A afirmação de Alonso é mais séria que o grave erro dos comissários

liviooricchio

28 de junho de 2010 | 14h34

28/VI/10

Livio Oricchio, de Zurique

  Depois de Fernando Alonso afirmar, domingo, que o resultado do GP da Europa, em Valência, “foi manipulado”, ontem o presidente da sua equipe, a Ferrari, Luca di Montezemolo, completou: “O que aconteceu é sério, inaceitável, cria um perigoso precedente e lança uma sobra na credibilidade da Fórmula 1.”

  Quando o safety car recebeu do diretor de corrida, Charlie Whiting, a ordem para entrar na pista por causa do grave acidente com Mark Webber, da Red Bull, na oitava volta, Lewis Hamilton, da McLaren, àquela altura segundo colocado, Alonso, terceiro, e seu companheiro, Felipe Massa, quarto, estavam na reta dos boxes. Ao verem o safety car do lado direito da pista, na saída dos boxes, com as luzes amarelas acesas, os três tiraram o pé do acelerador. Mas Hamilton pensou poder ultrapassá-lo e completou a volta na sua frente numa velocidade muito maior que a de Alonso e Massa, que respeitaram o safety car, lento a sua frente.

  Com isso, Hamilton não perdeu o imenso tempo dos pilotos da Ferrari, fez seu pit stop e ainda regressou à prova na sua colocação original. Sebastian Vettel, da Red Bull, liderava. Já Alonso fez sua parada e deixou os boxes em 10.º. Massa, em 17.º, por ter de esperar a Ferrari primeiro substituir os pneus de Alonso para depois trocar os seus, pois o espanhol estava na sua frente.

  Alonso reclamou de Hamilton ter ultrapassado o safety car pelo rádio. Os comissários já o estavam julgando. Mas apenas cerca de meia hora depois do ocorrido, quando o inglês da McLaren já tinha importante vantagem para o terceiro colocado, Kamui Kobayashi, da BMW Sauber, recebeu a punição de drive through. Hamilton cumpriu e voltou ainda em segundo.

  A mensagem da FIA, lembrou o diretor da Ferrari, Stefano Domenicali, domingo, foi de que o crime compensa. Alonso, imediatamente atrás de Hamilton na hora do safety car, obedeceu o regulamento e acabou em oitavo. Já Hamilton não o acatou, recebeu a bandeirada em segundo e manteve-se na liderança do Mundial. “Pagamos um preço muito alto por cumprir as regras”, disse ontem Montezemolo.

  O dirigente referia-se, também, à penalização de cinco segundos aos nove pilotos que excederam o tempo máximo para completar a volta, antes de entrar nos boxes para o pit stop, quando o safety car foi acionado. A manobra de ser mais veloz do permitido os favoreceu muito da mesma forma que Hamilton.

  Que a FIA necessita rever a regra do safety car novamente parece não haver dúvida, depois da injustiça desportiva de ontem. A Ferrari apresentou desempenho para levar os dois pilotos a lutar pelo pódio e, involuntariamente, terminaram lá atrás. Massa ficou em 11.º. Mas Alonso afirmar de forma cabal que havia interesse dos comissários no resultado, compreende-se favorecer Hamilton, é mais sério que o equívoco das penas quase inexistentes, capazes potencialmente de levar todos a cometerem as mesmas faltas, pois, como lembrou Domenicali, nesse caso o crime de fato compensou.

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