A dura vida de Schumacher na volta à F-1

liviooricchio

26 de fevereiro de 2010 | 22h41

26/II/10
Livio Oricchio, de Barcelona

Que a Fórmula 1, hoje, é diferente daquela quando conquistou, com a Ferrari, cinco títulos seguidos, de 2000 a 2004, Michael Schumacher já sabia. E levou em conta essas mudanças para decidir sua volta à competição. Mas por mais que considerasse todas as variáveis que cercam seu retorno, com certeza não imaginaria encontrar tantas dificuldades como as enfrentadas na pré-temporada.

Ontem, no Circuito da Catalunha, em Barcelona, o piloto alemão, agora na Mercedes, depois de estabelecer o sétimo tempo no treinamento, afirmou: “No momento não estamos fortes como gostaria, provavelmente sem possibilidades de lutar pelas vitórias nas primeiras corridas.”

Já está bem claro para Schumacher: conquistar o oitavo título mundial exigirá esforços muito superiores aos exigidos nos tempos de Ferrari. “Nossa principal meta, agora, é não começar o campeonato muito distante dos mais rápidos”, falou, ontem. Dessa forma, explicou, com trabalho incessante a Mercedes poderá recuperar a diferença que a separa de Ferrari, Red Bull e McLaren, as mais eficientes nos testes.

De 2000 a 2006, período de maior sucesso da associação Schumacher-Ferrari, uma hora foi a Williams outra a Renault a desafiá-los, apenas. E, mesmo assim, bem pouco preparadas em relação a estrutura disponibilizada a Schumacher, sem que essas facilidades retirem o mérito de seus mundiais. Este ano, a equipe de Schumacher tem pelo menos três concorrentes, Ferrari, Red Bull e McLaren, todos duríssimos para vencer e, ao mesmo tempo, super bem estruturados, diferentemente das escuderias adversárias anteriores do alemão.

E o que não dizer do perfil dos pilotos que Schumacher já está enfrentando, bem distinto dos daquele período, menos rico de verdadeiros talentos. Há hoje na Fórmula 1 uma geração de jovens extremamente capazes, loucos para inserir em seu currículo que superaram Schumacher, a referência para a classe na Fórmula 1.

Os melhores exemplos dessa geração são Lewis Hamilton, McLaren, Sebastian Vettel, Red Bull, Felipe Massa, Ferrari, Robert Kubica, Renault, e Nico Rosberg, Mercedes. E ainda há pilotos excelentes, agora mais experientes, em equipes que o próprio Schumacher reconhece estarem melhor que a Mercedes, no caso os campeões do mundo Fernando Alonso, Ferrari, e Jenson Button, McLaren.

Se tudo isso não bastasse, Schumacher chega de volta à Fórmula 1 numa época em que, por conta do regulamento, os carros têm grande tendência a derrapar com as rodas dianteiras, ou seja, o piloto vira o volante e o carro demora para iniciar a curva, a frente não obedece ao comando do volante.

O alemão sempre comentou a esse respeito: “Não me adapto a monopostos que saiam de frente.” Seus carros sempre apresentam a perigosa tendência de escapar com a traseira, indesejada pela grande maioria dos pilotos. Diante desse quadro, o Schumacher que deverá iniciar a temporada, dia 14 de março em Bahrein, não deverá ser o mesmo que entrou para a história da Fórmula 1 pela sua genialidade e números de desempenho impressionantes.

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