A F-1 fala do fenômeno Hamilton

liviooricchio

05 de outubro de 2007 | 17h40

05/X/07
GP da China
Livio Oricchio, de Xangai

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Apenas 15 corridas. Essa é a experiência de Lewis Hamilton, 22 anos, na Fórmula 1. Mas 15 corridas que já entraram para a antologia da competição, por dar a Hamilton retrospecto tão favorável, em especial para quem estréia no Mundial, que são capazes de levá-lo a ser campeão do mundo já na próxima madrugada, no GP da China. Para boa parte da Fórmula 1, essas 15 corridas não deixam dúvida: Hamilton é um fenômeno.

“Sua performance não me surpreende. O vimos crescer, o ajudamos a crescer. Espero que continue evoluindo, há muito o que aprender ainda, e continue conosco por muitos anos”, disse orgulhoso, ontem, Ron Dennis, sócio e diretor da McLaren, equipe que investiu mais de US$ 3 milhões para formar Hamilton para a Fórmula 1.

Mas Dennis é suspeito para analisá-lo, por ter sido o maior responsável por escolhê-lo dentre tantos jovens de talento que surgem. Jean Todt, diretor da Ferrari, é adversário de Dennis. “Hamilton chegou na Fórmula 1 numa das melhores equipes num grande momento. Pilotos sem experiência não entram em times vencedores logo de cara. Ele teve esse fator a seu favor e o aproveitou muito bem, mostrou competência.”

Felipe Massa reconhece, da mesma forma, a capacidade de Hamilton. “Ele merece ser campeão, venceu quando dava e marcou o máximo de pontos quando não era possível ganhar, é assim que se chega ao título.” Mas também comentou: “Hamilton desembarcou na Fórmula 1 depois de longa preparação e, na realidade, continuou no time em que já estava desde pequeno, cercado de apoio, o que faz grande diferença.”

Prevê algumas dificuldades para ele se Fernando Alonso deixar a McLaren. “Sem um piloto como o Alonso para liderar a equipe, Hamilton verá que seu desafio será maior e não menor.” Flavio Briatore, da Renault, lembra que Hamilton superou Alonso porque é talentoso e teve dentro da McLaren suporte máximo. “A reação de Alonso de sentir-se preterido na escuderia não deve ser de graça.”

Bernie Ecclestone também diz que o inglês chegou na Fórmula 1 com tudo certo ao seu redor, “o que o ajudou a expressar seu talento”. Rubens Barrichello tem uma definição para o inglês: “Foi cientificamente preparado para todos os nossos desafios, chegou pronto, apesar de estreante, nada aqui é novidade para ele, o que não tira seu mérito”.

Na Fórmula 3 Européia, em 2005, Hamilton foi companheiro do alemão Adrian Sutil, hoje na Spyker. O inglês acabou campeão com Sutil em segundo. “O conheço bem e sei do seu potencial, mas ele começou no melhor time no seu melhor momento e apoiado pelos donos. Com os mesmos recursos, acredito que poderia realizar trabalho semelhante, como fiz na F-3.”

Ano passado, na GP2, Hamilton e Nelsinho Piquet lutaram pelo título, prova a prova. Deu o inglês. “Ele é bom, claro, mas o pegaram no colo e deram tudo e mais um pouco para desenvolvê-lo para isso que estamos vendo”, comenta Nelsinho. “Vamos vê-lo como se sairá numa situação em que não receba o melhor carro e terá de trabalhá-lo, sem ter ao seu lado um piloto como o Alonso, comprovadamente capaz.” Frank Williams o define em poucas palavras: “Um dos maiores pilotos que vi começar na Fórmula 1
na minha carreira”.

Em 15 corridas, venceu 4, foi cinco vezes 2º, três 3º, uma 4º, uma 5º e apenas na etapa de Nurburgring, sob chuva intensa, não marcou pontos, ao terminar em 9º. Nunca abandonou um GP.

FIM

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