UFC Barueri confirma tendências

UFC Barueri confirma tendências

Lyoto Machida vence sem suar e Renan Barão volta a sofrer na curta distância, mas derrota canadense por finalização

Fernando Arbex

21 de dezembro de 2014 | 11h00

A noite de lutas do UFC Fight Night 58 em Barueri trouxe uma série confirmações. Rashid Magomedov reafirmou que os russos vieram para ficar; é preciso evitar fazer guarda de jiu-jitsu – mesmo a do nível do campeão mundial Antonio Carlos “Cara de Sapato” –; Renato “Moicano” finalizou um adversário duro e manteve o rótulo de promessa do MMA nacional, enquanto a ainda promessa Erick Silva despachou outro rival abaixo do seu nível em um evento no Brasil. Aos 30 anos, o representante da X-Gym/Team Nogueira provavelmente terá em 2015 nova oportunidade contra um meio-médio de peso.

Quando isso acontecer, eu pretendo escrever sobre as possíveis causas que impedem o capixaba de decolar no Ultimate, mas desta vez falemos das duas lutas principais.

Lyoto Machida vs. CB Dollaway

Crédito: Wander Ribeiro/Inovafoto

Crédito: Wander Ribeiro/Inovafoto

Demorou 62 segundos para que fossem mantidas algumas impressões. Dollaway havia tentado subir um degrau muito alto na carreira e Lyoto é um concorrente sério a disputar o título dos médios de novo. Como eu havia comentado no meu primeiro post neste blog, “O Dragão” vinha chutando com mais frequência desde que desceu de divisão e mesclando seu tradicional jogo de contra-ataque com momentos de tomada de iniciativa.

Em sua estreia nos médios, em outubro de 2013, o carateca chutou três vezes o corpo de Mark Muñoz antes de nocauteá-lo com uma canelada na têmpora. A estratégia no sábado foi a mesma contra outro wrestler, a diferença é que Dollaway absorveu um chute na perna da frente, mas não mais do que um golpe nas costelas. “Achei que ele fosse chutar a minha cabeça, mas caí na finta, o ataque passou por baixo do meu cotovelo e entrou. Eu andei para trás e fiquei meio paralisado. Foi uma derrota horrível”, afirmou o “Doberman” após o combate.

Canhoto, Lyoto dá um passo para fora da linha de Dollaway e acerta o chute

O norte-americano parecia não estar preparado para enfrentar um canhoto desse nível, visto que aparentou ter dificuldades no começo da luta com o trabalho da mão direita de seu rival. Quando um canhoto e um destro se enfrentam, as mãos responsáveis pelo jab tendem a se anular pela proximidade que uma tem da outra. O ideal é sempre dar um passo com o pé da frente para o lado de fora do adversário, buscando um ângulo favorável para o uso da mão ou da perna de trás. Lyoto usou a mão direita para matar a esquerda de Dollaway e a perna esquerda com a precisão de sempre.

Lyoto mata a mão da frente do rival

Lyoto mata a mão da frente do rival

Desafiado por Luke Rockhold, o carateca provavelmente terá no ano que vem um combate entre exímios chutadores, que deixará o vencedor na trilha certa para a conquista de uma disputa de cinturão na divisão dos médios.

Renan Barão vs. Mitch Gagnon

Eu não havia me animado a escrever sobre esse combate, uma vez que me pareceu apenas um castigo que o ex-campeão dos galos tinha a superar após falha em bater o peso no UFC 177. Surpreendentemente, o canadense fez uma grande luta e voltou a expor falhas de Barão quando este aceita trocar golpes na curta distância. Quando pressionado, o potiguar se expõe ao lançar combinações de socos ou procura espaço jogando o corpo para trás com a mão esquerda estendida.

Felizmente, o atleta da Nova União tem em Dedé Pederneiras um ótimo instrutor e qualidades que ele conseguiu impor para vencer o duelo. Trabalhando apenas o jab e o chute na perna, Barão tem condição de vencer qualquer peso galo que não TJ Dillashaw e Dominick Cruz. Isso sem contar seu alto nível no jiu-jitsu. Depois de mais de 13 minutos de uma luta muito física, em boa parte travada no clinch, Gagnon mais uma vez na carreira demonstrou cansaço – agravado pelas joelhadas no corpo desferidas pelo rival –, tornando-se presa fácil para Barão quando a luta foi para o solo. Tivesse se comprometido a chutar o ex-campeão quando este se projetava em fuga, o canadense poderia ter tido melhor sorte, mas aparentou ter potencial para se firmar como um top da divisão.

Por sua vez, mais do que prometer arrancar a boca de Dillashaw, Barão precisa corrigir essas falhas já mencionadas e entender que não há necessidade aceitar trocas de golpes tão abertas, uma vez que ele tem ferramentas para derrotar tecnicamente a maioria de seus oponentes.

Confira todos os resultados:

Card principal:

Lyoto Machida venceu CB Dollaway por nocaute técnico no primeiro round
Renan Barão finalizou Mitch Gagnon no terceiro round
Patrick Cummins venceu Antônio Carlos “Cara de Sapato por decisão unânime dos juízes (triplo 30×27)
Rashid Magomedov venceu Elias Silvério por nocaute técnico no terceiro round
Erick Silva finalizou Mike Rhodes no primeiro round
Daniel Sarafian venceu Júnio Alpha por nocaute técnico por lesão no segundo round

Card preliminar:

Marcos “Pezão” venceu Igor Pokrajac por nocaute técnico no primeiro round
Renato “Moicano” finalizou Tom Niinimaki no segundo round
Hacran Dias venceu Darren Elkins por decisão unânime dos juízes (duplo 29×28 e um 30×27)
Leandro Issa finalizou Ulka Sasaki no segundo round
Tim Means venceu Marcio Alexandre por decisão dividida dos juízes (29×28, 28×29 e 29×28)
Vitor Miranda venceu Jake Collier por nocaute técnico no primeiro round

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