22 etapas em 2014: equipes são contra

liviooricchio

23 de julho de 2013 | 15h15

23/VII/13
Nice

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A agradável notícia da reinclusão do GP da Áustria no calendário já do ano que vem, anunciada nesta terça-feira pela equipe Red Bull, pois a prova será no circuito de sua propriedade, em Spielberg, deve ter gerado alguns telefonemas entre chefes de equipe.

Não há na Fórmula 1 quem não veja com ótimos olhos a volta da etapa na belíssima região da Estíria, fim da cordilheira do Alpes austríacos, apesar da falta de estrutura para grandes eventos. Mas há algo que preocupa sobremaneira os profissionais da competição: a extensão do próximo campeonato. Por enquanto, confirmadas, são 22 corridas.

“Não há como o Mundial ter 20 ou mais etapas”, vem afirmando, regularmente, Martin Whitmarsh, chefe da McLaren, quando ainda se falava em 21 provas e não 22 em 2014. O dirigente inglês já adiantou ser do interesse da Fórmula 1 ir aos mais distintos países. “Mas a questão é logística. E de orçamento”, afirma Whitmarsh, expressando o que pensa a maioria na categoria.

O GP da Hungria, domingo, no circuito Hungaroring, será o décimo da temporada. No total, o campeonato vai ter 19 provas. Estão confirmados para 2014, porém, a estreia do GP da Rússia, na estação balneária de Sochi, no Mar Negro, cujo autódromo está em construção, e do GP das Américas, nas ruas de Nova Jersey.

Isso quer dizer que com o GP da Áustria o Mundial de 2014 vai ter 22 corridas se nenhuma nação for retirada do calendário.

É pouco provável que será mesmo assim. “As equipes trabalham com uma previsão orçamentária. A extensão do campeonato de 19 para 21 etapas exigiria rever os planos de despesas e investimentos, dentre outros desdobramentos”, comentou Eric Boullier quando começou a ficar claro que a próxima temporada teria duas etapas a mais. E com a Áustria serão três.

Com toda certeza o tema será debatido entre os representantes das escuderias no circuito Hungagoring nos dias do GP da Hungria. Parece não haver dúvida de que irão solicitar a Bernie Ecclestone, promotor do Mundial e quem define, essencialmente, o calendário, esclarecimento sobre a sua extensão. Ao mesmo tempo, provavelmente, não concordarem.

A razão maior para não haver testes na Fórmula 1 é conter os custos. “O que custa caro é pôr o carro para andar na pista”, costumava dizer Flavio Briatore, ex-diretor da Renault e Benetton. “Duas provas a mais representam importante impacto no orçamento da maioria das equipes”, afirmou Boullier. Em Budapeste o francês deverá comentar sobre três corridas, no caso de todas serem confirmadas.

Em Xangai, Ecclestone disse ao Estado ter dúvida se, de fato, os promotores do GP das Américas iriam cumprir as promessas de viabilizar o evento nas ruas da cidade. A prova deveria ser disputada já este ano, mas alegaram não haver tempo para preparar tudo. A questão é outra: dinheiro. Se existe uma etapa com possibilidade de não ocorrer é a da costa leste dos Estados Unidos, em Nova Jersey.

Mesmo assim a Fórmula 1 se apresentará em 21 circuitos distintos, o que vai contra o desejo da maioria dos chefes de equipe. Com fundamentadas razões argumentam ser necessário orçamento incompatível com a realidade da economia mundial e enfrentar imensas dificuldades logísticas.

“Como o campeonato deve terminar muito tarde, teremos bem pouco tempo para trabalhar apenas nos modelos do ano seguinte”, lembrou Stefano Domenicali, diretor da Ferrari, quando ainda se falava em 21 corridas e não 22.

Nas próximas semanas a FIA vai divulgar o calendário básico de 2014 e algumas perguntas a esse respeito começarão a ser respondidas. Uma coisa é certa: será surpreendente se a próxima edição do Mundial terá mesmo 22 provas.

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