Velásquez enfrenta Werdum com dúvidas a responder no UFC 188

Velásquez enfrenta Werdum com dúvidas a responder no UFC 188

Após longo período longe do octógono, o campeão encara o campeão interino em combate de unificação de cinturões dos pesados no Ultimate

Fernando Arbex

12 de junho de 2015 | 11h01

A divisão dos pesados no MMA se notabiliza pela baixa qualidade técnica de seus lutadores, mas ao menos as disputas por título têm reservado duelos interessantes. Campeões, Cain Velásquez, o oficial, e Fabrício Werdum, o interino, vão se confrontar neste sábado, na atração principal do UFC 188, na Cidade do México, em busca da unificação dos cinturões da categoria no Ultimate. Como o cartaz do evento diz, só pode haver um.

Velásquez não pisa no octógono há 20 meses. Crédito: Pat Sullivan/AP Images

Velásquez não pisa no octógono há 20 meses. Crédito: Pat Sullivan/AP Images

Se há dois, a “culpa” é do atleta norte-americano – que deverá ter amplo apoio da torcida em razão de suas raízes mexicanas. Velásquez de novo passou por um longo período machucado e da última vez que isso aconteceu o desfecho não lhe foi satisfatório. Não só por causa do tempo inativo, diga-se, em novembro de 2011 o então e futuro campeão fez uso de uma estratégia pouco inteligente e foi derrotado em apenas 63 segundos por Junior dos Santos – insucesso devidamente vingado em duas oportunidades.

Realismo. A condição física de Velásquez para sábado é mera especulação, mas o parâmetro que se tem não é empolgante – ele ficou 13 meses inativo antes de ser nocauteado por “Cigano” e o período atual sem competir é de 20 meses. Isso posto, não há como não vê-lo como favorito. O campeão tem qualidades físicas e técnicas que justificam sua superioridade sobre os demais colegas da categoria dos pesados, embora ele possa encontrar em Werdum seu anti-jogo perfeito.

Se no primeiro combate contra “Cigano” Velásquez aceitou a luta em pé e pagou o preço, o mesmo não se repetiu nos encontros seguintes. Realista como seu xará espanhol, o pintor, o atleta norte-americano abafou o rival contra a grade, fazendo uso de seu wrestling superior para impedir que o brasileiro fosse preciso em seus golpes. Dos Santos evitou ficar repetidamente e por longos minutos de costas para o chão, o que é um feito notável, mas careceu de uma melhor movimentação para impedir os clinches. Quando finalmente se separavam, o confuso e cansado “Cigano” se expôs a golpes que liquidaram a fatura.

Pressão é o codinome de Velásquez

Vai Cavalo. A questão é que contra Werdum a estratégia certa não está muito clara. O gaúcho tem no currículo dois títulos mundiais de jiu-jitsu na faixa preta e duas medalhas de ouro no ADCC, o maior campeonato de grappling sem quimono. Não só suas credenciais são as melhores possíveis, o lutador apelidado de “Vai Cavalo” já se provou no MMA um exímio finalizador, o que o então invicto há dez anos Fedor Emilianenko notou em junho de 2010. “O Último Imperador” pagou o preço pela arrogância de entrar na guarda do rival e só saiu de lá depois de ceder a uma submissão.

Está muito claro que derrubar Werdum não é uma boa ideia, mas as opções que restam também não são das mais seguras. O campeão interino, treinado pelo excelente Rafael Cordeiro, desenvolveu um jogo de muay thai clássico da escola curitibana da Chute Boxe. Agressividade, combinações de golpes que terminam com chutes e um mortal jogo de clinch são a receita. Não é o estilo mais polido e técnico, mas funciona. Se Velásquez quiser pressionar o rival contra a grade, que ele esteja pronto para impedir que o gaúcho abrace sua nuca e desfira joelhadas.

Chute Boxe vive

Incógnitas. Velásquez não vai mal na luta em pé, ao contrário, mas um wrestler que tem um bom striking perde muito quando o adversário não se sente ameaçado pelas quedas e esse é o caso. Werdum, aliás, usou muito bem desse artifício contra Hunt, quando tentou derrubar o rival, mesmo que despretensiosamente, o que abriu espaço para que uma joelhada definisse o confronto. Repetir a dose no sábado seria interessante, um cenário muito ruim para o norte-americano é o de ficar de costas para o chão contra um jiu-jiteiro desse nível.

Movimentação e pressão constantes foram suficientes para Velásquez ter sucesso na guarda de “Pezão”. Serão o bastante para Werdum?

A luta promete ser parelha e seu desfecho passará pelas respostas de algumas perguntas. Velásquez estará em uma boa condição física para imprimir seu conhecido estilo de pressão incessante? Mesmo que tenha uma grande capacidade de jogar por cima do adversário, Velásquez terá coragem de derrubar Werdum? Se clinchar, Velásquez bloqueará o clicnh de muay thai do oponente? Ambos demonstram ter um striking agressivo, mas com falhas defensivas, quem dos dois terá mais sucesso na luta em pé? O norte-americano é favorito, mas o meu palpite é de que o atleta gaúcho, que tem menos questões a responder, sairá vitorioso do octógono.

A finta da queda foi determinante para abrir espaço para a joelhada

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