UFC Curitiba tem Miocic, ‘Jacaré’ e Maia como vencedores

UFC Curitiba tem Miocic, ‘Jacaré’ e Maia como vencedores

A divisão peso pesado do Ultimate conheceu novo campeão após Werdum cometer erro e ser nocauteado por rival norte-americano

Fernando Arbex

15 de maio de 2016 | 12h22

Fabrício Werdum correu em linha reta para cima de seu adversário no UFC 198, em Curitiba, e ganhou de presente um nocaute neste sábado. Novo campeão peso pesado, Stipe Miocic começou a luta tendo dificuldade com o muay thai do brasileiro, mas vinha se ajustando e bloqueando chutes na perna – aspecto no qual já foi falho – até aproveitar a oportunidade que teve de definir o combate. Além do norte-americano, Ronaldo Souza, o “Jacaré”, e Demian Maia foram os grandes vencedores do evento porque agora estão muito próximos de disputar os títulos de suas categorias.

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Física. Só para relembrar a aula que todos nós tivemos no ensino médio. Força é igual ao resultado da multiplicação da massa pela aceleração. Embora tenha poder em suas punhos, Miocic estava andando para trás e não tinha muito espaço para acertar o mais forte dos socos, mas em sua direção vinha correndo um homem de 109 Kg. Werdum facilitou o trabalho do desafiante ao título e perdeu o cinturão.

Não sei se o gaúcho se empolgou com a torcida ou entrou desconcentrado, a verdade é que é dele esse estilo brincalhão. Prefiro não me ater a subjetivismos, tenho certeza que Werdum é bem treinado e não faço ideia do porquê ele cometeu esse erro, mas fato é que ele quase fez uma curva no octógono para caçar um oponente que não estava machucado. Miocic não é o mais brilhante dos campeões, mas venceu um adversário que no papel lhe era desfavorável e voltará para os Estados Unidos com o título. O próximo desafiante da fila deve ser Alistair Overeem, o que me dará a oportunidade de escrever uma análise bem legal do holandês.

Jiu-jitsu. O evento em Curitiba reuniu os três jiu-jiteiros mais bem sucedidos que migraram da arte suave para o MMA. Werdum não teve sucesso, mas foi lindo ver “Jacaré” e Maia usando a modalidade para vencer. Por outro lado, o nível de chão de Vitor Belfort mais uma vez deixou a desejar. Aos 39 anos e sem a possibilidade de usar o TRT, “O Fenômeno” parece não ter mais a possibilidade de explodir nos primeiros momentos do confronto e no sábado ele repetiu o velho hábito de puxar o rival para a guarda quando se sente ameaçado. O problema é que não se faz isso contra “Jacaré”.

Para ser justo, Belfort conseguiu fugir quando o oponente passou a guarda, foi um bonito giro que permitiu que a luta voltasse a ficar em pé. Pressionado na sequência, tomou a infeliz decisão de se deitar, como fez no passado – e sem sucesso – contra Kazushi Sakuraba, Overeem e Jon Jones. Aí foi gol dado para “Jacaré”, que sem dificuldade alcançou a montada e bateu no adversário por quase um minuto até o árbitro interferir. Vencedor, o especialista em jiu-jitsu deve ser o próximo desafiante ao título dos médios, a não ser que Yoel Romero volte de suspensão por doping, que acaba em julho, e seja o escolhido. A punição foi por flagra após vitória sobre “Jacaré”, em combate mal arbitrado e mal pontuado em favor do cubano, por isso acho que seria mais justo dar a chance ao brasileiro.

Já na última luta do card preliminar, Maia fez o de sempre em sua trajetória nos meio-médios: mergulhou no single leg, derrubou e fez a transição para as costas quando o rival tentou usar a grade para se levantar. O paulistano é um dos que melhor usam as paredes do octógono a seu favor e seria surpresa se Brown conseguisse evitar.

Assim como em outras nove vezes anteriores, o norte-americano foi finalizado e é até um mérito ele ter durado até o terceiro round. O soco mais efetivo que ele acertou neste fim de semana foi no torcedor na Arena da Baixada que o puxou enquanto caminhava em direção ao octógono. Brown é bom lutador e muito divertido de ver em ação, mas estava claro que seu bom posicionamento no ranking era circunstancial, porque ele tem dificuldade de defender quedas em uma divisão lotada de especialistas no quesito.

Por outro lado, Maia agora tem de torcer para que Robbie Lawler mantenha o título quando enfrentar Tyron Woodley e que Rory MacDonald derrote Stephen Thompson, porque o canadense já perdeu duas vezes para o campeão. Neste cenário, não haverá melhor opção entre os meio-médios para disputar o título – diga-se, porém, que por questão de cronologia e falta de apelo comercial é capaz que o paulistano tenha de enfrentar Carlos Condit ou Johny Hendricks, caso este derrote Kelvin Gastellum, já que ambos estão à frente no ranking da divisão.

Maurício ‘Shogun’. O curitibano venceu sua segunda luta polêmica seguida, porque, assim como contra Rogério “Minotouro” em agosto do ano passado, há quem tenha discordado da pontuação anunciada. Ao contrário daquela oportunidade, quando venceu o compatriota por unanimidade na papeleta dos jurados, no sábado o triunfo veio por decisão dividida e mais um vez reafirmou a impressão de que a lenda não consegue mais atuar em alto nível. Como esse combate com Corey Anderson não tinha a menor relevância, deixo para depois um post para tratar da carreira da realidade atual de “Shogun”.

Cristiane ‘Cyborg’. Impossível ser mais previsível, que o UFC crie vergonha na cara e coloque para funcionar a divisão feminina dos penas. Infelizmente, a curitibana não tem condição física de baixar para a categoria dos galos e disputar o título.

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