UFC 187 ou UFC 1? Chris Weidman e Daniel Cormier se consagram

UFC 187 ou UFC 1? Chris Weidman e Daniel Cormier se consagram

Vitor Belfort e Anthony Johnson mostraram deficiência no jiu-jitsu e perderam a chance de conquistar os títulos de suas categorias

Fernando Arbex

25 de maio de 2015 | 18h03

“Só o jiu-jitsu salva”. Essa frase por muito tempo propagandeou a arte marcial desenvolvida pela família Gracie e ainda hoje ela tem sua aplicabilidade. Se a maioria dos jiu-jiteiros puros é incapaz de ter sucesso no MMA de alto nível a culpa é exclusivamente deles, já está bem claro que não há mais espaço para lutadores unidimensionais nesse esporte. Strikers e wrestlers sofreram tanto com finalizações na era do Vale Tudo que aprenderam a no mínimo se defender delas e a evitar a todo custo serem colocados de costas para o chão, lição de casa que Vitor Belfort e Anthony Johnson parecem não ter aprendido. No último sábado, Chris Weidman e Daniel Cormier saíram campeões do UFC 187 com os méritos de explorar falhas clássicas de seus oponentes.

Weidman monta e bate em Belfort sem dó. Crédito da foto: AP

Weidman monta e bate em Belfort sem dó. Crédito da foto: AP

Belfort e Johnson treinam juntos na Blackzilians, mas têm mais coisas em comum. Eles batem pesado, são muito capazes de definir lutas nos primeiros rounds e cansam quando elas se alongam. Era sabido que a guarda de jiu-jitsu do brasileiro não era das melhores, mas foi surpreendente a facilidade com que Weidman conseguiu chegar na montada. “O Fenômeno” recebeu sua faixa preta do formidável mestre Carlson Gracie há 18 anos, mesmo a notória qualidade do campeão no jogo de solo e o precoce cansaço do desafiante não deveriam ser justificativas.

Blitz de Belfort não resultou em nocaute em o cansou

Belfort teve sua chance. Ele circulou pelo octógono para evitar uma possível investida inicial do adversário, depois dominou o centro do tablado e tentou liquidar a fatura com a sua conhecida explosão de golpes em linha reta. Weidman, porém, foi colocado contra a grade, mas se cobriu muito bem da maioria dos ataques e escapou dessa blitz com não mais do que um corte no supercílio. Em seguida, o campeão aplicou um bonita queda no rival, caiu na meia-guarda, trabalhou a passagem sem que fosse incomodado e conseguiu o nocaute técnico da posição da montada.

Se de Belfort era esperado mais qualidade no jiu-jitsu, o mesmo não pode se dizer de Johnson. Sua maior virtude nesse fundamento está em não ser derrubado, porque ele costuma ser finalizado quando isso acontece. O problema é que do outro lado estava um ex-wrestler olímpico que adaptou muito bem sua modalidade para o MMA. Era muito provável que Cormier conseguisse eventualmente a queda, se tivesse tempo para isso.

Por pouco não aconteceu porque “Rumble” quase conseguiu um nocaute precoce, mas ele se cansou tentando. É difícil recriminar sua estratégia porque o jogo dele é exatamente esse, ele não é um cara muito polido ou técnico. Johnson é um atleta oriundo do wrestling com qualidade na luta em pé, mas faltam fundamentos, por isso é melhor entrar para liquidar a fatura. “DC” aguentou a carga inicial e fez seu jogo tradicional de grudar no adversário e lhe tirar todo gás. Foi assim que Cormier achou uma posição favorável no terceiro round e encaixou o mata-leão que lhe garantiu o cinturão meio-pesado – que inevitavelmente terá de ser colocado em jogo em uma revanche contra Jon Jones, quando o agora ex-campeão puder voltar a competir.

Cormier arremessa Johnson no chão. Crédito da foto: AP

Cormier arremessa Johnson no chão. Crédito da foto: AP

Eu não esperava que Belfort e Johnson fossem capazes de achar submissões da posição da guarda, mas jiu-jitsu é muito mais do que apenas finalizar o oponente. Uma vez no chão, que ao menos conseguissem segurar seus oponentes para minimizar os danos, depois poderiam tentar se levantar ou esperar o fim dos rounds. “O Fenômeno” e “Rumble” pagaram por pecados antigos e previsíveis, nós falamos disso nos posts de projeção do UFC 187. O agravante para o brasileiro é que ele já tem 38 anos, foi derrotado em seu segundo combate válido pelo título dos médios do Ultimate e sua condição física aparentou estar bem abaixo da época em que ele podia fazer o TRT.

No mais, o evento de sábado marcou a consolidação do veterano Andrei Arlovski em alto nível, abrindo-lhe caminho para uma possível disputa do título peso pesado em breve, enquanto Donald Cerrone praticamente carimbou presença em uma revanche contra Rafael dos Anjos, que dessa vez será válida pelo título dos leves que hoje está em posse do niteroiense.

 

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