O que esperar do GP da China

liviooricchio

15 de abril de 2011 | 13h37

15/IV/11

São dois os cenários possíveis para as 56 voltas do GP da China, amanhã às 4 horas de Brasília, no Circuito Internacional de Xangai, terceira etapa do campeonato. Se o primeiro treino livre de sexta-feira, quando algumas equipes já simularam a corrida, for a referência, então Sebastian Vettel e Mark Webber, salvo surpresa, poderão celebrar a terceira vitória na temporada.

Depois de completer 23 voltas, Vettel ficou com o melhor tempo a assustadores 2 segundos e 106 milésimos de Lewis Hamilton, da McLaren, terceiro. Webber foi segundo, 615 milésimos mais lento. Mas se o resultado da sessão da tarde for o que vai orientar o desenvolvimento da prova, Red Bull, McLaren, Ferrari e até a Mercedes podem oferecer o melhor espetáculo do Mundial até agora.

Mais uma vez Vettel obteve o melhor tempo, 1min37s688, ao final de 34 voltas. Ocorre que Felipe Massa, da Ferrari, registrou a sexta marca, mas a 819 milésimos do alemão, atual campeão do mundo e líder na classificação, com 50 pontos, seguido por Jenson Button, da McLaren, com distantes 26. Hamilton vem em terceiro, com 22.

Nesses oito décimos de segundo entre Vettel e Massa estão Hamilton, Button, e a dupla da Mercedes, Nico Rosberg e Michael Schumacher. Está faltando Fernando Alonso, companheiro de Massa na Ferrari, que com problemas hidráulicos completou 15 voltas de manhã e 17 à tarde. O espanhol tinha um novo aerofólio dianteiro e outras pequenas modificações no carro. Os pilotos da Renault, com dois pódios, em Melbourne e Sepang, Nick Heidfeld e Vitaly Petrov, ao menos nas sessões livres não apresentaram a mesma velocidade inicial, mas devem vir forte, tendo-se em conta seu ritmo de competição.

Foi o proprio Alonso quem se antecipou, ontem, para projetar a corrida, mesmo assistindo a parte da segunda sessão dos boxes, enquanto aguardava a recuperação da sua Ferrari. “Penso que aqui em Xangai tanto nós quanto a McLaren vamos estar mais próximos da Red Bull durante a prova, como ja aconteceu na Malásia.” O espanhol aposta, portanto, no cenário do treino da tarde para dimensionar o GP da China.

Massa esta um pouco menos otimista. “Tudo é muito fácil para a Red Bull. Eles põem o carro na pista e de cara já vem tempo. Suas simulações de corrida são impressionantes.” Vettel completou 19 voltas seguidas, a tarde, sempre com tempos muito bons, a maior parte na casa de 1min43s para os seletivos 5.451 metros da bela pista, sugerindo estar bem pesado, pois virou na casa de 1mins37s logo depois, provavelmente em razão de ter reduzido o volume de combustível.

“O desgaste de pneus aqui em Xangai sera menor que em Sepang” disse Vettel, confiante em outro desempenho extraordinário da Red Bull. “É possivel pensarmos em duas paradas, mas dependerá de como a competição se desenvolver.” Há ainda o risco de chuva, conforme previsão meteorológica da France Press, empresa contratada pela FIA.

Em condições normais, ninguém simulou séries seguidas de voltas tão bem quanto Vettel e Webber, o que lhes dá, em princípio, uma vantagem segura nos 305 quilômetros do GP da China. A exemplo da etapa malaia, muitas ultrapassagens deverão ocorrer na prova de Xangai. “Penso que até mais do que em Sepang porque a reta é maior e a área de frenagem no final tambem é larga, permitindo escolher trajetória”, disse Schumacher que, no ano passado, na sua volta à Fórmula 1, disputou no circuito chinês sua pior prova do campeonato, tendo cometido vários erros.

Ontem, antes da classificação, demonstrou o mesmo surpreendente otimismo de outras ocasiões este ano. “Não vamos disputar um GP tão ruim como o da Malásia” afirmou. Em Sepang, terminou em nono e Rosberg, 12.º. A sessão da tarde, se real, mostrou mesmo um avanço da Mercedes.

Rubens Barrichello, da Williams, sentia-se incomodado depois dos dois treinos livres. “A Williams trouxe um novo sistema de escapamento e outras peças complementares. Criamos expectativas elevadas, mas o carro está desequilibrado demais”, explicou.

Logo depois da corrida, o equipamento das 12 escuderias será embarcado para suas bases, na Europa. Há pressa. Um longo trabalho de estudos aerodinâmicos, notadamente, pemitirá incorporar nos carros modificações significativas para o GP da Turquia, etapa seguinte do calendário, dia 8 de maio. Será quase que o reinício da temporada. Mas o desafio é grande: a vantagem técnica da Red Bull é hoje significativa.

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