UFC 187 parte 1: Anthony Johnson vs. Daniel Cormier

UFC 187 parte 1: Anthony Johnson vs. Daniel Cormier

No rescaldo na punição de Jon Jones que lhe retirou o título dos meio-pesados do UFC, "Rumble" e "DC" duelam pela coroa

Fernando Arbex

19 de maio de 2015 | 10h56

O UFC traz para os fãs de MMA neste sábado, 23, um de seus melhores cards de lutas montados em anos, incluindo duas disputas de título da melhor qualidade, por isso o Blog Jab-direto promete escrever três textos de apresentação do evento e um depois de sua realização para passarmos a régua. Como é dito aqui repetidamente, o Ultimate é uma empresa privada que visa o lucro, entregar um produto mais ou menos com uma fita dourada é uma forma de ganhar dinheiro. Também há a possibilidade de oferecer algo que realmente valha a pena pagar para assistir, o que é o caso nessa situação.

Vida pós-Jones. É inevitável o gosto amargo na boca de um campeão que não bateu seu antecessor. Até para os fãs a situação é chata, faz parte do esporte a busca por um sujeito ou equipe considerada incontestavelmente melhor. Neste sábado, na atração principal do UFC 187, os excelentes Anthony “Rumble” Johnson e Daniel “DC” Cormier disputarão o título da categoria dos meio-pesados, vago em razão da implosão de Jon Jones, portanto esqueçamos as circunstâncias e falemos dessa que promete ser uma empolgante luta.

Cormier disputará o título dos meio-pesados pela segunda vez. Crédito da foto: John Locher/AP

Cormier disputará o título dos meio-pesados do UFC pela segunda vez. Crédito da foto: John Locher/AP

Duelo estratégico. Azarão em seu último combate, quando foi até a Suécia enfrentar o ídolo local Alexander Gustafsson, Johnson não tomou conhecimento de seu adversário. O plano do UFC de marcar uma revanche entre o sueco e Jones foi por água abaixo primeiro porque o sueco nem a parte dele conseguiu fazer – e não é demérito. “Rumble” corta os espaços e caça seus oponentes como poucos conseguem na gigante área do octógono, a movimentação acima da média do atleta europeu não foi o suficiente para evitar a poderosa blitz do norte-americano.

A abordagem de Cormier neste sábado não será a mesma que Gustafsson teve em janeiro. Diferentemente do sueco, o ex-wrestler olímpico buscará o jogo agarrado a todo custo, o que Johnson foi capaz de evitar com brilhantismo contra Phil Davis há pouco mais de um ano. Mas a diferença é que Davis não só é inferior a “DC” nesse comparativo, mas também tem uma transição da luta em pé para as tentativas de queda muito deficiente.

Cormier teve muita dificuldade para derrubar Jones, mas conseguiu no fim da luta – tarde demais, porém

Cormier apresenta boa técnica de boxe, mas falha ao encurtar a distância em linha reta, ficando suscetível a ser atingido no corpo. Ele fazia luta parelha com Jones em janeiro até o início do quarto round, quando seu preparo físico pagou o preço pela quantidade de golpes sofridas na linha média. Cansado, foi presa fácil para o ex-campeão no restante do confronto, inclusive levou desvantagem no wrestling, sua especialidade.

Cormier sentiu os golpes sofridos no corpo contra Jones. Reprodução/UFC Twitter

Cormier sentiu os golpes sofridos no corpo contra Jones. Crédito da foto: Reprodução/UFC Twitter

É bom também lembrar que Jones é um lutador que usa sua envergadura gigante para manter seus adversários longe, enquanto Johnson caminha para frente. Ele tem em seu arsenal golpes que atingem o tronco de seus rivais, mas sua agressividade o torna um atleta mais exposto a quedas do que “Bones” – por outro lado, está montada a armadilha para ele acertar um de seus poderosos uppers quando o oponente abaixa a cabeça. “Rumble” tem uma boa base de wrestling, boa envergadura e é muito forte fisicamente. Contra Davis ele, ao mesmo tempo em que foi ofensivo, conseguiu manter uma distância segura para contra-atacar as investidas de derrubá-lo.

Johnson não foi derrubado e mostrou bom repertório contra o wrestler Davis

Panorama. É provável que os primeiros dois rounds definam uma luta que deve durar cinco. Johnson não é mais aquele atleta que cortava uma absurda quantidade de peso para atuar entre os meio-médios, seu condicionamento físico melhorou muito desde que ele aceitou que a divisão dos meio-pesados era seu lugar. Se ele conseguir acertar com contundência e regularidade o corpo de Cormier nos primeiros assaltos, sua vida será facilitada para a continuidade do confronto. A “DC” resta tentar impor com perfeição sua estratégia de mesclar uma boa técnica de boxe com entradas de queda.

Weidman vs. Belfort. Visite o blog nos próximos dias para acompanhar os dois últimos capítulos antes do UFC 187. Ainda falaremos separadamente das virtudes e defeitos do campeão Chris Weidman e do desafiante Vitor Belfort, que vão disputar o título da categoria dos médios do Ultimate.

 

 

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