Vai, cavalo! Werdum choca o mundo de novo e é campeão do UFC

Vai, cavalo! Werdum choca o mundo de novo e é campeão do UFC

Lutador gaúcho vence por finalização e soma mais um feito incrível a uma carreira improvável

Fernando Arbex

15 de junho de 2015 | 21h10

Fabrício Werdum teve grande atuação contra Cain Velásquez no UFC 188. Crédito da foto: Christian Palma/AP

Fabrício Werdum teve grande atuação contra Cain Velásquez no UFC 188. Crédito: Christian Palma/AP

Mais uma vez Cain Velásquez voltou de um período de inatividade superior a um ano e mais uma vez o agora ex-campeão peso pesado do Ultimate foi derrotado quando tentava defender seu cinturão sob essa circunstância. No sábado, a teórica superioridade do norte-americano sobre Fabrício Werdum esbarrou em limitações físicas e estratégicas, enquanto o gaúcho teve ótimo desempenho na disputa por título no UFC 188. Aos 37 anos, “Vai Cavalo” pode se gabar de ter no currículo conquistas no jiu-jitsu, no ADCC e no UFC, além de vitórias por finalização sobre Velásquez, Rodrigo “Minotauro” e Fedor Emelianenko – o triunfo sobre o russo, aliás, havia sido até mais surpreendente.

Werdum cai com a guilhotina encaixada e sorri antes de Velásquez dar os tapinhas

Respostas. Era sabido que voltar a competir depois de 20 meses fora do octógono poderia afetar o desempenho do atleta norte-americano, esse fator e o falho planejamento de chegar à Cidade do México apenas duas semanas antes do combate ajudam a explicar o cansaço precoce que ele apresentou na luta. Werdum no primeiro round se permitiu entrar em uma roleta russa de golpes trocados que só beneficiava a quem queria terminar o trabalho cedo. É possível que Velásquez tenha se afobado na tentativa de conseguir um nocaute rápido, talvez porque soubesse que não teria gás para cinco rounds, mas a verdade é que o gaúcho correu muito perigo nos primeiros cinco minutos.

As respostas das perguntas que o ex-campeão tinha a responder, das quais tratamos no post pré-evento, foram as mais lógicas possíveis. Antes de apresentar um cansaço esperado, Velásquez se mostrou um striker mais preciso e com mais potência nos golpes. Ele também evitou fazer seu tradicional jogo agarrado, para tirar de Werdum a chance de encaixar o clinch de muay thai, e abriu mão das quedas porque sabia do perigo de entrar na guarda do gaúcho. O problema do norte-americano foi insistir em um estilo de luta muito intenso para alguém que não estava preparado para isso. Se cadenciasse o ritmo e investisse em seus potentes chutes nas pernas desde o primeiro round, possivelmente teria um futuro mais promissor no confronto.

Cordeiro. Diga-se, porém, que uma melhor estratégia não era garantia de vitória para o ex-campeão. Aliás, o próprio Werdum fez um primeiro round pouco inteligente e correu riscos, mas há de se destacar os méritos de ter encontrado a distância com o jab no final do primeiro round e acertado bons chutes frontais no corpo do rival. Melhor ainda foi o treinador Rafael Cordeiro tê-lo instruído a diminuir o ritmo da troca de golpes, porque Velásquez voltaria fadigado para o segundo assalto. Daí em diante, o lutador gaúcho se aproveitou da maior envergadura para machucar o oponente de um alcance seguro e o pegou com joelhadas do clinch quando havia a aproximação.

Werdum comemora com o mestre Rafael Cordeiro e outros membros da Kings MMA. Crédito: Instagram

Werdum comemora com o mestre Rafael Cordeiro e outros membros da Kings MMA. Crédito: Instagram

Vendido no combate, Velásquez fez a única coisa que não poderia. Levou Werdum para o chão e foi finalizado com uma guilhotina sem impor dificuldade. Werdum se tornou campeão do UFC depois de 26 lutas na carreira, o que ninguém poderia supor quando ele surgiu no MMA apenas tentando impor suas credenciais do jiu-jitsu, enquanto hoje ele é um atleta completo. Ponto (mais um!) para Rafael Cordeiro, que fez o mesmo com o niteroiense Rafael dos Anjos, o atual campeão dos leves do Ultimate. A Kings MMA hoje é a academia com mais títulos na organização e Cordeiro soma outro triunfo em sua carreira de técnico, que contava com o cinturão dos médios do Pride, que Wanderlei Silva ostentou de 2001 a 2007, e a vitória no badalado GP dos médios de 2005 da promoção japonesa, conquistado por Maurício “Shogun”

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