta que em outras ocasiões se cansou muito cedo em combates e não competiu com muita frequência nos últimos anos por causa de lesões. O resultado é imprevisível, mas Condit entra com ligeiro favoritismo.

Oliveira vs. Lentz II. Quando se enfrentaram pela primeira vez, em junho de 2011, o lutador paulista levava evidente vantagem até acertar uma joelhada ilegal no oponente e tomar proveito disso para finalizá-lo com um mata-leão. “Do Bronx” venceu, mas o triunfo foi anulado. A repetição do embate não deve ser muito diferente, porém. O norte-americano tem um dos estilos mais chatos de se assistir no octógono, ele é um wrestler do estilo carrapato e vai buscar a amarração o tempo inteiro.

O problema para ele é que Oliveira é praticamente impossível de ser amarrado. O brasileiro é um dos praticantes de jiu-jitsu que melhor adapta essa arte marcial para o MMA e acredito que ele vença por finalização.

O jiu-jitsu de alto nível de Hioki não foi páreo para o de “Do Bronx”

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