A F-1 volta a conviver com protestos políticos em Bahrein

liviooricchio

18 de abril de 2013 | 05h27

18/IV/13
Manama, Bahrein

Apesar de a oposição no Bahrein ter programado para hoje e, principalmente amanhã, dia do descanso na cultura islâmica, uma passeata para reivindicar mais democracia no país, o clima no circuito de Sakhir, ontem, era de tranquilidade. Bem mais que na edição de 2012 da corrida.

“A maior prova de que vivemos uma situação menos tensa foi a venda de boa parte dos espaços destinados às corporações. Essas empresas trazem seus convidados. No ano passado não foi assim”, disse ao Estado o diretor do Autódromo de Sakhir, Zayed al Zayani.

Há uma diferença importante entre as manifestações de hoje e de amanhã pelas ruas de Manama, com promessa de se aproximarem do circuito: serão pacifistas. Nos conflitos com o governo do xeque Hamad bin Isa Al Khalifa, sunita, mais de 50 cidadãos morreram nos últimos dois anos.

O líder xiita Ali Salman, do grupo Al-Wefaq, responsável pela mobilização, explicou à agência Reuters: “Estou chamando a população para mais protestos, mas sem violência. Sou contra a violência”.

Falou mais: “Não temos nada contra a Fórmula 1, desejamos apenas mostrar para o mundo nossa necessidade de uma reforma democrática”. Esse pequeno país árabe do Golfo Persa é dominado pela dinastia sunita Al Khalifa enquanto a maior parte da população é xiita.

Em conversa com o Estado, Muhammed Al Khalifa, da família real e articulador da negociação que levou o Bahrein a fazer parte do calendário da Fórmula 1, disse que existe, sim, animosidade entre sunitas e xiitas, “mas é menor da divulgada pelo mundo”. Explicou: “Aqui no nosso evento a maior parte dos voluntários é de xiitas”.

O acesso ao circuito de Sakhir é feito, principalmente, por uma estrada com quatro faixas de rodagem no meio do deserto. Do centro de Manama à pista são cerca de 25 quilômetros. Pode-se ver dos dois lados na estrada, regularmente, carros com policiais bem armados e até unidades blindadas leves. Na entrada do autódromo ainda mais. Parte da segurança do Bahrein é provida pela vizinha Arabia Saudita, que mantém relações estreitas com a família real barenita.

Outro líder do movimento Al-Wefaq, Khalil Al-Marzouq, afirmou também à Reuters: “Estamos esperando milhares de manifestantes na passeata de sexta-feira e já avisamos às autoridades”. No ano passado as ações de protesto foram limitadas a uma área distante do autódromo. Resta saber como será, agora, a repressão, pois o trajeto da passeata prevê chegar no circuito.

Aparentemente sem se importar muito com o que vai ocorrer ao redor do autódromo, pilotos e demais integrantes das equipes de Fórmula 1 iniciam hoje as atividades oficiais do GP de Bahrein. O primeiro treino livre é amanhã, a partir das 4 horas, horário de Brasília, 10 horas em Manama. Faz muito calor, a ponto de a Pirelli ter mudado os pneus macios pelos médios. O outro é o duro.

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