UFC 199 promove revanches com favoritismo para campeões

Luke Rockhold e Dominick Cruz buscam manter títulos dos médios e dos galos, respectivamente, contra Michael Bisping e Urijah Faber

Fernando Arbex

03 de junho de 2016 | 17h43

O UFC 199 vai acontecer eclipsado pelo UFC 200, em julho, e desfalcado de Chris Weidman, que tentaria reconquistar o título da categoria peso médio. O evento deste sábado, porém, reserva duas disputas de cinturão e outras lutas divertidas de se assistir, por isso não deve ser subestimado. Campeões, Luke Rockhold e Dominick Cruz terão pela frente revanches em que eles entram com um considerável favoritismo – e aí que mora o perigo.

Rockhold vs. Bisping II. Esse combate envolve dois lutadores dos quais eu já tratei aqui. Ambos têm sistemas de luta bem definidos e no primeiro encontro que tiveram, em novembro de 2014, Rockhold se impôs sem grande dificuldade. Na maior vitória de sua carreira, em fevereiro, Michael Bisping se aproveitou da recusa de Anderson Silva de tomar a iniciativa no confronto entre eles, mas o estilo do brasileiro favorecia o inglês. Não vai ser o caso no sábado.

Ação comum de Bisping

Bisping inicia suas ações com o jab e a partir daí trabalha com sequências de golpes ou, em menor proporção, entradas de quedas. O problema é que é difícil encurtar a distância para jabear Rockhold, o campeão tem 1m96 de envergadura – contra 1m90 do britânico – e é muito capaz de manter a distância. Canhoto, o norte-americano pune com seu gancho de direita (right hook) quem tentar entrar em seu alcance; se o adversário prefere esperar para contra-atacar, Rockhold o encurrala contra a grade e o chuta com sua perna esquerda – o corpo do rival costuma ser seu alvo preferido.

Bisping não conseguiu encurtar a distância; Rockhold usou o gancho de direita

O campeão tem outros truques na manga, como o brazilian kick (gif) e chutes giratórios, mas seu comportamento em pé é o do parágrafo acima. Bisping vai precisar mostrar uma variedade até incomum para ele, tipo iniciar ataques com a mão direita, a de trás. Será importante que o britânico invista em golpes no tronco do oponente e o ameace em todo momento com entradas de quedas. Ganhar rounds iniciais e quebrar o duvidoso psicológico de Rockhold poderá ser uma chave para vencer. O inglês tem ótimo condicionamento físico e baseia seu estilo no volume, é essencial que ele consiga exercer pressão o tempo todo, mesmo que ele se exponha dessa forma.

Bisping tem bom wrestling e será importante que tente usá-lo

Ao norte-americano basta tentar impor seu jogo corriqueiro. Mesmo se for derrubado, ele tem um jiu-jitsu de alto nível e tem capacidade para se levantar ou tentar uma raspagem, até uma finalização. Se cair por cima, o britânico estará em sérios apuros – perdeu por finalização no primeiro embate entre eles. Com relação a alguma deficiência no aspecto mental, Rockhold tem a seu favor o fato de Bisping não ter grande capacidade para nocautear e causar abalo ao campeão com algum ataque.

Ameaça com o jab e gancho de esquerda para iniciar ataque: Bisping vai precisar desse tipo de variação contra Rockhold

Cruz vs. Faber III. Aos 22 anos, Cruz disputou o título peso pena do WEC e perdeu sua invencibilidade de nove lutas na carreira ao conseguir tomar uma guilhotina depois de derrubar Faber com a guarda passada. Muita coisa mudou de 2007 para cá e agora Cruz não é mais o desafiante – ele vai defender o título peso galo do Ultimate.

O algoz daquela oportunidade, Urijah Faber, reinou por apenas mais um ano e meio no WEC, depois perdeu seu cinturão para Mike Brown e a partir daí ganhou tantas chances de se tornar campeão de novo quanto perdeu. Entre WEC e UFC, foram cinco combates pelo título e cinco derrotas, uma delas para Cruz, e agora eles vão completar uma trilogia.

Francamente, Cruz é muito mais lutador e isso não é demérito para seu rival. Impressiona o fato de o campeão ter ficado quase três anos inativo por causa de uma série de lesões de ligamento no joelho, depois ficar mais um ano e meio no estaleiro por se machucar – de novo no joelho -, e retomar um título que ele só perdeu porque não parava de se machucar. A sequência de desventuras em suas pernas, talvez por milagre, não prejudicaram sua movimentação contra TJ Dillashaw, que não achou Cruz no octógono.

Dillashaw quase nocauteou o ar

E aí entra a questão do parâmetro. Dillashaw tem mais recursos em pé do que Faber, se movimenta melhor, tem fintas para iludir o rival e os chutes que deu nas pernas fizeram com que Cruz desacelerasse ao longo da luta. Faber luta em pé mais plantado e sempre com a mão direita engatilhada, mas não apresenta muito mais do que isso. O desafiante tem ótimo jiu-jitsu, mas derrubar Cruz é tarefa inglória. No chão, porém, está a maior chance de o título mudar de mãos.

Na segunda luta entre eles, Faber pouco acertou

Em 2011, Faber até acertou algumas de suas mãos direitas em Cruz, que foi pego em situações de desequilíbrio e caiu, mas não foram contabilizados como knockdowns. Não há outro caminho para o desafiante que não seja o solo.

Cruz caiu, mas o golpe de Faber não o machucou

Demais lutas. Dan Henderson vs. Hector Lombard vai ser engraçada porque são dois lutadores que cansam rapidamente e lutam para nocautear o rival com uma abordagem até grosseira – o que é sempre legal de assistir. Em ótima fase e com muitas armas em pé, Max Holloway vai colocar a prova seu crescimento contra o grappler Ricardo Lamas. Dustin Poirier vs. Bobby Green, Brian Ortega vs. Clay Guida e Baneil Dariush vs. James Vick deverão ser um bom aquecimento para os combates principais.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.