‘Thominhas’ Almeida é o futuro do Brasil no UFC

‘Thominhas’ Almeida é o futuro do Brasil no UFC

Aos 24 anos, lutador paulistano sobe no ranking dos pesos galos do Ultimate e se credencia como um sério postulante ao cinturão da categoria

Fernando Arbex

09 de novembro de 2015 | 13h31

A renovação de talentos do MMA brasileiro vem deixando a desejar nos últimos anos e é provável que por mais um tempo o País fique atrás dos Estados Unidos na contagem de títulos das grandes organizações. Um alento, porém, é o surgimento de Thomas Almeida, o “Thominhas”, que na noite de sábado aplicou espetacular nocaute em Anthony Birchak, no UFC Fight Night 77, e agora soma quatro vitórias em quatro lutas no Ultimate. Também no Ginásio do Ibirapuera, viu-se as previsíveis vitórias de Vitor Belfort sobre Dan Henderson e Glover Teixeira ante Patrick Cummins, além de mais uma grata apresentação de Alex “Cowboy” Oliveira.

Crédito: Felipe Rau/Estadão

Crédito: Felipe Rau/Estadão

Prospecto. A verdade é que o esporte é individual e pouco importa de que nacionalidade é o campeão, mas é na hora de revelar competidores que as características de cada localidade mais influenciam. As promoções daqui trabalham para que seus lutadores cheguem aos grandes palcos e assinem bons contratos – que vão gerar polpudas comissões -, assim é difícil que duas boas promessas se enfrentem, elas acabam sendo preservadas para não manchar o cartel uma da outra. Também é preciso lembrar que instrutores de jiu-jitsu viajam para ensinar a arte marcial, mas professores de wrestling não chegam. A conta é muito simples e a defasagem na área de quedas evidente.

Os atletas do País que se destacam geralmente são especialistas no jogo de chão que aprenderam a trocar golpes em pé, como Fabrício Werdum e Rafael dos Anjos, lutadores que também desenvolveram bom wrestling, tanto ofensivo quanto defensivo, mas que a maioria dos adversários têm medo de levar para o solo. Há também José Aldo, um caso bem particular de competidor que é bom em todas as áreas, portanto devo tratá-lo como exceção. Por fim, existem legítimos representantes do striking, os que preferem buscar o nocaute.

A Chute Boxe de Curitiba revelou Wanderlei Silva, Maurício “Shogun” (ambos dotados de grande agressividade) e Anderson Silva (o “Spider” se tornou um contra-golpeador depois de trocar de equipe). Essa marca da ofensividade e sede pelo nocaute se vê em Thomas, que surgiu na Chute Boxe de São Paulo, sob a batuta de Jorge Patino, o “Macaco”, e Diego Lima.

Brad Pickett foi nocauteado com uma joelhada voadora

É de se esperar para ver se o time dará a “Thominhas” a estrutura para continuar evoluindo, mas parece ter forjado um atleta sólido. Ele soca e chuta bem, usa joelhadas e cotoveladas como um bom representante do muay thai, costuma manter a guarda alta, combina golpes, é criativo e defende quedas. É sempre bom lembrar que o paulistano sofreu para derrotar o experiente Brad Pickett, inclusive sofreu knockdown antes de nocautear. A juventude e o estilo de luta tornam o brasileiro exposto em alguns momentos, é nesse ponto que ele deve focar em melhorar.

Empolgado, Thomas abaixou a mão direita e não movimentou a cabeça

Thomas já é top 10 da divisão dos galos e acredito que terá pela frente um rival mais bem ranqueado em seu próximo compromisso. Gostaria de vê-lo contra Urijah Faber ou Brian Caraway, oponentes que vão testar definitivamente seu wrestling defensivo e psicológico, porque se tratam de rivais com maior rodagem.

Vídeo do nocaute que Thomas aplicou em Anthony Birchak no sábado.

UFC Fight Night 77. O público paulistano pôde acompanhar boas lutas no Ginásio do Ibirapuera e poucas surpresas. Derrotado por Corey Anderson, Fabio Maldonado segue mostrando uma defesa de quedas deficiente; novamente um atleta da Blackzilians falhou no jogo de chão, desta vez Abel Trujillo foi finalizado facilmente pelo interminável Gleison Tibau; Guida sofreu a décima submissão na carreira, deixar o pescoço descuidado para Thiago Tavares é um erro grave; Gilbert “Durinho” foi superado por um rival superior, Rashid Magomedov é um striker melhor e é impressionante sua capacidade de evitar ir ao solo; Alex “Cowboy” tem futuro, só precisa ser mais precavido; Glover Teixeira segue atuando muito plantado, mas dessa vez conseguiu não ser “amarrado”; Henderson está velho, não tem o queixo de outrora e não sabe enfrentar canhotos, triunfo previsível de Belfort.

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