Vento com areia é uma mistura muito chata no Dacar
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Vento com areia é uma mistura muito chata no Dacar

Jean Azevedo

13 de janeiro de 2015 | 20h01

Hoje, o Rali Dacar chegou em Calama, em pleno deserto chileno. Todos brincam que aqui é uma “calamidade”. Tirando os exageros e as brincadeiras, não está longe.

Poeira. Foi o que eu mais vi nesta etapa do Dacar. Foto: José Mário Dias/Fotop/VIPCOMM

Poeira. Foi o que eu mais vi nesta etapa do Dacar. Foto: José Mário Dias/Fotop/VIPCOMM

Aqui venta bastante, o tempo todo, e o piso do acampamento é de areia fina. O pessoal que tem vários ralis na bagagem usa óculos especiais para proteger os olhos da areia fina.

Há também quem improvisa e opta pelos óculos de pilotagem, iguais aos que utilizo para correr. Sem eles, seria impossível andar pelo acampamento.

Se aqui tem vento e poeira, na etapa cronometrada de hoje, a situação estava bem mais complicada entre Iquique e Calama. Como eu larguei na 51ª posição, já que na véspera tive problemas com o radiador da minha moto, que explodiu, foi bem perigoso o dia.

Ultrapassar era um voo cego na nuvem de poeira. O mais difícil era passar os quadriciclos, que fazem tanto pó quanto os carros. Quem me deu trabalho foi o polonês Rafal Sonik, que já correu várias vezes no Brasil no Rally dos Sertões. Fiquei mais de 100 quilômetros atrás dele. Só consegui passá-lo quando ele errou o caminho e saiu da rota original.

Outro inimigo foi o “fesh fesh”, que é uma areia bem fininha que mais parece talco. Além da poeira, ela esconde buracos, pedras e outros obstáculos na pista. E hoje, o que não faltou foi isso. Fazer ultrapassagens na poeira e com o piso “fesh fesh” é muito arriscado.

Falta pouco para terminar o rali e estou traçando a estratégia para levar minha CRF 450 Rally até Buenos Aires, local da chegada do Dacar.

Maratona

E nesta quarta-feira, temos mais desafios pela frente. Vamos para outra etapa maratona até Cachi, onde não poderemos ter apoio mecânico. Nós mesmos, pilotos, devemos fazer a manutenção nos veículos. Espero que tenhamos um dia melhor do que a maratona em Uyuni, na Bolívia. Foi uma etapa para esquecer, pois deu tudo errado naquele dia.

Falta pouco. Continuem na torcida! É o Brasil no Dacar!

* Jean Azevedo é piloto da equipe Honda South America Rally Team e tem 17 participações no Rally Dacar. Ele corre com uma moto CRF 450 Rally.

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